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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Impressões dum livro

25.03.08 | João Manuel Maia Alves
o_rosa_pascoal.JPGOtília Rosa PascoalNeste artigo damos uma vista de olhos e a nossa opinião sobre o livro “Recordações e Tradições, escrito por Otília Rosa Pascoal e lançado no verão de 2007. Como era de esperar, bastante espaço do livro é dedicado a coisas do passado mourisquense. Ainda bem que assim é, pois mesmo muitos que o viveram já esqueceram parte dele ou só lhes resta uma vaga recordação. Não há muitos que se recordem dos moinhos de vento. Otília Rosa Pascoal não os esqueceu. As oficinas de espartaria também foram recordadas. Como poderiam ter sido esquecidas? Houve tantas por toda a freguesia e deram trabalho a tantas mulheres. Foram imensamente importantes para a economia de Mouriscas, que tornaram uma terra conhecida em todo o país. Engenhos como noras e picotas para tirar água dos poços são coisas que as novas gerações não conheceram. Até mesmo as pessoas de mais idade já guardam delas às vezes uma ténue lembrança, mas o livro refresca-lhes a memória.Otília Rosa Pascoal recorda festas e romarias. Fez bem, pois certos aspectos destas festividades estão enterrados no esquecimento. Quem se lembra dos carros agrícolas engalanados que desfilavam nas festas de verão, que se realizavam no Largo do Espírito Santo? Felizmente não morreram totalmente algumas destas festas, mas não se realizam como outrora, como mostra a leitura do livro. As recordações da infância mereceram a atenção da autora. Foram tempos muito diferentes dos actuais, mas quem os viveu nem sempre se lembra deles. Fez bem a autora em recordar os vendedores de peixe, conhecidos por sardinheiros, e outros aspectos da vida de há umas décadas atrás. Vinte deliciosas páginas são dedicadas a cantares ao desafio que se usavam nas oficinas de espartaria em actividades agrícolas como as mondas e a apanha da azeitona. O livro contém muita poesia, nem toda dedicada a Mouriscas; alguma contempla o distrito e o concelho. Muita tem carácter pessoal, revelando a sensibilidade da autora. Uma quadra do livro foi premiada em 1968 pela Escola Industrial e Comercial de Moncorvo. Lembram-se de “O Senhor Feliz e do Senhor Contente”, protagonizado há uns bons anos por Nicolau Breyner e Herman José? Otília Rosa Pascoal fez uma paródia dessa produção da RTP, a qual foi interpretada por dois artistas mourisquenses. Consta do livro.O carnaval mourisquense também recebeu no livro a devida atenção. Nele se distinguiu noutros tempos um homem conhecido por Manuel Mocho. Ainda bem que dele fala para recordarmos um passado com décadas e de que muitos temos muita, muita saudade.Provérbios e mezinhas também mereceram a devida atenção. Interessante uma receita para a tosse em que se ferve água na qual se colocou uma pinha verde. No livro narra-se um intrigante episódio ocorrido durante uma visita de moças de Mouriscas à capela de N. Sra. dos Matos. Seja qual for a explicação que se encontre, merece ser lido e meditado. Faz pensar.Enfim, é variado e interessante o conteúdo do livro de Otília Rosa Pascoal. Oxalá a autora divulgue ou permita a divulgação de produções suas não incluídas neste livro. Não pode deixar de ser o desejo de quem leu esta obra.Merece ser lido este livro. Recomendamos que o obtenham e leiam – devagar para devidamente o saborearem. Vão ver que gostam.