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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Uma floresta para o futuro

12.12.07 | João Manuel Maia Alves
Realizou-se no passado dia 1 de Dezembro na Herdade da Murteira, Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, em Mouriscas, um colóquio subordinado ao tema “Uma floresta para o futuro”.
A organização foi da Junta de Freguesia em parceria com a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, com a Associação Caça e Pesca de Mouriscas, com a Empresa Silviconsultores e ainda com a ADIMO, Associação de Desenvolvimento Integrado de Mouriscas.
Esta acção surge na sequência do grande incêndio do Verão passado que consumiu uma extensa área de pinhal e terras de cultivo do Norte ao Sul da freguesia. Foi preocupação da organização informar os produtores florestais prejudicados por este incêndio dos meios que estão disponíveis para poderem, se para isso houver interesse, investir na recuperação da floresta ardida.
Assim, o colóquio estava dividido em três painéis: 1º - Zonas de intervenção Florestal; 2º - Desenvolvimento Rural e 3º - Protecção e Valorização dos Recursos da Floresta. Cada um destes painéis foi subdividido em intervenções de técnicos florestais e produtores florestais convidados.
No 1º Painel, moderado pelo Engº Simão Pita, tivemos as intervenções do Engº Jorge Gonçalves, do Núcleo Florestal do Ribatejo, que falou das ZIF’s e do Ordenamento Florestal; o Engº Carlos Machado, da Silviconsultores, falou sobre a ZIF de Mouriscas e o Prof. Mário Albuquerque, proprietário florestal em Mouriscas, que falou sobre o Património Florestal – uma Responsabilidade Colectiva. No final das intervenções deste painel surgiram várias perguntas das pessoas presentes (mais de quatro dezenas) que levaram a que o 2º Painel, previsto para a parte da manhã, fosse transferido para a tarde. Deste modo houve tempo para responder a todas as questões postas.
O 2º Painel, moderado pelo Dr. Humberto Lopes, teve a intervenção do Engº Luís Damas, da Associação de Agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação, que falou sobre os Apoios aos Investimentos na Floresta. No final desta intervenção ficou esclarecida a necessidade de, para haver financiamentos, existir uma associação de produtores florestais cuja área de intervenção abranja um mínimo de 25 ha para que possa haver financiamento. No 1º Painel tínhamos concluído que uma possibilidade de associação seria a ZIF (Zona de Intervenção Florestal), mas poderia ser outra qualquer desde que os produtores assim o entendessem.
O 3º Painel, moderado pela Engª Rita Soares, da Silviconsultores e responsável pela constituição da ZIF de Mouriscas, teve a intervenção do Engº António Barreto, da Silvicaima, que falou sobre A Biomassa. Desta intervenção resultou o esclarecimento dos presentes sobre a utilização da floresta na produção da biomassa que vai alimentar as centrais de biomassa de produção de energia eléctrica. Destas centrais já existem duas em Portugal e outras têm construção prevista a curto e médio prazo. Mais uma vez ficou patente que o ”minifúndio” existente em Mouriscas não é compatível em termos concorrenciais para a produção e colocação na central da biomassa que se venha a gerar na floresta, nesta freguesia. Actualmente, tudo atinge grandes dimensões pelo que, só através de grandes investimentos, é possível obter retorno o que vem, mais uma vez, apelar para a associação de produtores ou para o emparcelamento de que há tantos anos de fala, mas que nunca foi possível concretizar. Por último, falou a Engª Susana Bento, da Federação Portuguesa de Caçadores, sobre a Cinegética, a importância da caça na floresta e a necessidade também da associação dos caçadores que, em Mouriscas, já deu os seus frutos, estando, portanto, no bom caminho. Não foi possível tratar o tema anunciado “Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios” por impossibilidade,de última hora, do orador convidado.
A encerrar o colóquio, na ausência dos convidados anunciados, estiveram o Presidente da Junta de Freguesia, Manuel Grilo, o Engº Simão Pita da Escola Profissional e o Dr Humberto Lopes da ADIMO. Para além dos agradecimentos devidos aos oradores, aos presentes e aos apoiantes da iniciativa, foram todos unânimes na importância desta acção junto dos proprietários da Freguesia, no seu esclarecimento e no conhecimento dos apoios e de como podem ser conseguidos para recuperarem o património criado ao longo de dezenas de anos e que, em poucas dezenas de minutos, ficou totalmente destruído pelo incêndio que deixou a Freguesia mergulhada numa paisagem castanha onde, antes, a paisagem era verdejante.

Humberto Lopes