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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Anexos (2)

13.12.05 | João Manuel Maia Alves
Continuemos a tratar dos anexos que tinham em Mouriscas as casas de outras épocas.

A capoeira dos coelhos era um anexo muito comum. Como o nome indica, destinava-se a servir de habitação aos coelhos, que, por vezes, tinham a companhia dum outro roedor. Tratava-se dum animal conhecido em português por vários nomes, entre eles o de porco-da-índia, apesar de, segundo parece, ser originário do Peru. O porco-da-índia, lindo animal a que os inglês chamam porco-da-guiné, vivia em paz com os coelhos e tinha a mesma sorte – ser comido. Tinha a interessante característica de emitir guinchos quando se aproximavam estranhos.

A capoeira dos coelhos era limpa de tempos a tempos e tinha que ser abastecida de erva com frequência, porque os roedores se reproduzem com muita rapidez e, por isso, havia sempre muitos habitantes.

A capoeira dos coelhos estava colocada acima do chão, em geral debaixo dum alpendre. Tinha, por assim dizer, duas divisões – uma aberta e pública, onde os coelhos viviam durante o dia, e outra fechada e reservada, onde se recolhiam à noite.

Outro anexo muito comum era um compartamento separado ou não do edifício principal conhecido por casita. Era muito, importante. Se calhar, era por ele que devíamos ter começado.

As casas tinham, em geral, amplas cozinhas e chaminés. No entanto, estas eram muitas vezes reservadas, total ou parcialmente, para certas ocasiões, usando-se a casita habitualmente em sua substituição.

Em muitas famílias a comida era preparada na casita. Nalgumas tomavam-se ali as refeições. Noutros casos a comida preparada na casita era consumida na cozinha.

Nalguns casos a cozinha era pouco usada no dia-a-dia. A casita servia para preparar as e tomar as refeições e, mesmo, de lugar de convívio.

A casita podia ser maior ou menor, ter uma função mais ou menos alargada, mas quase sempre existia e tinha importantes funções. Mesmo em ocasiões de reunião familiar alargada, a casita, podia, se, suficientemente grande, servir para tomar as refeições e até mesmo conviver.

A casita tinha fornalhas onde se preparava as refeições com lenha – ainda estava longe o uso, hoje generalizado, do gás. Às vezes tinha um forno. Podia ter cadeiras e mesas. Às vezes era um sítio muito cheio de fumo.

Continuaremos em próximo artigo esta viagem por estes equipamentos do passado.


João Manuel Maia Alves