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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Anexos (1)

14.11.05 | João Manuel Maia Alves
Quem hoje constrói uma casa em Mouriscas pode pensar em dotá-la de alguns anexos. Alguns, mais ricos construirão uma piscina. Muitos não passarão sem uma garagem. Uma grande maioria não dispensará um forno e um local e equipamento para grelhar carne.

Em décadas passadas os anexos considerados importantes, indispensáveis mesmo, eram de outro tipo. Nem todas as habitações tinham as instalações anexas que vamos recordar, mas as que descrevemos encontravam-se com muita frequência.

A pocilga ou cerca do porco era um anexo muito comum. A pocilga era coberta total ou parcialmente por um telhado. Tinha um cubículo com uma entrada estreita aonde o animal podia recolher para dormir. Um chifre de carneiro e uma tosca cruz de madeira não faltavam. Tinham a função de afastar o mau olhado e outras influências maléficas. Por vezes era caiada uma cruz numa parede da cerca. Outras vezes havia um reboco em forma de cruz.

A comida do porco era despejada num “masseirão” – penso que será esta a ortografia mais apropriada – uma grande pedra onde se tinha esculpido uma cavidade. Não havia equipamento para lavar a pocilga ou o porco. Aliás, em geral, a água tinha de ser transportada de poços ou fontes, o que limitava o seu uso. Por isso, a cerca do porco era um sítio bem imundo, o que não incomodava o bicho, porco de nome e de hábitos, nem prejudicava a razão da sua criação, já que só se sujava por fora.

A capoeira das aves era outro anexo muito comum. Destinava-se em geral a galinhas, pelo que em geral recebia o nome de capoeira das galinhas. Às vezes também hospedava patos e perus.

Em geral, a capoeira das galinhas tinha uma porta, que era fechada depois de as aves se recolherem, coisa que elas faziam quando o sol se punha. Essa porta servia de protecção, nem sempre eficaz, contra certos animais como os ginetos que são apreciadores de carne de galinha, a qual obtêm de noite atacando e matando as suas vítimas.

As capoeiras de galinhas tinham em geral um cubículo onde as aves dormiam. As galinhas dormiam nuns poleiros, umas varas colocadas acima do chão onde as aves assentavam as patas. Mesmo durante o sono apertavam os poleiros com força e, por isso, não caíam.

Quando se diz que alguém quer é poleiro, não se pretende dizer que tal pessoa deseja pousar sobre um poleiro dentro duma capoeira. “Poleiro” também significa “posição elevada, de mando, de autoridade”.

Ao contrário de muitos passarões, as humildes galinhas só queriam um poleiro para passar a noite. A posição física elevada dos poleiros dentro das gaiolas e das capoeiras deve ter levado ao sentido figurado da palavra “poleiro”.

Continuaremos a examinar esta questão dos anexos das casas em Mouriscas em épocas passadas.

João Manuel Maia Alves