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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

Registos insólitos

18.10.05 | João Manuel Maia Alves
Antigamente o registo dos baptizados, casamentos e óbitos era feito na Igreja pelos Padres, então chamados Curas ou Parochos. Não era obrigatório.

Os livros de registo paroquiais que se conservaram podem ser consultados na Torre do Tombo, em Lisboa, ou nos Arquivos Distritais, nas sedes de distrito.

Com a implantação da República foi instituído o registo civil obrigatório.

Os baptizados eram considerados legítimos se os pais tinham a situação regularizada perante a Igreja e ilegítimos se os pais não eram casados pela Igreja. Nos registos paroquiais encontram-se também muitos filhos de pais incógnitos.

Noutros tempos, nos anos de mil e oitocentos e anteriores, eram relativamente frequente serem abandonados recém-nascidos que se designavam por Expostos. Nas cidades havia, inclusivamente, locais próprios para abandonar as crianças. Estas atitudes, hoje intoleráveis, eram correntes.

Dos registos paroquiais da freguesia de Mouriscas mostramos dois casos, mantendo a ortografia da altura.

--- Caso de um filho incestuoso, visto pais serem parentes, embora em grau afastado

Rosaria, filha incestuoza de Manoel Lopes e de Maria de Mattos, viúva, ambos do Camarrão, desta Freguesia de Sto. Sebastião, do logar das Mouriscas, Concelho e Arciprestrado de Abrantes, Byspado de Castelo Branco, nepta via paterna de Marcos Lopes e de Maria Pires, ambos do Camarrão, desta Freguesia, e via materna de Domingos Pires e de Luiza de Mattos ambos do Camarrão desta freguesia, nasceo no dia quatro de Agosto de mil oitocentos e quarenta e dous, e foi baptizada solenemente pelo Parocho abaixo assignado no dia oito do mesmo mês e ano e legitimada pelo subsequente Matrimónio depois de dispensados em terceiro e quarto grau de consanguinidade no dia vinte de Novembro do mesmo ano supra, forão padrinhos José Diniz, solteiro, do Outeirinho desta Freguesia e Nossa Senhora do Rosário, porque tocou na Pia Baptismal em honra de Nossa Senhora Joana dos Santos, solteira, forão testemunhas Manuel Ferreira, sacristão, e João Mendes do Casal da Igreja todos desta freguesia de Sto. Sebastião, do logar das Mouriscas, concelho e arciprestado de Abrantes, Byspado de Castelo Branco e para constar fiz este termo no ano dia e mês supra.
O Parocho………..Vicente Mendes Mirrado
As testemunhas….Manuel Ferreira
João + Ferreira

--- Caso do baptizado de uma Exposta (abandonada) nas Casas Novas

No dia dous de Dezembro de mil oitocentos e trinta e seis appareceo huma exposta nas Casas Novas, por se achar em perigo de vida foi baptizada particularmente por Luís Dias Serras das Casas Novas, desta fregª de Sto. Sebastião das Mouriscas, termo e Arciprestrao da Villa de Abrantes, Byspado de Castelo Branco, e todas as mais cerimónias se celebrarão na forma do Ritual Romano pelo Cura abaixo assignado nesta Parochial Igreja de Sto. Sebastião das Mouriscas no dia quattro do mesmo mês de Dezembro e anno de mil oitocentos e trinta e seis e forão testemunhas Francisco de Mattos dos Xaroeiros a Maria dos Santos do Casal da Igreja, todos desta freguesia de Sto. Sebastião das Mouriscas, termo e Arciprestado da Villa de Abrantes, Byspado de Castelo Branco, declaro que a Exposta se chama Maria, e para constar fiz este termo no dia, mês e ano supra.

O Cura…………….Vicente Mendes Mirrado
As testemunhas….Francisco de Mattos
Maria dos Santos


Autor deste artigo: Augusto Maia Alves

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