Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Falar mourisquense (17)

01.09.08 | João Manuel Maia Alves
ORDEM – Autorização. (Hoje não tens ordem de sair daqui. Quem é que te ordem de usares o meu relógio?)

ATAR UM CALDEIRO AO RABO – Receber com hostilidade, afugentar. Esta expressão provém do cruel costume de se atar um caldeiro à cauda dum cão para o afugentar de modo a não voltar a um lugar. (Que é que ele cá veio fazer? Deviam era ter-lhe atado um caldeiro ao rabo.)

APRECIAR – Observar com curiosidade. (Quando há uma briga junta-se sempre muita gente para apreciar. No casamento ela deve ter apreciado bem tudo na casa dos noivos.)

ESTAR DE VOLTA DE – Estar ocupado com. (Ele tem estado toda a manhã de volta do motor, mas ainda não conseguiu pô-lo a tirar água

FALAR PARA – Namorar. (Ele fala para a prima. Os pais não gostam do namoro, porque queriam que o filho casasse com uma mulher rica.)

EM ACÇÃO DE – Pronto para (matar para alimentação, semear, colher, etc.) (O porco está quase em acção de matar. A azeitona já está em acção de apanhar.)

JÁ NÃO OUVIR CANTAR O CUCO – Viver pouco mais tempo. Não durar até ao fim do inverno. (O canto do cuco, repetitivo e agudo – cucu, cucu, .... - ouve-se no fim do inverno, começo da primavera. Há um provérbio que diz “Dia de S. José e o cuco sem vir, ou ele é morto ou está para vir.”) (Ele está muito doente. Já não deve ouvir cantar o cuco.)

ATIRAR FOGO – Gabar-se. (Tem-se fartado de atirar fogo com a nomeação do filho para um cargo importante.)

GABAR – Achar que se deveria fazer. (O que eu gabava era obrigá-lo a trabalhar para pagar o que roubou.)

VIANDA – Comida dos porcos. (Este porco come um tigelão de vianda enquanto o diabo esfrega um olho.)

UNTAR AS UNHAS – Gratificar para obter favor. (Viu-se atrapalhado para conseguir os documentos. Só quando untou as unhas a um funcionário é que o pedido começou a andar.)

AI EU – Usa-se esta expressão para indicar algum tipo de desconforto. Às vezes indica surpresa. (Ai eu, ai eu. Dei um jeito à mão e dói-me um pouco. Ele comprou um carro de 50.000 contos. Ai eu!)

TACHO DE ARAME – Tacho de interior amarelo, em geral de enormes dimensões e que hoje só serve para adorno. Arame é o nome do material, mas não é arame, é latão.

NINGUÉM CUSPA PARA O AR – Ninguém diga que não lhe pode acontecer o mesmo, ninguém diga desta água não beberei. (Hoje é uma desgraça ter um filho drogado, mas ninguém cuspa para o ar.)

ACORDAR MOSCAS QUE DORMEM – Trazer à conversa assuntos que não devem ser recordados ou discutidos. (Não lhe fales das zangas que ele teve com a família. Não acordes moscas que dormem.)

TALOCA – Buraco. (Há pássaros que fazem o ninho em talocas de árvores. Este comer mete ele na taloca dum dente.)