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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Monsenhor Martinho Lopes Maia (2)

12.12.06 | João Manuel Maia Alves
(Continuação)mons_maia-2.jpgVimos no artigo anterior que Monsenhor Martinho Lopes Maia começou por ser ajudante de caixeiro em Almada e, foi, em seguida, aprendiz de alfaiate em Alvega. Foi depois professor primário em Castelo Branco. Seguiu-se a frequência do seminário de Portalegre, após o que celebrou a primeira missa em Mouriscas, em 1900. Vemo-lo depois a frequentar o Curso Superior de Letras em Lisboa. Ainda a República não tinha sido implantada. Vamos ver o que se segue na vida deste dinâmico mourisquense. Mal terminado o Curso Superior de Letras foi aberto concurso para o quadro oficial de capelão militar, cargo muito pretendido e de prestígio quando o catolicismo era religião oficial no reino. O Padre e já Doutor Martinho Lopes Maia concorreu, obtendo lugar cimeiro entre muitos outros concorrentes. Como capelão militar, em que obteve o posto de capitão, foi colocado em Elvas, no Quartel de Cavalaria e seguidamente nomeado pároco da paróquia de Nossa Senhora da Assunção, extinta Sé de Elvas, conjuntamente com São Braz de Varche, localidade para Sul, a uns 5 quilómetros da cidade, e ainda vigário-geral da Vigararia-Geral de Elvas.Elvas era uma praça-forte militar de elevado valor estratégico, mas também com arraigadas tradições religiosas e literárias. Enquanto sede de diocese aí existira um seminário, de que persistiam recordações. No momento, a cidade e terras limítrofes careciam de um estabelecimento de ensino secundário. O padre, doutor e capelão militar Martinho Lopes Maia, ciente das carências da cidade, das suas aptidões e com o seu dinamismo empreendedor, fundou o Colégio Elvense, de que, além de fundador, foi proprietário, director e professor.Ao Colégio Elvense muito ficaram a dever Elvas e Mouriscas. Quanto a Elvas, além da opinião generalizada de alguns ilustres elvenses, há fotografias bem conservadas de muitos alunos, oferecidas como prova de reconhecimento. Quanto a mourisquenses, vários foram tirar o curso secundário no Colégio Elvense, gratuitamente ou em condições económicas mais favoráveis. Entre eles contam-se os Doutores Manuel Agostinho Santana Maia, António Maria Santana Maia, João Gualberto Santana Maia, Manuel Lopes Maia Gonçalves, sobrinhos de Monsenhor Maia, e o Doutor Manuel Marques Esparteiro, que depois foi professor de Matemática na Universidade de Coimbra.Um dos sacerdotes radicados em Elvas com quem o Padre Martinho Lopes Maia logo se relacionou foi o Padre Serrão, pessoa muito em destaque na época porque, ao contrário da generalidade dos outros sacerdotes, era um republicano muito convicto e activo, que em comícios pregava o advento da República, incluindo, na expressão usada pelo seu já amigo Padre Maia "o bacalhau a pataco e o fim dos impostos". Proclamada a República, o Padre Serrão logo foi proclamado presidente da câmara municipal de Elvas. Mas era um homem íntegro e sincero, que acreditava, muito convictamente, na realização de tudo o que a República vinha prometendo. Decorrido pouco tempo, e constatando que as coisas não caminhavam como prometera, abandonou a política activa, sem deixar de ser republicano. Em Elvas, certamente devido à influência do Padre Serrão, a República não molestou qualquer sacerdote. Porém, Monsenhor Maia era dotado de um enorme espírito de previdência, segundo ele confessava devido às dificuldades que encontrara nos verdes anos da infância e da juventude. Se a República pouco o molestou nas suas funções eclesiásticas, muito temeu pela continuação da carreira militar. E, prevendo a possível extinção do cargo, como medida preventiva contra tal eventualidade, resolveu tirar o curso de Direito, para o que se matriculou como aluno voluntário na Faculdade de Direito de Coimbra, que frequentou de 1911 a 1916, ano em que terminou o curso.(Continua)Texto elaborado com base em apontamentos redigidos pelo Conselheiro Manuel Lopes Maia Gonçalves, sobrinho-neto de Monsenhor Martinho Lopes Maia