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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Pavoroso incêndio contado em verso

11.01.05 | João Manuel Maia Alves
O GRANDE INCÊNDIO EM MOURISCAS

28, 29 e 30 de Junho de 1991



Em 28 de Junho
triste caso aconteceu,
tantas coisas de valor
que em Mouriscas ardeu.


Naquela tarde tão triste
ouviu-se gritos e ais,
era o fogo em direcção
direíto aos Engrenais.


Eu no alto da Barragem
eu vi ninguém me contou,
este incêndio começar
e a direcção que tomou.


Direito à Senhora dos Matos
tanta floresta queimou,
passou bem junto á capela
mas foi Deus quem a salvou.


Se não fosse os meios aéreos
ai de nós o que seria,
se ardeu muito, mas muito
muito mais então ardia.


Foi a primeira vez que vi
os meios aéreos a trabalhar,
foram encher à Barragem
para muitas casas salvar,


Neste enorme incêndio
um desespero afinal,
ainda houve pessoas
que foram ao Hospital.


E no Concelho de Mação
outro incêndio começou,
foi no dia 29
a Ponte da Cré passou.


E lá a no alto da Lomba
já tanta gente a chorar,
era um enorme incêndio
que se estava aproximar.

10º
Chegou lá à meia noite
e tudo queria queimar,
lá foi direito aos Cabrais
tanta gentinha a gritar.

11º
Faltou a luz é verdade
naquela noite de Verão,
tanta pessoa aflita,
só se via o clarão.

12º
O fogo ao passar em Lercas
tanta floresta queimou,
tanto fumo e tanto lume
a festa em Lercas estragou.

13º
E também em Entre Serras
aquele grande clarão,
tanta pessoa aflita
fez doer o coração

14º
Aquele grande clarão
e tanto lume no ar,
dava quase a sensação
que o mundo ia acabar.

15º
Houve animais que morreram
ninguém lhe pôde valer,
tão aflitos coitados
acabaram-por arder.

16º
Esta tão grande tristeza
entriteceu todos nós,
o fogo depois seguiu
para a Cabeça das Mós.

17º
E direito aos Valhascos
nunca mais queria parar,
pois era a força do vento
sempre, mas sempre a soprar.

18º
No dia 30 de Junho
o vento lá o voltou,
novamente até Mouriscas
e tanto que ele queimou.

19º
Chegou ao Casal da Neta
ali é que foi arder,
tanta criança com medo
e tanta gente a sofrer.

20º
Foi um enorme incêndio
foram 3 dias de horror,
tanto fumo e tanta chama
naqueles dias de calor.

21º
Também homens de Mouriscas
merecem grandes louvores,
meteram de noite e dia,
ao serviço os seus tractores.

22º
Este tão grande incêndio
tanto que ele queimou,
começou á Sexta Feira
só ao Domingo acabou.

23º
Os Bombeiros no começo
que grande desembaraço,
mas passado já 3 dias
já sentiam o cansaço...

24º
Os Bombeiros fazem sempre
aquilo que são capaz,
o meu maior obrigado
aqueles soldados da paz.

25º
A todos os que ajudaram
para este incêndio se apagar,
Deus lhe dê a recompensa
não sou eu, que a posso só dar.

26º
À Radio Antena Livre
o meu maior obrigado,
por todo o vosso trabalho
de nos terem informado.

27º
Lamento quando alguém pensa
em queimar uma riqueza
ninguém devia estragar
o que é da natureza.

28º
O fogo é tão traidor
não deve haver coisa igual,
já queimou grandes riquezas
neste nosso PORTUGAL.



Estes versos foram escritos por José Milheiro, a quem se agradece a autorização da publicação. Noutro artigo damos algumas notas biográficas do autor.