Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Chuva de estrelas nas festas do Espírito Santo

O que se segue, numa cor diferente, é uma transcrição da brochura que a comissão das festas do Espírito Santo de 1964 elaborou.

AS FESTAS DE VERÃO e os seus Programas de Variedades

Nem sempre tem sido possível trazer às nossas Festas a atuar nos seus programas de variedades os artistas desejados. Uns, por impossibilidade de se deslocarem nas datas exigidas, outros, por se tomarem incomportáveis para nós os honorários exigidos. Apesar disso, Mouriscas teve já oportunidade de ver e ouvir, através dos Programas, alguns dos maiores artistas da Rádio, T.V. e Teatro e alguns dos melhores agrupa­mentos folclóricos do País. Eis alguns dos que nos lembramos:

Maria de Lourdes Resende
Eugénia Lima
Maria de Fátima Bravo
Anita Guerreiro
Mimi Gaspar
Simone de Oliveira
Gina Maria
Alice Amaro
Maria Candal
Marina Neves
Lina Maria
Maria Cândida
Leónia Mendes
Cidaliza do Carmo
Estela Alves
Maria Fernanda Soares
Maria Helena Silva
Maria Eduarda
Cândida Viana
Fernanda Paula
Helena Moreira Viana
Fernanda Guerra
Rui de Mascarenhas
Tristão da Silva
Luís Piçarra
Max
Tomé de Barros Queirós
Manuel Fernandes
Artur Ribeiro
Loubet Bravo
Paulo Alexandre
Carlos do Nascimento
Humberto de Castro
Hélder António
Silva Tavares
Miguel Simões
Carlos Lacerda
João Viegas
Fernando Ribeiro
Vitorino Matono
Carlos Areias
Jerónimo Bragança
João Aleixo
Raul Nery
José Nunes
Júlio Gomes
Yola e Paulo
Adoración e José Luís
Pilarim Santana
Rancho “Tá-Mar” da Nazaré
Rancho Folclórico da C. P. do Cano
Rancho Folclórico do Cartaxo
Rancho Folclórico de T. Novas
Rancho Folclórico de Riachos
Rancho Infantil de Almeirim
Orquestra Típica Albicastrense.

Estes nomes pouco dirão às gerações atuais. No entanto, deles constam grandes nomes da rádio e do espetáculo, como, por exemplo:

  • Acordeonistas como Eugénia Lima e João Aleixo;
  • Cançonetistas como Maria de Lourdes Resende, Maria de Fátima Bravo, Mimi Gaspar, Maria Fernanda Soares, Tristão da Silva, Rui de Mascarenhas, Artur Ribeiro, Luís Piçarra e Paulo Alexandre;
  • Fadistas como Manuel Fernandes e Loubet Bravo;
  • Tocadores de guitarra e viola como Raul Nery e Júlio Gomes;
  • Bailarinos como Yola (espanhola que fez furor) e Paulo e
  • Apresentadores como Miguel Simões e Carlos Lacerda.

De nomes que faltam na lista recordo Joaquim Cordeiro, fadista humorístico, e a cançonetista Ilda Artur, que penso que foi acompanhada ao piano pelo compositor Nóbrega e Sousa, seu tio ao que julgo.

Alguns artistas visitaram-nos várias vezes. Foi o caso de Maria de Lourdes Resende, que foi rainha da rádio e a quem alguns chamavam a feia-bonita.  Aliás, um das suas canções aludia à sua falada feiura. Esta cançonetista cantou nas festas quatro anos seguidos.

Tristão da Silva cantou duas vezes no mesmo ano. Da primeira pouca gente o ouviu por causa de chuva intensa. Voltou, sem pedir muito dinheiro. Convidou para padrinhos dum filho que ia nascer o Dr. Santana Maia, grande animador das festas, e a esposa, D. Cremilde. Tristão da Silva cantava magnificamente, mas afligia ouvi-lo agradecer os aplausos porque sofria de forte gaguez. Nesta foto vemos Tristão da Silva e o Dr. Santana Maia.

Um dos artistas que nos visitou foi Luís Piçarra, um cantor com uma potente voz imortalizada por cantar o hino do Benfica. Numa noite de magia e encanto cantou várias peças do seu repertório e uma ária do Barbeiro de Sevilha, ópera que se interpreta em geral  com acompanhamento duma grande orquestra e num ambiente solene, bem diferente do duma festa popular. O artigo anterior deste blogue é dedicado a essa noite fabulosa.

Penso que os primeiros artistas da rádio a atuar nas festa do Es pírito Santo foram a  acordeonista Eugénia Lima e os cançonetistas Rui de Mascarenhas e Paulo Alexandre, em 1954. Nessa altura Mouriscas não tinha luz elétrica, havia muito poucos rádios, que funcionavam com baterias que se tinham de carregar no Tiago Faria. As pessoas tinham oportunidades reduzidíssimas de ouvir as grandes vedetas da rádio ou mesmo de ouvir música. Claro que também assistiam às festas mourisquenses com empregos de colarinho branco, como se diz hoje, que viviam na cidade e já ouviam rádio, mas na sua maioria os mourisquenses trabalhavam a terra ou entregavam-se a atividades artesanais, trabalhando o dia inteiro e sem eletricidade e rádios. As festas eram, assim, uma oportunidade para ouvir vedetas de que poucos tinham ouvido falar ou tinham escutado.  Os artistas traziam uma importante contribuição a festas que proporcionavam convívio e divertimento a toda a população mourisquense, duma ponta a outra da freguesia, e que atraíam inúmeros visitantes.

A presença de numerosas e talentosas estrelas da rádio conferiu alto nível artístico a muitas noites das festas do Espírito Santo, que se realizavam em Setembro. Quem teve a felicidade de assistir não esquece!

 

 

Autor: João Manuel Maia Alves 

publicado por João Manuel Maia Alves às 16:51
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3 comentários:
De zaphia a 13 de Dezembro de 2012 às 11:42
A Ilda Artur era cunhada do maestro Nóbrega e Sousa.
Vive na Madeira.:)





De António Carvalho a 6 de Setembro de 2013 às 23:32
Agradeço que me informe a propósito de um vídeo no youtube de Tristão da Silva com a canção: "AQUELA JANELA VIRADA PRÓ MAR" e que em rodapé diz o seguinte: "Esta linda canção de Tristão da Silva, cuja letra foi escrita por ele próprio na prisão, por ser contra o regime fascista de Salazar". Confirma ou não corresponde?

Agradeço antecipadamente a sua informação com o meu muito obrigado.

Com os meus cumprimentos,

António Carvalho



De João Manuel Maia Alves a 7 de Setembro de 2013 às 08:05
Não faço ideia.


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