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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Morte do Almirante Esparteiro

23.07.06 | João Manuel Maia Alves
alm_esp.JPGNos primeiros dias de Outubro de 1976 faleceu um mourisquense muito ilustre – o contra-almirante Joaquim Marques Esparteiro. Refira-se que é habitual designar e tratar por almirantes os contra-almirantes.Esta notável figura foi referida de passagem no artigo “Gente Ilustre”, de Agosto de 2004, dedicado a Luiz Marques Esparteiro e Engrácia Lopes e aos oito filhos deste casal. Merece que prestemos mais atenção à sua vida e às suas realizações, o que será feito neste e em futuros artigos deste blogue e na página “Mouriscas – Terra Grande, Terra Nossa” (http://motg.no.sapo.pt).Transcrevemos a seguir o que o Diário de Notícia escreveu a propósito do Almirante Joaquim Marques Esparteiro aquando do seu desaparecimento. FALECIMENTOCONTRA-ALMIRANTE JOAQUIM MARQUES ESPARTEIROFaleceu no Hospital da Marinha o sr. contra-almirante Joaquim Marques Esparteiro, de 81 anos, natural de Mouriscas, Abrantes, casado com a sra. D. Laurinda dos Santos Calvinho Marques Esparteiro, pai das sras. D. Maria Helena Esparteiro Lopes da Costa e D. Amélia Esparteiro Silva Leitão, sogro dos srs. Mário Lopes da Costa e José Luís Silva Leitão.O extinto era formado em Ciências Matemáticas com 18 valores e louvor de distinção, além do curso da Escola Naval e da Especialização em Artilharia.Foi professor de Cálculo, Mecânica Balística e do Curso de Especialização para Oficiais na Escola Naval. Deixa vasta bibliografia, dos mais variados assuntos, além de comunicações apresentadas em congressos estrangeiros, nomeadamente uma sobre a Energia Atómica, que levou a um Congresso para o avanço das Ciências na África do Sul, quando desempenhava o cargo de chefe do Departamento Marítimo de Moçambique, actualmente com o titulo de comandante naval.Começou a sua carreira naval nos Açores, onde permaneceu 15 meses, e, depois, serviu em navios de guerra em Inglaterra, França, províncias ultramarinas, tendo tomado parte em diversas manobras navais. Durante a sua carreira, fez serviço nos navios Gil Eanes, Pedro Nunes, Vasco da Gama, contra-torpedeiros, canhoneiras, na I.B.O., na Mandovi, Açor, etc.Comandou, durante a I Guerra Mundial uma traineira arvorada em navio de guerra, sendo, nessa altura apenas guarda-marinha. Através dos vários postos da sua carreira de marinheiro, comandou o torpedeiro «Mondego» em manobras, o “Gonçalo Velho” e o «Gonçalves Zarco» em viagens de soberania em Moçambique e noutras províncias. Serviu em diferentes contra-torpedeiros muitos deles em manobras navais. Também serviu em Macau, a bordo da canhoneira «Pátria» de 1922 a 1925, tendo então visitado vários pontos da China, Formosa e Japão. Desempenhou em Inglaterra, durante 5 anos as funções de chefe de armamento dos navios de guerra portugueses que foram construídos naquele país. Nessa situação proferiu em inglês, uma conferência na Associação de Engenheiros Ingleses em Barrow-in-Furness, e fez diversas viagens profissionais a França, Itália, Alemanha, Suécia, Holanda, Inglaterra, e Estados Unidos.Já em capitão-de-mar-e-guerra, comodoro e contra-almirante, desempenhou o alto cargo de governador de Macau, durante 5 anos, numa época particularmente difícil. Regressado à Metrópole, foi novamente nomeado director do Instituto Superior Naval de Guerra, correspondente aos Altos Estudos Militares, cargo que já tinha exercido anteriormente aquando da criação daquele instituto, para que foi convidado. Nestas circunstâncias, visitou estabelecimentos estrangeiros congéneres. Nos últimos anos de serviço efectivo, desempenhou o cargo de vogal do Supremo Tribunal Militar, durante 6 anos. Foi vice-presidente da Sociedade de Geografia e do Conselho Superior da Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Foi sócio da Sociedade de Estudos de Moçambique e, em 1947, nessa qualidade, apresentou ao congresso em Lourenço Marques, uma interessante comunicação intitulada «Serão os outros mundos habitados?», cujas afirmações estão ainda actualizadas com as recentes viagens à Lua. Desta comunicação. foram extraídos trechos que fazem parte de antologias e adaptados em selectas do ensino, o que testemunha o valor literário e cientifico desta comunicação. A pedido do Centro de Investigação da Cultura do Algodão, em Moçambique, também fez uma série de conferências sobre o cálculo das probabilidades e as ciências de Observação, aplicação à cultura do algodão.Quando da sua missão em Inglaterra, foi-lhe pedido como técnico de Artilharia, o seu parecer na arbitragem de uma questão de aceitação de pólvora entre os «Vicker's» e a missão turca.Enquanto permaneceu em Inglaterra, a «Viker' s» pôs à sua disposição toda as suas bibliotecas incluindo documentação secreta.Da sua folha de serviços constam, além de diversos louvores, as seguintes condecorações: medalha de 1a. classe de Serviços Distintos; medalha de Mérito Militar de 1a.Classe; Grã-Cruz Militar de Avis; comendador da Ordem Militar de Sant'Iago de Espada; comendador da Ordem do Império; medalha de 1ª. Classe de Comportamento Exemplar; medalha da Vitória; Grande Oficial de Mérito Naval do Brasil; medalha de Mérito Naval de Espanha; Medalha de Socorro a Náufragos: de Coragem, Abnegação e Humanidade; medalha de Socorros a Náufragos de Filantropia e Caridade e medalha comemorativa das Campanhas do Exército Português.A foto incluída neste artigo pertence ao arquivo da Sociedade de Geografia de Lisboa e chegou-nos através do Prof. Carlos Bento. À prestigiosa instituição e ao dedicado colaborador deste blogue endereçamos os nossos agradecimentos.