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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Falar mourisquense (15)

21.11.07 | João Manuel Maia Alves
É COMO O OUTRO – Não tem importância. (Lá que me chamasse tonto é como o outro. Agora chamar-me ladrão é que não posso aceitar.)

SALSICHARIA, SALSICHEIRO – Noutros tempos os talhos em Mouriscas chamavam-se salsicharias e os donos salsicheiros. No entanto, a palavra salsicha não fazia parte do vocabulário corrente em Mouriscas. Nesses tempos os salsicheiros abatiam a maioria dos animais de que vendiam os produtos. Correndo o risco de omissões, os salsicheiros mais conhecidos em Mouriscas foram o Margarido, o João Gonçalves Pedro (João Pedro) e o Manuel Grilo, os três no centro de Mouriscas, o Fausto nas Ferrarias e o Augusto Filipe no Carril. (Fui à salsicharia comprar uma perna de cabrito e algumas morcelas.)

CHAPÉU-DE-CHUVA SEM VARETAS – Pessoa de pouco préstimo. (É muito vaidosa, mas não passa dum chapéu-de-chuva sem varetas.)

EXTRAVAGANTE – Gastador. (É um extravagante. Mal recebe dinheiro gasta-o logo.)

VAI (VÁ) BALHAR COM O DONO – Não me maces (mace). Vai (vá) à fava. (Oh pá! Deixa-me em paz. Vai balhar com o dono. Ele diz que tu não tens habilidade para árbitro de futebol. Eu quero que ele vá balhar com o dono.)

VAI (VÁ) PARA OS PORCOS – Expressão grosseira, com o significado da anterior. (Queria que lhe emprestasse dinheiro. Nunca mais o via. Vá para os porcos.)

PRATO DE ARROZ DOCE – Pessoa muito querida que concentra todas as atenções e afectos. (Quando ele nasceu, passou a ser lá em casa o pratinho de arroz doce de toda a gente - dos babosos pais e avós e das criadas.)

ENCAFUAR – Meter. (Desde que se reformou passa a vida encafuado em casa. Veio viver para cá, mas ninguém o vê porque se encafuou lá no buraco.)

EMPEGILHO, EMPEGILHAR – Estorvo, estorvar. (Estás aí no chão feito empegillho. Sai daí, empegilho, para a gente passar.)

ESCALDA-FAVAIS – Indivíduo estouvado, doidivanas, travesso. É termo que vem nos dicionários, mas a verdade é que fora de Mouriscas nunca o ouvi. (Com ele nada pára quieto nem sossegado. É um escalda-favais.)

CABRESTO – Indivíduo que desinquieta outros para irem divertir-se. (Precisas de estudar e devias ficar em casa a estudar, mas já aí estão os cabrestos para te levaram para ir ver o jogo da bola.)

João Manuel Maia Alves, com a colaboração de Maria Manuela Maia Alves