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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Falar mourisquense (7)

16.05.06 | João Manuel Maia Alves
Este é mais um artigo dedicado a palavras e expressões de Mouriscas.

SAPATA- Pata, pé, mão, sendo bastante grosseiros os dois últimos significados. (As sapatas das galinhas ficaram marcadas neste chão de cimento. O sogro proibiu-o de pôr as sapatas lá em casa. Não pegues no livro com as sapatas sujas.)

BICHARDÉU – Tratamento afectuoso dirigido a gatos. (Anda cá, meu bichardéu.)

BUGALHO – Ovo em ninho de pássaros. Noutros tempos podia-se ouvir um miúdo dizer que tinha descoberto um ninho com seis bugalhos. Não dizia ovos para enganar as cobras. Se dissesse, as cobras poderiam ir ao ninho comer os ovos!

CAÇOLO – Não é uma caçola pequena. A caçola é um vaso de barro estreito em baixo, largo em cima e pouco alto, usado para cozer ao lume. O caçolo tem a mesma serventia e também é de barro, mas é cilíndrico. É pequeno. A caçola está em extinção porque não se adapta aos fogões actuais. O caçolo vai sobrevivendo.

FILHOTE – Natural, oriundo. (Ele não nasceu cá. É filhote de Tramagal.)

DIABO, DIABA – Fulano, fulana. (Ele casou com uma diaba de Alter do Chão.) Estas palavras não têm sentido pejorativo, mas usam-se de modo muito informal. Ninguém diria numa audiência, por exemplo, que era casado com uma diaba de Lisboa.

AVEZADO, AVEZAR – Acostumado, habituado; acostumar, habituar. (Ele está mal-avezado; não quer trabalhar. Este cão avezou-se a esta casa e está sempre aqui.) Embora estas palavras constem dos dicionários, nunca as ouvi fora de Mouriscas.

É COMO A CALDEIRA DO INFERNO; QUANDO NÃO ESCALDA, MASCARRA – Usa-se para indicar que alguém anda continuamente a praticar maldades ou traquinices.

QUANDO NÃO ESCALDA, MASCARRA – Frase mais curta que a anterior e com o mesmo significado.

GOULÃO – Que come muito e com sofreguidão. (É um goulão. Se pudesse, não deixava ficava nada para os outros comerem.)

CATRAPÃO, CATRAPÃO DAS PERNAS – Que tem dificuldade em andar. (Estou para aqui um catrapão. Ele está muito catrapão das pernas.)

CHÁ DA MEIA-NOITE – Eutanásia, morte de doente incurável para pôr termo a sofrimento. (Na opinião dele, quando uma pessoa está a sofrer e não tem salvação, era melhor dar-lhe o chá da meia-noite.) Evidentemente que a frase entre parêntese serve para exemplificar o uso da expressão. Não é uma defesa da eutanásia.

ABANAR O CHOCALHO – Abanar a cabeça. (Não estejas para aí a abanar o chocalho, porque sei bem o que se passou.)

João Manuel Maia Alves