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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Azeite para todos

13.09.11 | João Manuel Maia Alves

Este artigo foi publicado neste blogue em 15 de setembro de 2004. É publicado de novo pelo interesse que possa ter para muitos que não o leram.

Agora que se aproxima a época da apanha da azeitona é interessante recordar um costume que em Mouriscas, e também em outras localidades, tornava possível ter azeite sem gastar dinheiro e sem possuir oliveiras. Tratava-se dum antigo costume que não levantava objeções, resultado dum consenso social implícito, algo que se tinha tornado numa norma pacificamente aceite por todos.De acordo com esse costume, a azeitona que caía até certa data era de quem a apanhava.Desse costume beneficiavam os mais pobres, permitindo-lhes arranjar azeite para seu consumo ou para vender. Também podiam obter algum bagaço, alimento muito apreciado para engorda dos porcos, animais até recentemente muito importantes na economia doméstica das populações rurais.Nalgumas famílias mobilizavam-se todos os meios para apanhar a azeitona caída das árvores. Mulheres e jovens de ambos os sexos apanhavam o máximo que podiam enquanto tal era permitido.A data limite para apanhar livremente a azeitona caída era 4 de outubro, dia da chamada da Feira da Ponte, isto é da Feira da Ponte de Sor. Para os aldeões de tempos passados as datas de realização de certos acontecimentos eram um marco ou referência frequentemente usada.Depois da Feira da Ponte muitos proprietários caiavam de branco alguns troncos de oliveira para indicar que tinha acabado a época de qualquer um poder apanhar a azeitona caída. Também era costume colocar rama de pinheiro sobre as trepas (ramos mais perto do solo) dalgumas oliveiras. Chamava-se a isso coutar as oliveiras. A expressão era adequada já que o dicionário dá para o verbo coutar os significados, entre outros, de proibir e proibir a entrada ou acesso. Também se dizia que as oliveiras estavam guardadas.Depois da colheita era aceite que a azeitona não apanhada pudesse ser recolhida por qualquer pessoa. Andar ao rabisco era a designação dada a essa operação. Segundo o dicionário de português da Porto Editora, andar ao rabisco significa “percorrer áreas extensas para apanhar o que ficou esquecido da colheita (espigas, uvas, castanhas, etc.)”.Hoje ninguém se interessa em apanhar para si a azeitona das oliveiras alheias caída até certo dia ou que ficou depois da colheita. Estes interessantes costumes desapareceram por falta de praticantes. Os mais novos não sabem que existiram. Dos mais velhos muitos não se recordam. Por isso, para uns e para outros, lhes dedicamos estas linhas.Artigo redigido com a preciosa ajuda, que se agradece, de Arnaldo Cordeiro (Espadeira) e de Emílio Costa (Patacas)