Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Festas de Verão - um pouco de história

Como já vimos em artigos anteriores, realizaram-se em Mouriscas à roda dos anos 50 e 60 do século passado grandiosos festejos no lugar das Ferrarias, conhecidos por Festas de Verão. Outras festas se realizavam em Mouriscas no Verão, como a da Senhora dos Matos e a Verbena dos Esparteiros. Também haveremos de falar destas duas, mas, por agora, prestamos atenção às que se realizavam nas Ferrarias e que atingiram grande projecção.

No ano de 1964 a Comissão das Festas de Verão editou uma interessante brochura com o programa dos festejos, que, nesse ano, se realizaram em 6, 12, 13, 19 e 20 de Setembro – um domingo e dois fins-de-semana. Dela transcrevemos o texto seguinte.

--- Um pouco de história e alguns dados estatíticos ---

As Festas de Verão foram criadas por iniciativa da Junta de Freguesia no ano de 1946.

A sua finalidade era não apenas conseguir fundos para os diversos melhoramentos de Mouriscas, mas também proporcionar a todos os mourisquenses, especialmente aos ausentes em Lisboa e outros pontos do País, uma oportunidade para se encontrarem, conhecerem e conviverem num verdadeiro espírito de fraternidade, e ainda fomentar entre todos o amor à terra em que nasceram.

Apenas em 1961 estas festas foram interrompidas por se atravessar nessa altura o período mais agudo da guerra em Angola e ainda em memória do Sr. Professor Matias Lopes Raposo, então Presidente da Junta de Freguesia, e falecido naquele mesmo ano.

À frente das diversas comissões das festas, todos os anos, modificadas com elementos novos, e sempre em íntima e perfeita colaboração com o Pároco da Freguesia, têm estado sempre homens do maior prestígio na nossa terra. Basta lembrar os nomes do Prof. Matias Lopes Raposo, Jesuvino Ferro, Dr. João Gualberto Santana Maia e Francisco Lourenço Grossinho, homens cuja competência, honestidade e interesse pelas coisas de Mouriscas, ninguém, com justiça, pode pôr em dúvida.

Os saldos conseguidos até hoje nas Festas de Verão somam a importância deveras considerável de 225.759$50.

Até 1954 estes saldos, no valor de 119.072$80, foram aplicados em diversas obras da freguesia como: Sede da Junta de Freguesia, Capelas do Cemitério, Capela do Espírito Santo, vários caminhos, fontes, pontes, etc. etc...

Depois de 1954 os saldos no valor de 106.686$70 foram integralmente destinados à construção da Nova Igreja Paroquial.

Estes saldos só por si, que outros motivos não houvesse, justificariam plenamente a continuação destas festas e todos os sacrifícios e algumas incompreensões que elas têm custado.

Não pensam assim todos os bons Mourisquenses?
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:07
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

Oliveira-maravilha

Uma oliveira mourisquense foi recentemente classificada de interesse público. Se não acreditam, leiam a seguinte decisão da Direcção-Geral dos Assuntos Florestais que Maria Manuela Maia Alves descobriu e comunicou a este blogue – o que muito se agradece. AVISO n.º 4/2007 - Freguesia: Mouriscas, Concelho: AbrantesOlea europaea L. var europaea2007-01-02 12:17:30Nos termos do parágrafo único, do Artº 1º do Decreto-Lei nº 28 468, publicado no Diário do Governo, I Série nº 37 de 15 de Fevereiro de 1938, é classificada de interesse público uma árvore da espécie Olea europaea L. var. europaea, vulgarmente conhecida por oliveira, existente no Lugar de Cascalhos, freguesia de Mouriscas, Concelho de Abrantes, cuja localização se indica em excerto de mapa extraído da carta militar, do Serviço Cartográfico do Exército.Carta Militar: Folha 332aviso.jpg Legenda: * OliveiraLisboa, 2 de Janeiro de 2007O Director-Geral(Prof. Francisco Manuel Castro Rego)A árvore que mereceu esta honrosa distinção consta do sítio “Mouriscas – Terra Grande, Terra Nossa” (http//motg.no.sapo.pt) na secção “Fotos”. Foi também objecto dum artigo publicado neste blogue em Agosto de 2005, que, a seguir, se trancreve. A oliveira onde se joga à suecaoliveira.jpgNo lugar de Cascalhos, freguesia de Mouriscas, existe uma oliveira a que ninguém consegue ficar indiferente, devido à sua grandiosidade. Tão velha que todos os habitantes do lugar nasceram conhecendo-a já assim, tão grande que o seu tronco oco pode albergar uma mesa para quatro no jogo da sueca.Actualmente é uma oliveira em terra de ninguém, mas foi muito disputada em tempos passados. Velhos tempos, como recorda Artur Grilo, nascido na freguesia mas cedo emigrado para o Entroncamento.O idoso, hoje com 73 anos, teria uns seis ou sete anos quando viu pela primeira vez a oliveira. Foi quando a avó o levou um dia à cerâmica onde o avô trabalhava para lhe dar a marmita do almoço. A cerâmica, que como muitas outras já desapareceu da terra, ficava a escassos metros da enorme oliveira, que mede mais de cinco metros de diâmetro na base do tronco.Artur Grilo lembra-se de ficar de boca aberta a olhar para a grande árvore e de a avó lhe dizer que quando ela tinha a sua idade já a oliveira era assim, grande e forte. E que o seu tronco oco era aproveitado por algumas pessoas menos escrupulosas, que faziam dali a casa de banho que não tinham em casa.A oliveira manteve-se sempre firme e serena perante os pecados que sobre si eram cometidos. Ainda há umas semanas, o marido de uma prima em terceiro grau de três irmãs supostamente herdeiras da oliveira quis acabar com ela, cortando-lhe o tronco para fazer lenha, a pensar já no próximo Inverno.Mas as gentes da terra alertaram logo o presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas, que não deixou que o homem levasse avante os seus intentos contra a famosa oliveira de ralias.Chama-se assim por ter, há tempos idos, sido ofertada a um santo qualquer, numa promessa que a então sua proprietária fez à igreja, em troca das melhoras de um familiar.Durante séculos foi comum na região as gentes darem oliveiras como promessas aos santos da sua devoção. As oliveiras, chamadas de ralias, ficavam na posse da igreja, e o padre encarregado de mais tarde as vender em leilão.O que criava situações caricatas. Quem comprava, acabava por ser proprietário de uma, duas ou várias oliveiras em terrenos que tinham outros donos. Valha a verdade que isso parece nunca ter gerado problemas de má vizinhança.A oliveira já pertenceu a várias pessoas, mas os donos foram morrendo e perdeu-se o rasto dos herdeiros. O seu porte, envelhecido pelo passar dos anos, continua grandioso e a deixar de boca aberta e olhos arregalados os forasteiros que por ali passam. Hoje, a oliveira de ralia de Cascalhos é de todos e fica em terra de ninguém.Este artigo foi publicado em 14-04-2005 com o título pelo semanário “O Mirante”, que se publica em Santarém e na Chamusca. Agradecemos a “O Mirante” a autorização da transcrição do artigo.A nossa oliveira-maravilha atraiu também a atenção da estação de televisão TVI, que lhe dedicou uma reportagem.
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:27
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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

Festas de Verão (2)

(Continuação)

Nos primeiros anos da década de cinquenta, do programa constavam as célebres “cavalhadas”. Os concorrentes montavam a cavalo e o objectivo era, em corrida, partir um cântaro que estava suspenso numa corda e evitar levar com os cacos ou com o que estava dentro do cântaro, em cima. Dentro dos cântaros havia gatos, cobras, aranhos, água, terra, cinza e outras coisas que era preciso evitar que viessem a cair em cima dos concorrentes.

Outra componente do programa eram os torneios de tiro aos pombos e mais tarde aos pratos, pois não era fácil conseguir pombos em quantidade suficiente. Fizeram-se torneios no Negrelinho, Casal Soares, Campo da Várzea e noutros locais que a minha memória já não consegue recordar. Havia os prémios, normalmente oferecidos para que o lucro saísse reforçado. O “campeão” de Mouriscas nesta disciplina era normalmente o Sr. António Faria.

As gincanas de automóveis, que ocorriam integradas no programa das festas, traduziram de certo modo o desenvolvimento das novas tecnologias ao utilizar o automóvel, cujo uso começava a generalizar-se também como veículo de lazer e descontracção. Havia nestas gincanas verdadeiros momentos em que era patente um conflito de tecnologias quando numa das provas o piloto deixava o automóvel parado no meio da pista e circulava à sua volta, montado num burro, quando conseguia.

O ponto mais alto das festas ocorria pela noite fora: orquestra a tocar, bailarico no dancing, o mais escondido no centro e quanto mais apertado melhor.
Havia também os sorteios da quermesse para os que não dançavam, onde os prémios eram tachos, panelas e bonecas para as crianças. A meio da noite comiam-se umas sardinhas assadas, uns pregos, cachorros, frangos e bebiam-se uns copos e umas cervejas e lá se ia passando a noite em alegre e são convívio. Outros, porém, gozavam a festa passando a noite ao balcão da barraca do vinho e da cerveja a regar as suas mágoas e pela madrugada só a “padiola” ou as suas mulheres os conseguiam levar dali.

Do programa nocturno faziam parte as variedades e neste campo as festas das Mouriscas davam cartas. Actuaram aqui os melhores artistas nacionais e quase em exclusivo, naquela altura: Maria de Lurdes Resende, Eugénia Lima, Luís Piçarra, Yola e Paulo, Paulo Alexandre e muitos outros.

O facto de existirem mourisquenses ligados à rádio e televisão sempre foi uma mais valia para se conseguir trazer aqui os melhores artistas que na altura existiam.

Motivadas pelo prestígio das festas de Mouriscas, outras localidades como o Pego, Rio de Moinhos e mais algumas, começaram de certo modo a competir, procurando trazer também ali o que melhor havia no campo artístico, tendo-o conseguido nalguns casos. Havia assim um certo despique entre as festas das Mouriscas e as de outras localidades.

O fogo de artifício constituído por fogo preso, foguetes de lágrimas e girândolas, constituía também um ponto alto das nossas festas, tanto mais que os dois pirotécnicos da terra, o Sr. Francisco Marques Amante e Filhos e o Sr. José Fernandes Duarte, este ainda entre nós, primavam por nos brindar, com o que de melhor produziam, notando-se até uma salutar concorrência entre ambos

No último dia das festas acontecia sempre um facto muito esperado e que mantinha sempre um certo suspense até ao fim: ”a rifa do carneiro”. Muito antes do início das festas começavam a ser vendidos os bilhetes para a rifa, mas só no último dia era feito o sorteio. O vencedor, quando presente, tinha que conviver com a satisfação de ter ganho o dito, mas com o incómodo de o levar para casa às tantas da noite e normalmente contrariado por ter mudado de dono.


Alberto Grossinho
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:15
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Festas de Verão

Todos os mourisquenses recordam as Festas do Espírito Santo, que mais tarde passaram a ser conhecidas como as Festas de Verão. Aconteciam sempre no mês de Setembro em dois ou três fins-de-semana, no largo das Ferrarias. A justificação para esta data residia no facto de muitos dos mourisquenses residentes fora da sua terra virem quase todos os anos passar ali uns dias das suas férias, nessa altura. As festas vieram a tornar-se mais tarde mais um motivo para essa vinda à terra natal, além do convívio com os familiares e com os conterrâneos. Transformaram-se assim, num acontecimento que promovia a união e convívio entre muitos dos naturais de Mouriscas, na sua terra natal.

Destas festas recordamo-nos da parte religiosa, que constava de uma missa na Capela do Espírito Santo, com procissão e fogaças e da parte lúdica, constituída por algumas actividades desportivas, como as “cavalhadas”, os torneios de tiro aos pombos e aos pratos e as gincanas de automóveis, quando estes começaram a ser mais frequentes. Ainda na parte lúdica, como não podia deixar de ser, havia o baile, as variedades, os comes e bebes e o fogo de artifício. Era, aliás, com a alvorada, que se iniciavam as festas, com todo aquele foguetório, que pelas oito da manhã, ecoava pelos céus de Mouriscas.

Fazia ainda parte do programa, o peditório com uma Banda Filarmónica, que percorria a tocar uma grande parte da freguesia, anunciada pelos foguetes, e com os elementos das Comissão das festas a pedirem às pessoas o seu contributo.

Antes porém do início das festas havia um conjunto de acções que era necessário levar a cabo. Era necessário arranjar a madeira para a armação do recinto, das mesas e das barracas, quermesse e comes e bebes. Esta era pedida, pelos elementos da comissão aos produtores de pinheiros, que na sua maior parte viviam nos casais de Entre Serras e Lercas. Depois havia que colocar no centro do Largo das Ferrarias o pinheiro das festas, o que constituía o primeiro acto oficial. O pinheiro, bastante alto, com uma bandeira na ponta, era o símbolo e o anúncio das festas. Era hasteado, ao fim de uma tarde de domingo em Agosto, com foguetes, alguns garrafões de vinho e um prémio para o “atleta” que, conseguisse subir mais alto pelo pinheiro.

A seguir, era necessário cortar os pinheiros, transportá-los para o recinto e para as serrações e conseguir os voluntários para armar o dancing, as barracas e tudo o mais que era necessário. A maior parte deste trabalho era voluntário, deixando de o ser com o passar dos anos. Todo o saldo das festas era para benefício da freguesia, incluindo o produto da venda da madeira, que no final era leiloada.

Já no primeiro dia da festa, após a procissão, as fogaças dos vários casais eram expostas e iniciava-se o leilão dos bolos e outros produtos oferecidos, como garrafas de azeite, chouriços, cereais e outros produtos da produção caseira. Durante alguns anos as fogaças foram substituídas por carros alegóricos, em cortejo de oferendas. Nestes cortejos incorporavam-se vários carros de bois ou carroças, que eram enfeitados com motivos populares e que transportavam também as ofertas, para serem leiloadas. Recordo-me de um carro alegórico, que no ano de 1951 ou 1952, representava uma eira evocando a malha do centeio. O carro era forrado de palha de centeio e no seu interior estavam quatro”malhadores”, vestidos tipicamente, que com as respectivas “moeiras” malhavam o centeio. Quando o cortejo decorria entre o Casal da Igreja e as Ferrarias, chegaram as mulheres dos “malhadores”, com o almoço e ali se banquetearam todos, representando aquilo que acontecia, nos trabalhos do campo. O trabalho era dirigido pelo “patrão”, que também tinha assento no carro. No ano anterior ou no seguinte, foi encenada uma descamisada sendo o carro todo forrado com camisas de milho, imitando também uma eira, e no seu interior um conjunto de rapazes e raparigas lá iam descamisando as espigas de milho ao mesmo tempo que iam cantando canções populares. Recordo ainda a existência de carros alusivos aos produtos cerâmicos, produzidos em Mouriscas e às oficinas de seiras e capachos.

(Continua)

Alberto Grossinho
publicado por João Manuel Maia Alves às 17:45
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