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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Mouriscas (S. Sebastião) - Sua origem, seu povo

22.02.10 | João Manuel Maia Alves
Este artigo foi escrito pelo Prof. Matias Lopes Raposo (foto abaixo) e adaptado às regras do Acordo Ortográfico. Foi publicado no começo da década 1951-1960 em “Abrantes – Cidade Florida” e em “Abrantes – Notas Históricas”.O Prof. Matias Raposo destaca-se entre as figuras notáveis de Mouriscas. Foi um distinto professor primário. Com o seu genro, Dr. João Gualberto Santana Maia, fundou e dirigiuu o Colégio Infante de Sagres, que ministrou o ensino secundário a muitos jovens de Mouriscas e doutras terras. Já antes tinha preparado muitos futuros ferroviários no que ficou conhecida como a “Universidade Ferroviária de Mouriscas”. Foi também presidente da junta de freguesia.
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Mouriscas: -Terra de Mouros? Pelo nome que hoje conserva - sim. Mas, pela sua origem, certamente que não.E digo não, porque várias razões e hipóteses se podem pôr. Diz a tradição que no tempo em que os Fenícios jornadearam pela Península, aqui exploraram níquel no sítio do Sobral, onde ainda se veem vestígios de escavações.Isto pelo que respeita a esses povos aventureiros que percorreram meio mundo fazendo o seu negócio e estabelecendo colónias e feitorias.Pelo que se refere aos Romanos, a sua estadia aqui é mais evidente e está documentada.No Arqueólogo Português (Volume XXVIII) vem referida uma Tábua retangular de calcário aqui encontrada e que cobria a sepultura de um Decumus Plaentiae Filius, e que devia ser personagem importante da época.Este achado vem referido na Monografia do Concelho de Mação, de Oliveira Matos.Têm-se encontrado também moedas de prata em certa quantidade, e muito bem cunhadas, por sinal, com a efígie do Grande César.Ainda não há muitos anos, o sr. Manuel Cordeiro Valente, já falecido, encontrou, numa sua propriedade do Rio Frio, uma panela de barro cheia dessas moedas de prata. Vendeu-as, avulso, a várias pessoas da região.Também no sítio denominado Vale dos Carvalheiros foram encontrados, há 26 anos, objectos de ouro, mas de adorno: pequenas bicicletas, alamares, argolas, verguinhas, etc.Mas tudo isto parecia de fabricação mais recente e escondido talvez para escapar ao vandalismo das guerras. Presume-se que se desse o facto por ocasião das invasões francesas, visto estes terrenos terem sido talados (nota do administrador: talados = devastados) pelas hostes napoleónicas.O sr. general João de Almeida também faz referência, num livro que publicou sobre assuntos militares, a um castelo romano que existiu perto do local onde hoje se eleva a povoação do mesmo nome, e que fica num ponto próximo e sobranceiro ao Tejo, demonstrando assim o cuidado que aqueles povos tinham em proteger as suas vias de comunicação.E como se isto não fosse o bastante para garantir a permanência dos Romanos por estas paragens, aí está ainda a vetusta ponte de tijolo a três arcos, construída na Ribeira de Arcez, indicando uma das suas célebres estradas e fazendo a ligação das Beiras com o Ribatejo e Lisboa.Eis o que a lenda e os vestígios históricos nos dizem a respeito de Fenícios e Romanos.Os Mouros - povos que vieram mais tarde, e que deram o nome à terra, também por aqui deixaram os seus vestígios. Exploraram, segundo é tradição, as minas de pirites do lugar do Meirão e as águas férreas do sítio denominado Cova dos Mouros.Diz a lenda que o nome de Mouriscas deriva do local onde dois soldados cristãos abusaram de duas donzelas mouras. Será assim? Talvez, mas não muito provável, pois dos 56 lugares que constituem a freguesia, não há nenhum com esse nome e somente o seu conjunto dá a designação Mouriscas.De quando em quando, em escavações que se fazem, aqui e ali, encontram-se vestígios de antiquíssimas edificações, sobretudo nos lugares do Surdo e Vimieiro. Mas não se sabe nem a que povo, nem a que época pertencem. Tudo isto, é claro, se perde na noite dos tempos.Daí a dificuldade de se saber quem fundou esta terra.Aqui repete-se a história da maioria dos burgos portugueses, inclusive a da fundação de Lisboa.(Continua)
Palavras resultantes do Acordo Ortográfico
- veem em vez de vêem- retangular e objetos em vez de rectangular e objectos