Terça-feira, 27 de Março de 2007

Capela da Senhora dos Matos

(A sua origem histórica)sra_dos_matos.JPGTodos os mourisquenses consagram uma grande devoção a N. Senhora dos Matos e um carinho muito especial pela sua Capelinha que se ergue entre pinhais e num local muito aprazível nos arredores da Freguesia. A Capela da Senhora dos Matos é, aliás, o único monumento histórico de Mouriscas. Por isso, se não têm poupado esforços e sacrifícios para conservar e restaurar, sempre que necessário, aquela veneranda relíquia do passado. Ainda recentemente se procedeu a um considerável trabalho de restauro na Capela e já se projecta, como obra complementar, o conveniente arranjo e alindamento do adro da mesma. Mas era a origem histórica desta Capelinha, que supomos muitos ignoram, o assunto principal que agora queríamos focar. Alguns dos apontamentos que aqui ficam fomos buscá-los ao livro «O Aspecto Espiritual da Aliança Inglesa» do sr. Dr. José Pequito Rebelo, a quem estamos muito gratos pelo seu estudo e pela luz que veio lançar sobre este interessante assunto. Por várias razões e sobretudo pela leitura do Brasão do fundador, pintado na abóbada da Capela-Mor, parece não haver dúvida que esta Capela foi mandada construir no século XVII por um fidalgo inglês. De facto, D. Maria Coutinho, descendente de D. Fernando Coutinho, Marechal do Reino, casou com o fidalgo inglês D. Francisco Napier, que foi governador de Abrantes e era filho de D. Cristóvão Napier que veio a Portugal para ajudar D. João IV nas guerras contra Castela. As armas desta família «Napier» são uma aspa acompanhada por quatro rosas, precisamente as que se encontram no 1.º quartel do Brasão pintado na abóbada da Capela-Mor da Senhora dos Matos. O 2.° quartel, cinco estrelas, serão as armas dos Coutinhos. O 3.º quartel será das armas dos Lencastres, antepassados dos Coutinhos. O 4.° quartel é que fica por decifrar, mas dado o seu aspecto inglês, deve representar outra costela inglesa dos mesmos Napiers. A Capela deve, pois, ter sido fundada por qualquer membro desta família Napier Coutinho, de facto residente em Abrantes no século XVII. Ignora-se no entanto a razão por que, residindo em Abrantes, esta família mandou erguer a Capela em Mouriscas e não naquela cidade. A curiosa legenda inscrita no painel de azulejos do frontal do Altar da Capela — «dña intercede pró Anglia ut convertatr» — (Senhora, intercede pela Inglaterra para que se converta) esclarece sem dúvida a intenção religiosa dos fundadores: — pedir a intercessão de Nossa Senhora para a extinção da heresia protestante em Inglaterra. Para além do valor histórico da sua origem a Capela da Senhora dos Matos tem ainda o valor artístico que lhe dão a imagem de pedra de Nossa Senhora e os azulejos que cobrem as paredes da Capela-Mor, sobretudo os que constituem o painel do frontal do altar.Este texto foi transcrito da brochura editada pela Comissão das Festas de Verão de 1964, com o programa dos festejos e outra informação. Definição de termos do texto: - Brasão – emblema ou insígnia de pessoa ou família nobre- Aspa – emblema ou insígnia em forma de X- Quartel – cada uma das quatro partes em que se divide o brasão.
publicado por João Manuel Maia Alves às 15:06
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Quarta-feira, 21 de Março de 2007

Colégio Infante de Sagres

colegio.JPGJá neste blogue falámos do Colégio Infante de Sagres que tanto prestígio deu a Mouriscas e em tão larga medida beneficiou muitos dos seus filhos.Nunca é demais falar dessa instituição. Vale, por isso, a pena ler o texto publicado na brochura que a comissão das Festas de Verão de 1964 publicou com o programa dos festejos e com anúncios e interessante informação relacionada com Mouriscas. No texto pode ler-se que no colégio, que em certa fase da sua vida se chamou Externato Infante de Sagres, se podia frequentar a alínea de Ciências do 7º ano do liceu. Em quantas localidades de Portugal se podia em 1964 completar a escolaridade necessária para ingressar na Academia Militar ou para iniciar na Universidade um curso de Ciências?O Colégio Infante de Sagres transformou-se mais tarde num estalecimento de ensino público – a Escola EB 2,3 Dr. Santana Maia, que viria a ser desactivada. Vejamos então o texto publicado em 1964.MOURISCAS e o seu Colégio Mouriscas orgulha-se legitimamente do seu Colégio, um modelar estabelecimento de ensino e certamente um dos melhores da Província. É o Colégio que possibilita a muitos dos filhos de Mouriscas ascender a um nível cultural e social que, sem ele, dificilmente poderiam atingir, por dificuldades de ordem económica lhes não permitirem irem estudar fora da sua terra. É seu proprietário e Director o Sr. Dr. João Gualberto Santana Maia, um homem de grande prestígio, a quem Mouriscas muito deve como médico dedicado e desinteressado, mas a quem muito deve também, se não mais ainda, como Professor. Mas não se pode falar do Colégio "Infante de Sagres" de Mouriscas sem invocar o nome do Sr. Prof. Matias Lopes Raposo, o homem que consagrou toda a sua vida ao ensino com uma dedicação e um espírito de sacrifício verdadeiramente extraordinário. Foi ele o iniciador dos célebres «Cursos de Explicações» que prepararam muitas dezenas de homens de todo o País, do Minho até ao Algarve, para os mais diversos misteres, especialmente para os C.T.T. e para os Caminhos de Ferro. E de tal maneira se tornaram famosos e eficientes estes cursos que os Engenheiros da C P os começaram a recomendar a todos os candidatos aos seus serviços, designando-os pela forma pitoresca, mas bastante expressiva de «Universidade Ferroviária de Mouriscas". Foi esta «Universidade Ferroviária de Mouriscas», regida pelo Sr. Prof. Lopes Raposo, ao qual se associou logo desde o início o Sr. Dr. Santana Maia, seu genro, que veio dar origem ao Colégio "Infante de Sagres", fundado em 1947. Ultimamente têm sido notáveis as obras de beneficiação levadas a efeito no edifício do Colégio, dotando-o de instalações à altura das suas múltiplas funções. A recente criação do 3° Ciclo do Curso Liceal (Ciências, alínea F) é mais um passo em frente na vida ainda curta, mas já benemérita, do nosso Colégio e uma possibilidade mais oferecida a todos os mourisquenses no sentido da sua valorização.
publicado por João Manuel Maia Alves às 10:35
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Terça-feira, 13 de Março de 2007

Fernando Rosa de Matos

f_r_matos.JPGFernando Rosa de Matos nasceu em 1949 no lugar de Aldeias, freguesia de Mouriscas. Foram seus pais Juliana Rosa e Manuel de Matos, conhecido por Manuel das Aldeias. Por parte da mãe é descendente em quinto grau de António Ferreira Santana, homem de destaque na sua época, nascido em Alagoa, concelho de Portalegre, em 1789 e de Luísa Lopes, nascida em 1801, no Cabeço do Alconde, então freguesia de S. João, do concelho de Abrantes. Deste casal descendem “os Santanas com origem em Mouriscas”.Frequentou em Mouriscas a escola primária e o Colégio Infante de Sagres, onde completou o antigo 7º anos dos liceus. Fez o serviço militar, tendo participado na guerra colonial, em Angola, durante dois anos. Exerceu a profissão de técnico de telecomunicações, estando agora na situação de pré-reformado, dividindo o seu tempo entre a casa onde nasceu, nas Aldeias e o Rio de Mouro, localidade do concelho de Sintra onde residiu durante a sua carreira profissional. Desde criança que se interessa por trabalhos artesanais em madeira. As primeiras peças que se lembra de ter feito, talvez com oito ou nove anos, foram para montar o seu presépio, tentando imitar as imagens que, maravilhado, via na Igreja todos os Natais.Em 1958 uma imagem de pedra representando a Santíssima Trindade caiu do andor durante uma procissão e despedaçou-se. Um escultor esteve em Mouriscas durante aproximadamente um mês para a reconstruir. O trabalho do artista era objecto da curiosidade dos miúdos da escola, entre os quais se contava Fernando Rosa de Matos, que, nessa altura, reforçou o seu gosto pela escultura.Também a poesia cedo o atraiu. Ainda hoje, ao folhear os seus velhos livros escolares se encontram versos que escrevia nos cabeçalhos ou nas margens das folhas durante as aulas. Certamente que a atenção que dava às lições não seria a melhor, o que lhe terá valido mais de uma vez, a aplicação pelo respectivo professor, dos métodos pedagógicos muito em voga na época.Data da altura em que frequentava o Colégio Infante de Sagres a primeira vez que os seus versos foram dados a conhecer, durante uma récita. Foi Jorge Palma, hoje conhecido cançonetista, então também aluno do colégio, que os leu. Era poesia satírica dedicada aos comerciantes locais. Esses versos foram publicados neste blogue em 10 de Agosto de 2005. Também se tem dedicado a fotografar os moinhos de vento da região e de outros locais do país. Um dos seus sonhos seria reconstruir um e pô-lo de novo a funcionar. Talvez este seu interesse se deva ao facto de ainda se lembrar dos dois moinhos que, da sua casa, em criança, via a funcionar nos montes mais próximos – o moinho das Aldeias e o da Atalaia.Fernando Rosa de Matos continuou pela vida fora a cultivar estes hóbis.Ao longo dos anos tem vindo a fazer escultura em raiz de oliveira. Só recentemente, em eventos organizados pela Junta de Freguesia de Mouriscas, expôs estes trabalhos. Mouriscas é uma terra donde saíram muitas pessoas notáveis em vários campos, mas só recentemente nos foi dado conhecer que também é terra de artistas. Felizmente que hoje os artistas mourisquenses têm maiores oportunidades de mostrar os seus trabalhos. Não será ainda o ideal, mas é de certeza muito melhor do que há poucos anos. A partir dum material aparentemente humilde como são as raízes de oliveira, Fernando Rosa de Matos produz, com o auxílio de formões, goivas e canivetes, interessantes obras de artesanato. Os seus motivos são, além doutros, arte sacra e arte greco-romana. São obras muito interessantes – um autêntico regalo para os olhos. Não deixem de as ver, se tiverem a oportunidade.
publicado por João Manuel Maia Alves às 14:31
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Quinta-feira, 8 de Março de 2007

A lenda da Grade de Ouro

A freguesia de Mouriscas é banhada por uma ribeira de nome Ribeira de Arcês, cheia de lendas. Num local chamado Mina da Lapa da Moura existe um fundão chamado Poço da Talha e à volta dele nasceu a lenda da Grade de Ouro.

Reza a lenda que nesta ribeira havia uma grade de ouro deixada pelos mouros quando por aqui passaram. Várias foram as pessoas que a tentaram encontrar, mas todos os esforços foram em vão. Um dia, um certo homem fez-se corajoso e disse a todos que iria buscar a famosa grade.

Depois de muitos esforços e tentativas conseguiu tirar de lá a grade e pô-la às costas dizendo muito orgulhoso à medida que ia subindo o monte: Quer Deus queira quer não queira, a grade já cá vai ao cimo da ladeira.

Ainda não tinha terminado a frase e o homem já assistia a algo espantoso. Desprendendo-se rapidamente das suas costas, a grade começou a rebolar pela ladeira, parando apenas no seu local de origem: o Poço da Talha.

Rita Filipe
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:51
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