Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Jacinto Gonçalves

01.06.10 | João Manuel Maia Alves
Escrito de harmonia com o Acordo Ortográfico
Jacinto_goncalves.jpg
O largo no centro de Mouriscas tem o nome de Jacinto Gonçalves. Quem foi este homem?Jacinto Gonçalves nasceu em 6 de outubro de 1892, no lugar do Pinheiro, sendo filho de Manuel Gonçalves, conhecido por Manuel do Tojal ou Manuel Tojal, por ter nascido no Lugar do Tojal, e de Joaquina Maria Bento. Faleceu em 17 de agosto de 1932, a caminho da idade de 40 anos.Jacinto Gonçalves era uma pessoa dotada de grandes qualidades de iniciativa, dinamismo e persistência. Durante muito tempo o seu nome foi lembrado pela sua ação como presidente da junta de freguesia. Era bem conhecida a forma firme e vigorosa como defendia na câmara municipal de Abrantes os interesses de Mouriscas. Ficaram célebres as lutas que empreendeu para que fossem construídas as estradas para a estação de comboios e para o Sardoal.O comboio, chegado a Mouriscas em 1891, foi um extraordinário fator de progresso, mas durante muito tempo foi servido por acessos estreitos, sinuosos e de mau piso, o que dificultava e limitava o uso do transporte ferroviário. A estrada da estação, ainda hoje uma via muito razoável, foi, por isso, muito útil e a sua construção revelou visão de futuro. De facto, essa estrada viria a ter grande utilização no transporte de passageiros e de mercadorias de e para os comboios. Pelo comboio foram escoados em grande quantidade produtos como seiras e capachos para lagares de azeite, tijolos e azeite. Pelo comboio chegavam produtos como adubo, sal e peixe. Bons acessos aos comboios de veículos de tração animal e automóvel eram uma necessidade para o desenvolvimento de Mouriscas que a estrada preencheu. Jacinto Gonçalves montou o primeiro telefone em Mouriscas, que então era público, e tinha em vias de montagem uma instalação de iluminação eléctrica, pública e particular. Foi também um dos promotores da construção da torre da igreja matriz.Em julho de 1932, com a presença de várias entidades oficiais, realizou-se a inauguração da estação telégrafo-postal de Mouriscas. Na sessão solene que então teve lugar Jacinto Gonçalves falou dum Portugal “lavado do passado de misérias, firmando a sua economia em bases sólidas, reconstituindo-se numa marcha segura, preparando uma era de paz e de progresso”. Nada fazia prever nessa data festiva que no mês seguinte, depois dum período de doença, Jacinto Gonçalves se finaria.Depois da implantação da república rebentou em Mouriscas um sério conflito quando o Padre Henrique Neves aceitou uma pensão do estado contrariando as orientações da Igreja. O bispo de Portalegre excomungou-o e nomeou um novo pároco. No entanto, o Padre Henrique recusou-se a abandonar a igreja matriz, onde continuou a praticar atos de culto, pelo que o novo padre celebrava na capela do Espírito Santo, nas Ferrarias. Os dois padres tinham seguidores, o que criou profundas divisões na freguesia e em famílias, incluindo a de Jacinto Gonçalves. Este blogue dedicou a este conflito o artigo O padre-pensionista e a banda excomungada, publicado em 7 de julho de 2006. Jacinto Gonçalves envolveu-se a fundo na defesa do padre nomeado pelo Bispo de Portalegre para substituir o Padre Henrique, numa luta que durou muitos anos até à devolução da igreja matriz à hierarquia da Igreja.Jacinto Gonçalves casou com Ermelinda Lopes Maia e foi pai de Eugénia Lopes Maia e do Juiz Conselheiro Manuel Lopes Maia Gonçalves.Como reconhecimento público pelo que fez por Mouriscas, há no centro da freguesia um largo com o nome desta figura do passado mourisquense: LARGO JACINTO GONÇALVES.