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MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

MOURISCAS - TERRAS E GENTES

Criado em 2004 para falar de Mouriscas e das suas gentes. Muitos artigos foram transferidos doutro espaço. Podem ter desaparecido parágrafos ou espaços entre palavras, mas, em geral, os conteúdos serão legíveis e compreensíveis.

A oliveira onde se joga à sueca

17.08.05 | João Manuel Maia Alves
oliveira.jpgNo lugar de Cascalhos, freguesia de Mouriscas, existe uma oliveira a que ninguém consegue ficar indiferente, devido à sua grandiosidade. Tão velha que todos os habitantes do lugar nasceram conhecendo-a já assim, tão grande que o seu tronco oco pode albergar uma mesa para quatro no jogo da sueca.Actualmente é uma oliveira em terra de ninguém, mas foi muito disputada em tempos passados. Velhos tempos, como recorda Artur Grilo, nascido na freguesia mas cedo emigrado para o Entroncamento.O idoso, hoje com 73 anos, teria uns seis ou sete anos quando viu pela primeira vez a oliveira. Foi quando a avó o levou um dia à cerâmica onde o avô trabalhava para lhe dar a marmita do almoço. A cerâmica, que como muitas outras já desapareceu da terra, ficava a escassos metros da enorme oliveira, que mede mais de cinco metros de diâmetro na base do tronco.Artur Grilo lembra-se de ficar de boca aberta a olhar para a grande árvore e de a avó lhe dizer que quando ela tinha a sua idade já a oliveira era assim, grande e forte. E que o seu tronco oco era aproveitado por algumas pessoas menos escrupulosas, que faziam dali a casa de banho que não tinham em casa.A oliveira manteve-se sempre firme e serena perante os pecados que sobre si eram cometidos. Ainda há umas semanas, o marido de uma prima em terceiro grau de três irmãs supostamente herdeiras da oliveira quis acabar com ela, cortando-lhe o tronco para fazer lenha, a pensar já no próximo Inverno.Mas as gentes da terra alertaram logo o presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas, que não deixou que o homem levasse avante os seus intentos contra a famosa oliveira de ralias.Chama-se assim por ter, há tempos idos, sido ofertada a um santo qualquer, numa promessa que a então sua proprietária fez à igreja, em troca das melhoras de um familiar.Durante séculos foi comum na região as gentes darem oliveiras como promessas aos santos da sua devoção. As oliveiras, chamadas de ralias, ficavam na posse da igreja, e o padre encarregado de mais tarde as vender em leilão.O que criava situações caricatas. Quem comprava, acabava por ser proprietário de uma, duas ou várias oliveiras em terrenos que tinham outros donos. Valha a verdade que isso parece nunca ter gerado problemas de má vizinhança.A oliveira já pertenceu a várias pessoas, mas os donos foram morrendo e perdeu-se o rasto dos herdeiros. O seu porte, envelhecido pelo passar dos anos, continua grandioso e a deixar de boca aberta e olhos arregalados os forasteiros que por ali passam. Hoje, a oliveira de ralia de Cascalhos é de todos e fica em terra de ninguém.Este artigo foi publicado em 14-04-2005 com o título pelo semanário “O Mirante”, que se publica em Santarém e na Chamusca. Agradecemos a “O Mirante” a autorização da transcrição do artigo.A nossa oliveira-maravilha atraiu também a atenção da estação de televisão TVI, que lhe dedicou uma reportagem.