Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Parabéns à “Tia Joana da Azenha” que faz 102 anos

04.08.06 | João Manuel Maia Alves
Joana_Dias.JPGFoto de 1.1.2006Esta ilustre Senhora nasceu no já longínquo dia 4 de Agosto de 1904, em Mouriscas, no casal de Camarrão, sendo a filha mais nova de uma família mourisquense, então constituída pelo pai José Maria Mestre (08.10.1867-16.07.1949), carpinteiro de profissão e, depois, moleiro, pela sua mãe Joana Dias, conhecida por Ti Joanita (02.01.1868-29.05.1959), doméstica e moleira, e pelos irmãos David Lopes Mestre (13.06.1897-2.03-1988), carpinteiro, moleiro e agricultor e Joaquina Dias (20.03.1899-07.03.1993), doméstica.Aprendeu a ler, a escrever e a contar em casa da mestra de escola Teresa Fernandes, que morava no Casal Pita.Depois foi aprender costura e bordados com a mestra Antónia Venância, moradora no casal do Outeiro, que enquanto solteira, se dedicou ao ensino da sua arte às jovens. Pensava ser costureira, mas pelo facto de deu pai tomar conta dos engenhos de farinação que eram do seu tio Feliciano Lopes Mestre, o seu sonho não se concretizou.Enquanto solteira, costumava ir aos bailes, abrilhantados apenas com gaitas de beiços e cantares, que se realizavam nas noites de Domingo, em casa do ti Manuel Vargasta, sempre acompanhada da sua irmã Joaquina. Para pagamento da utilização da casa de fora utilizada para o efeito ofereciam ao seu proprietário sabão para a esfregar e petróleo e azeite para a iluminação.Nesse tempo era costume fazer-se um arraial todos os Domingos, no Largo da Cabaça, que atraia muitos jovens e adultos, que da vizinhança ali se deslocavam para conviver e se divertir.Lembra-se do tempo de criança das festas dedicadas à Nossa Senhora dos Matos, que atraiam gente de toda a freguesia.Casou com o mourisquense Joaquim Grilo Cadete (24.08.1912-05.02.1975), em 06.09.1932, pedreiro e mestre de obras, passando o casal a viver no casal do Surdo, perto dos pais do noivo, mudando-se, anos mais tarde, para o lugar dos Penedos, onde a “Tia Joana” viveu, mesmo depois de viúva, até há poucos anos, quando se entregou aos sobrinhos. Recorda com saudade que, no dia do seu casamento, foi transportada numa égua do sr. Luís Farinha, aliás, utilizada em quase todos os casamentos da terra. O casal não teve filhos.Acompanhando o marido, viveu algumas temporadas fora de Mouriscas.Continua com boa memória e lucidez, fazendo inveja aos idosos mais novos, e fala dos seus avós paternos Manuel Lopes Mestre e Francisca Lopes e maternos Francisco Serrano (Palhinhas) e Rosária Dias e dos seus tios de ambos os lados, nomeando-os, sem dificuldade. O mesmo acontece, em relação aos sobrinhos directos, num total de 31, e afins e seus descendentes: sobrinhos-netos, sobrinhos-bisnetos e sobrinho-trinetos. O mais velho dos familiares directos, todos ainda no mundo dos vivos, o José tem 80 anos e o mais novo, a Inês, 6.Neste dia em que faz a bonita idade de 102 anos, uma das pessoas mais velhas da nossa freguesia de Mouriscas e do nosso concelho de Abrantes, todos os seus sobrinhos dão os PARABÉNS à Tia Joana e fazem votos para que continue a somar anos à sua vida, pedindo a Deus que lhe continue a dar saúde, vontade e alegria para viver.Viver 102 anos, com saúde, paz de espírito e boa memória é privilégio apenas dos mais afortunados. A Tia Joana deve estar feliz por isso. Também os sobrinhos e, com certeza, todos os mourisquenses se sentem honrados e se associam a mais este aniversário.Escreveu este texto o sobrinho Carlos Bento, em 4.8.2006.