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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Curioso costume

28.06.12 | João Manuel Maia Alves

Este artigo foi publicado neste blogue, com o título Antigamente ao domingo, em 9 de junho de 2005. 

Em Mouriscas há vários sítios onde as pessoas se juntam ao domingo. Décadas atrás juntavam-se em maior número nesses locais. Alguns desses sítios são a Estalagem, o Carril, o Cotovelo, as Ferrarias, os Engarnais Cimeiros, a Bagaceira e os Cascalhos. Neles se juntavam homens, que as mulheres ficavam em casa. A Estalagem, no centro da freguesia, atraía gente de todos os lugares, ao passo que aos outros sítios afluía principalmente gente de lugares próximos.

Depois do almoço homens começavam a afluir aos seus lugares preferidos. Vestindo, em geral, camisa branca, gravata preta, casaco e calças de cor escura, tudo com a qualidade e a elegância condizentes com o gosto e o pouco dinheiro da época, era vê-los caminhar para os locais onde podiam tratar dos problemas da sua vida ou simplesmente conversar e espairecer um pouco no intervalo entre duas semanas de duro labor físico. Um luto recente exigia camisa preta. Na cabeça usava-se um chapéu ou um boné.

Houve um tempo em que os homens transportavam ao domingo um objeto quase obrigatório – uma bengala. Tratava-se umas vezes dum tosco cajado, noutros duma vara de junco com uma ponta virada que se podia enfiar no braço.

Perto destes locais de encontro havia tabernas onde se podia tomar bebidas alcoólicas como vinho e aguardente e bebidas gasosas. Quem se lembra ainda da agradável bebida gasosa chamada pirolito? Para quem não saiba, no pirolito em vez de tampa externa havia uma bola de vidro mantida internamente sob pressão contra o buraco da garrafa. Para se abrir o pirolito empurrava-se a bola para baixo. Para acompanhar as bebidas havia tremoços e amendoins, em Mouriscas chamados ervilhanas.

Por volta de 1950 surgiram os primeiros cafés, que começaram a atrair fregueses e a mudar os hábitos das pessoas, mas houve quem nunca trocasse o café pelo vinho.

Nos anos 50 havia dois campos de futebol em Mouriscas – um na Várzea, na parte norte, e outro na Lameira Redonda, na parte sul. Os jogos disputados nestes campos eram vistos por muita gente. Muita dela não perdia nem o futebol nem as reuniões nos sítios do costume.

Alguns homens recolhiam  cedo a casa. Outros deixavam-se ficar até tarde, entregues à conversa e à bebida, chegando a casa por volta da meia-noite, ou mais tarde ainda, por vezes bastante alegres.

Na Estalagem, isto é no centro da freguesia, onde se cruzam a estrada de Abrantes e a do Sardoal, havia um costume engraçado. Muitos homens conversavam na rua em grupos. Às vezes via-se num deles um rapaz já admitido, pela idade ou pelo desempenho profissional, ao convívio e às conversas dos homens. O estranho é que muitos homens tinham o hábito de ficar no meio da estrada. Vinha um automóvel e afastavam-se. O automóvel passava e eles voltavam ao meio da estrada. Não era um hábito muito recomendável, mas não consta que tenha causado acidentes. Por certo muita gente se lembrará ainda deste curioso costume de outras épocas e gostará de o lembrar. Outros gostarão de saber.