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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Festas de Verão

07.02.07 | João Manuel Maia Alves
Todos os mourisquenses recordam as Festas do Espírito Santo, que mais tarde passaram a ser conhecidas como as Festas de Verão. Aconteciam sempre no mês de Setembro em dois ou três fins-de-semana, no largo das Ferrarias. A justificação para esta data residia no facto de muitos dos mourisquenses residentes fora da sua terra virem quase todos os anos passar ali uns dias das suas férias, nessa altura. As festas vieram a tornar-se mais tarde mais um motivo para essa vinda à terra natal, além do convívio com os familiares e com os conterrâneos. Transformaram-se assim, num acontecimento que promovia a união e convívio entre muitos dos naturais de Mouriscas, na sua terra natal.

Destas festas recordamo-nos da parte religiosa, que constava de uma missa na Capela do Espírito Santo, com procissão e fogaças e da parte lúdica, constituída por algumas actividades desportivas, como as “cavalhadas”, os torneios de tiro aos pombos e aos pratos e as gincanas de automóveis, quando estes começaram a ser mais frequentes. Ainda na parte lúdica, como não podia deixar de ser, havia o baile, as variedades, os comes e bebes e o fogo de artifício. Era, aliás, com a alvorada, que se iniciavam as festas, com todo aquele foguetório, que pelas oito da manhã, ecoava pelos céus de Mouriscas.

Fazia ainda parte do programa, o peditório com uma Banda Filarmónica, que percorria a tocar uma grande parte da freguesia, anunciada pelos foguetes, e com os elementos das Comissão das festas a pedirem às pessoas o seu contributo.

Antes porém do início das festas havia um conjunto de acções que era necessário levar a cabo. Era necessário arranjar a madeira para a armação do recinto, das mesas e das barracas, quermesse e comes e bebes. Esta era pedida, pelos elementos da comissão aos produtores de pinheiros, que na sua maior parte viviam nos casais de Entre Serras e Lercas. Depois havia que colocar no centro do Largo das Ferrarias o pinheiro das festas, o que constituía o primeiro acto oficial. O pinheiro, bastante alto, com uma bandeira na ponta, era o símbolo e o anúncio das festas. Era hasteado, ao fim de uma tarde de domingo em Agosto, com foguetes, alguns garrafões de vinho e um prémio para o “atleta” que, conseguisse subir mais alto pelo pinheiro.

A seguir, era necessário cortar os pinheiros, transportá-los para o recinto e para as serrações e conseguir os voluntários para armar o dancing, as barracas e tudo o mais que era necessário. A maior parte deste trabalho era voluntário, deixando de o ser com o passar dos anos. Todo o saldo das festas era para benefício da freguesia, incluindo o produto da venda da madeira, que no final era leiloada.

Já no primeiro dia da festa, após a procissão, as fogaças dos vários casais eram expostas e iniciava-se o leilão dos bolos e outros produtos oferecidos, como garrafas de azeite, chouriços, cereais e outros produtos da produção caseira. Durante alguns anos as fogaças foram substituídas por carros alegóricos, em cortejo de oferendas. Nestes cortejos incorporavam-se vários carros de bois ou carroças, que eram enfeitados com motivos populares e que transportavam também as ofertas, para serem leiloadas. Recordo-me de um carro alegórico, que no ano de 1951 ou 1952, representava uma eira evocando a malha do centeio. O carro era forrado de palha de centeio e no seu interior estavam quatro”malhadores”, vestidos tipicamente, que com as respectivas “moeiras” malhavam o centeio. Quando o cortejo decorria entre o Casal da Igreja e as Ferrarias, chegaram as mulheres dos “malhadores”, com o almoço e ali se banquetearam todos, representando aquilo que acontecia, nos trabalhos do campo. O trabalho era dirigido pelo “patrão”, que também tinha assento no carro. No ano anterior ou no seguinte, foi encenada uma descamisada sendo o carro todo forrado com camisas de milho, imitando também uma eira, e no seu interior um conjunto de rapazes e raparigas lá iam descamisando as espigas de milho ao mesmo tempo que iam cantando canções populares. Recordo ainda a existência de carros alusivos aos produtos cerâmicos, produzidos em Mouriscas e às oficinas de seiras e capachos.

(Continua)

Alberto Grossinho