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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Paulo Lourenço – trabalho, mérito e sucesso

14.09.12 | João Manuel Maia Alves

 

 

O mourisquense Paulo Lourenço foi recentemente nomeado secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol. Trata-se dum cargo importante e que confere uma certa notoriedade. Vamos ver quem é Paulo Lourenço e o que tem feito.

Paulo Manuel Marques Lourenço nasceu em 21 de maio de 1961, no Casal Pita, Mouriscas, sendo filho de Amândio da Conceição Lourenço e de Maria Rosa Marques Grilo.

Por parte do avô paterno, Paulo Lourenço descende em sexto grau de António Ferreira Santana, nascido em 1789, em Alagoa, concelho de Portalegre, e de Luísa Lopes, nascida por volta de 1801, na Cabeça de Alconde, da freguesia de S. Vicente, do concelho de Abrantes. Deste casal descendem os Santanas com origem em Mouriscas.

Por parte da sua avó paterna, é bisneto de Francisco Marques Amante, um homem que indiscutivelmente faz parte da história de Mouriscas. A sua Pirotecnia Ribatejana, fundada em 1890, levou a beleza e a alegria do fogo de artifício a inúmeras terras de Portugal e mesmo ao estrangeiro e domínios ultramarinos, tendo recebido numerosos prémios. O único senão desta atividade, que levou o nome de Mouriscas a todo o país, foram os desastres, uns dos quais vitimou José Lourenço, avó paterno de Paulo Lourenço.

Paulo Lourenço também pertence à família Esparteiro, que teve origem em Manuel Marques, que casou com Felícia da Conceição para o Casal Pita, onde nasceu Paulo Lourenço. Ainda no século XIX este mourisquense dedicou-se ao fabrico de seiras e capachos para lagares de azeite, arte que teria aprendido na vizinha freguesia de Valhascos. Passou a ser conhecido e tratado por Esparteiro ou Mestre Esparteiro. Talvez tenha usado o nome de Manuel Marques Esparteiro; nos registos de nascimento dalguns netos é esse o nome por que é referido. Os filhos e outros descendentes tiveram ou têm Esparteiro como apelido. Uma das suas filhas, Francisca da Conceição, casou com o referido Francisco Marques Amante, sendo portanto bisavó de Paulo Lourenço. Entre as pessoas importantes saídas desta família temos um governador de Macau, um autor de dicionários de termos de marinharia, um professor de matemática da Universidade de Coimbra e, na atualidade, o ator Luís Esparteiro.

Paulo Lourenço fez a primeira classe do ensino primário na escola que funcionou na parte sul de Mouriscas. Depois foi para Camarate, onde fez dois anos do ensino secundário, que continuou e terminou no Liceu D. Dinis, em Lisboa.

Terminados os seus estudos secundários, matriculou-se em Direito, dando seguimento a uma vocação que sentia. Frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa nos anos 1982-1987 e aí se formou. Entre os manuais que estudou enquanto frequentou a Faculdade de Direito contam-se os do Juiz Conselheiro Manuel Lopes Maia Gonçalves, reconhecida autoridade em Direito Penal e, como Paulo Lourenço, mourisquense e membro da família Santana.

Nos dois anos que se seguiram à conclusão do seu curso, Paulo Lourenço preparou-se para o ingresso no mercado de trabalho: fez o estágio para a profissão de advocacia e concorreu a diversos empregos.

De 1989 a 1996 trabalhou na Direção Geral dos Impostos como técnico jurista. Dava pareceres e ia a reuniões em Bruxelas.

Em 1996 começou um novo desafio para Paulo Lourenço com a sua escolha para assessor de António Carlos dos Santos, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, da equipa do Ministro das Finanças, Sousa Franco. Era, na verdade, um desafio para o Secretário de Estado e para toda a sua equipa; com muita atividade e entusiasmo produziram uma importante reforma que introduziu mais equidade no sistema fiscal levando ao pagamento de impostos de atividades até aí não abrangidas. No exercício das suas funções, Paulo Lourenço viajou até ao Brasil e Estados Unidos numa missão do BID (Banco Interamericano para o Desenvolvimento) destinada a introduzir nesses países um sistema semelhante ao IVA europeu.

Durou até 1999 a experiência de Paulo Lourenço no Ministério das Finanças, ano em que houve eleições legislativas e substituição da equipa do Ministério das Finanças. Nesse ano ingressou na BDO, empresa multinacional de auditoria e consultoria, de que foi diretor. A BDO é a sexta maior organização mundial no seu ramo de atividade.

O fim do século XX traria um novo desafio para Paulo Lourenço, desta vez relacionado com a alta-roda do futebol nacional e internacional. Vamos ver como.

Vencendo renhido concurso internacional, Portugal foi escolhido em outubro de 1999 para organizar o Campeonato Europeu de Futebol 2004 (Euro 2004), ou mais exatamente a fase final desse campeonato. Nele participariam a seleção portuguesa e mais quinze seleções nacionais que conseguiriam apurar-se. Era uma grande honra para o país, mas também uma pesada responsabilidade organizar o terceiro maior evento desportivo do mundo. Se Portugal falhasse, a credibilidade do país e dos seus dirigentes, políticos e desportivos, seria afetada e difícil de recuperar.

Para organizar o Euro 2004 foram criadas duas empresas: uma para a criação de infraestruturas e outra, a sociedade Euro 2004, SA, para a área desportiva. A Euro 2004 teve três acionistas: a UEFA, com 54% das ações, a Federação Portuguesa de Futebol, com 41%, e o estado português, com os restantes 5%. A UEFA (Union of European Football Associationsé o órgão máximo do futebol europeu. O Conselho de Administração da Euro 2004, S.A. foi constituído por sete membros, uns representando a UEFA e outros a Federação Portuguesa de Futebol. Gilberto Madaíl, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, presidiu ao Conselho e Mathieu Sprengers, tesoureiro da UEFA, foi vice-presidente. Os outros cinco membros foram Ângelo Brou, Jacob Erel, Lars-Åke Lagrell, Paulo Lourenço e Lars-Christer Olsson. Havia várias nacionalidades no Conselho, pelo que o uso do inglês e do francês era constante.

Paulo Lourenço foi escolhido para a administração da Euro 2004 conjuntamente por Gilberto Madaíl e por Fernando Gomes, que tinha sido bem conhecido presidente da Câmara Municipal do Porto e agora era Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro e Ministro da Administração Interna e tutelava a área do desporto. Foram-lhe atribuídos os pelouros administrativo, jurídico e informático. É evidente que esta nomeação era uma honra para Paulo Lourenço, nos seus 39 anos, mas as responsabilidades que acarretava eram de fazer tremer as pernas a muitos. Exigiam uma personalidade amadurecida, domínio das áreas supervisionadas, capacidade de trabalho e dois predicados que se podem aperfeiçoar mas não nascem com a pessoa – capacidade de chefia e de tomar decisões. Uma responsabilidade acrescida derivava de trabalhar com pessoas com muitos anos de experiência em organismos como a Federação Portuguesa de Futebol e a UEFA.

A prova decorreu entre 12 de junho e 4 de julho sem grandes incidentes, sendo considerada pela UEFA como o melhor e mais bem organizado campeonato europeu de futebol até então disputado. Durante algumas semanas a atenção do mundo esteve virada para Portugal. Cerca de um milhão de turistas visitou o país nesse período, aos quais se juntaram mais de 2.000 voluntários e 10.000 jornalistas de todo o mundo. Portugal mostrou capacidade para organizar um grande evento desportivo. O mourisquense Paulo Lourenço foi uma peça importante do êxito.

 

(Continua)

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