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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Fernando Rosa de Matos

13.03.07 | João Manuel Maia Alves
f_r_matos.JPGFernando Rosa de Matos nasceu em 1949 no lugar de Aldeias, freguesia de Mouriscas. Foram seus pais Juliana Rosa e Manuel de Matos, conhecido por Manuel das Aldeias. Por parte da mãe é descendente em quinto grau de António Ferreira Santana, homem de destaque na sua época, nascido em Alagoa, concelho de Portalegre, em 1789 e de Luísa Lopes, nascida em 1801, no Cabeço do Alconde, então freguesia de S. João, do concelho de Abrantes. Deste casal descendem “os Santanas com origem em Mouriscas”.Frequentou em Mouriscas a escola primária e o Colégio Infante de Sagres, onde completou o antigo 7º anos dos liceus. Fez o serviço militar, tendo participado na guerra colonial, em Angola, durante dois anos. Exerceu a profissão de técnico de telecomunicações, estando agora na situação de pré-reformado, dividindo o seu tempo entre a casa onde nasceu, nas Aldeias e o Rio de Mouro, localidade do concelho de Sintra onde residiu durante a sua carreira profissional. Desde criança que se interessa por trabalhos artesanais em madeira. As primeiras peças que se lembra de ter feito, talvez com oito ou nove anos, foram para montar o seu presépio, tentando imitar as imagens que, maravilhado, via na Igreja todos os Natais.Em 1958 uma imagem de pedra representando a Santíssima Trindade caiu do andor durante uma procissão e despedaçou-se. Um escultor esteve em Mouriscas durante aproximadamente um mês para a reconstruir. O trabalho do artista era objecto da curiosidade dos miúdos da escola, entre os quais se contava Fernando Rosa de Matos, que, nessa altura, reforçou o seu gosto pela escultura.Também a poesia cedo o atraiu. Ainda hoje, ao folhear os seus velhos livros escolares se encontram versos que escrevia nos cabeçalhos ou nas margens das folhas durante as aulas. Certamente que a atenção que dava às lições não seria a melhor, o que lhe terá valido mais de uma vez, a aplicação pelo respectivo professor, dos métodos pedagógicos muito em voga na época.Data da altura em que frequentava o Colégio Infante de Sagres a primeira vez que os seus versos foram dados a conhecer, durante uma récita. Foi Jorge Palma, hoje conhecido cançonetista, então também aluno do colégio, que os leu. Era poesia satírica dedicada aos comerciantes locais. Esses versos foram publicados neste blogue em 10 de Agosto de 2005. Também se tem dedicado a fotografar os moinhos de vento da região e de outros locais do país. Um dos seus sonhos seria reconstruir um e pô-lo de novo a funcionar. Talvez este seu interesse se deva ao facto de ainda se lembrar dos dois moinhos que, da sua casa, em criança, via a funcionar nos montes mais próximos – o moinho das Aldeias e o da Atalaia.Fernando Rosa de Matos continuou pela vida fora a cultivar estes hóbis.Ao longo dos anos tem vindo a fazer escultura em raiz de oliveira. Só recentemente, em eventos organizados pela Junta de Freguesia de Mouriscas, expôs estes trabalhos. Mouriscas é uma terra donde saíram muitas pessoas notáveis em vários campos, mas só recentemente nos foi dado conhecer que também é terra de artistas. Felizmente que hoje os artistas mourisquenses têm maiores oportunidades de mostrar os seus trabalhos. Não será ainda o ideal, mas é de certeza muito melhor do que há poucos anos. A partir dum material aparentemente humilde como são as raízes de oliveira, Fernando Rosa de Matos produz, com o auxílio de formões, goivas e canivetes, interessantes obras de artesanato. Os seus motivos são, além doutros, arte sacra e arte greco-romana. São obras muito interessantes – um autêntico regalo para os olhos. Não deixem de as ver, se tiverem a oportunidade.