Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

Entrevista com o Dr. João Santana Maia

Em 11 de setembro de 1977 Mouriscas prestou uma merecida e sincera homenagem ao Dr. João Santana Maia. No mês seguinte, o jornal O MOURISQUENSE, que então se publicava, inseriu nas suas páginas uma entrevista com o homenageado. Vale a pena ler essa entrevista, abaixo transcrita com adaptação à nova ortografia, pelo que revela da história dum homem, duma época, da "Universidade Ferroviária de Mouriscas", do Colégio Infante de Sagres e de Mouriscas. Esta entrevista deve ser preservada para memória futura, pelo que será também incluída na página Mouriscas – Terra Grande, Terra Nossa, em </font>http://motg.no.sapo.pt/002.htm.

MOURISCAS ESTEVE EM FESTA na homenagem ao seu médico DR. JOÃO SANTANA MAIA

Homenagem_o_Dr. S_Maia_1.jpg

O dia 11 de setembro de 1977 é uma data que vai ficar nas recordações das gerações Mourisquenses presentes e futuras. Não uma data como qualquer outra. Uma data que faz recordar a vida, o espírito e o contributo dado ao seu nível cultural, prestado por um homem chamado João Santana Maia.

Homenagear um homem como João Santana Maia é seguir a sua verticalidade e os seus exemplos avançados como Mourisquense. É acima de tudo empenharmo-nos na continuação dos ensinamentos e obras por si legados.

Em homenagem ao Mourisquense Dr. João Santana Maia passamos a transcrever parte de uma entrevista concedida pelo próprio:

— Quais as dificuldades sentidas pelo Sr. Dr. durante a sua vida de estudante, nomeadamente aquando da frequência do ensino superior?

— Bem. Quanto a dificuldades devo dizer que as dificuldades que senti não foram dificuldades quanto a estudo mas dificuldades quanto às condições da família para eu me manter em Coimbra. Até posso acrescentar que no meu 7.º ano, não havendo recursos da parte da minha família para estudar em Coimbra eu fiquei em Mouriscas a trabalhar todo o ano ao lado do meu pai, em serviços agrícolas. Ele era um pequeno proprietário. Sem uma explicação de ninguém consegui tirar o 7.º nesse ano. No princípio do ano seguinte convenci o meu pai a arranjar uns patacos para comprar os livros que eu entendia que me faziam falta. No fim do ano eu, julgando-me habilitado a fazer o 7.º ano, mais uma vez convenci o meu pai, apesar dos seus magros recursos económicos, a ir a Coimbra fazer exames. Fui. E a verdade é que cheguei a casa aprovado no 7.º ano com 17 valores. É certo que a minha família sentia grandes dificuldades mas lembro-me muito bem que nesse Verão o meu tio, Padre Martinho Lopes Maia, então residente em Elvas, veio cá e ouvi-lhe dizer a meu pai (eu ouvi-lhe esta conversa): «Oh! Severino, porque meu pai chamava-se Severino, o João deu-nos uma lição de tal envergadura que para o João não pode faltar dinheiro. E assim foi. No ano seguinte, enfim, com muitas dificuldades, com a colaboração de meu pai e desse meu tio que estava então a pagar o curso de Direito a meu irmão António que está em Ponte de Sor, com a colaboração do meu irmão que está em Abrantes, o Dr. Manuel, fui para Coimbra. Mas fui para Coimbra, sempre no meio de grandes dificuldades.Foi por isso e, então em conselho de família, resolveram, para que o sacrifício não se arrastasse por muitos anos, eu ser matriculado nos preparatórios da Escola Naval (que era um ano) e no ano seguinte admitiam a hipótese de entrar na Escola Naval. E assim foi: eu matriculei-me nos preparatórios da Escola Naval e como esses preparatórios eram de três cadeiras, Física Geral, Desenho Rigoroso e Álgebra Superior, eu entendi que isso era pouco e matriculei-me em mais três cadeiras, ou seja, Desenho Topográfico, Geometria Descritiva e Química Geral, mais três do que as precisas para concorrer à Naval. No ano seguinte lá vou eu concorrer à Naval, mas calhei a concorrer num ano em que havia 36 correntes para 8 vagas. Caso é que a 1.ª prova a sermos submetidos era a inspeção física e, como toda a gente sabe, uma mentira de um médico custa muito a destruir, a verdade é que naquela inspeção física apenas passaram 8. Soube mais tarde, por intermédio do capitão-de-mar-e-guerra Joaquim Marques Esparteiro (1), que era já oficial da Armada, particularmente, que os médicos tinham posto no exame médico que me fizeram que eu tinha o coração descido. Felizmente tenho tido bastante saúde com o trabalho que tenho tido e o coração sempre foi normal. Não tinha nada! O que era preciso era eliminar-me, porque não tinha as cunhas necessárias Bem, aborrecido com isto tudo e sabendo as dificuldades que a família atravessava para eu continuar em Coimbra, eu lembro-me bem que ainda perguntei ao Dr. Francisco Agudo (2), que nesse ano tinha concluído a sua licenciatura em matemática, como é que os liceus estavam quanto a professores de Matemática e Físico-Química. Porque eu gostaria muito de tirar um desses cursos. Em 1.º lugar matemática, em 2.º físico-química.Como os liceus nesse tempo era muito poucos no país, os liceus estavam superlotados e havia muitos professores a espera de vaga. E então o Dr. Francisco Agudo aconselhou-me a que não seguisse a carreira do magistério secundário. E foi nessas condições que eu disse: Bem ir agora concorrer â escota de guerra pode-me suceder o mesmo, ir para o magistério secundário não. Porque depois não tenho vaga. Ir para o curso de engenharia, nesse tempo o curso de engenharia era meramente honorífico. Nessa altura nós não tínhamos fábricas e empresas no país que recebessem engenheiros. Bem, vou tirar o curso de Medicina, não porque esteja descontente com o meu curso, pelo contrário, eu gosto do meu curso, mas em boa verdade eu tenho de dizer que o curso que gostaria de ter tirado era o curso de matemática.

— Quais os motivos que o levaram a fixar-se em Mouriscas, quando se diz que teve outras ofertas, como, por exemplo, assistente (3) da Faculdade de Medicina de Coimbra?

— Bem. Tive várias ofertas. Logo que me formei se eu quisesse teria ficado assistente da faculdade de Medicina de Coimbra. Mas nunca gostei de andar vergado ao pé de ninguém, devo dizer, gostei sempre de andar de espinha erguida e eu via nesse tempo que os assistentes quando o professor catedrático ia a entrar para o seu carro particular o assistente tinha que se descobrir, tirar o chapéu, abrir a porta ao professor e então o professor entrava. Quero dizer naquela altura o assistente era assim uma espécie de lacaio do professor. Ora eu nunca gostei de situações dessa natureza. Eu gostei sempre de ser uma pessoa independente, ter a minha capacidade de decisão e nunca estar assim nessa situação de servilismo. E por essa razão não aceitei. Devo dizer também que uns dias antes de me formar, eu formei-me no dia 10-11-1932, recebi uma carta em Coimbra do então presidente da Câmara de Abrantes, Henrique Augusto da Silva Martins, a oferecer-me o partido (4) de Rio de Moinhos que estava vago na altura. Devo dizer que, como andava embrulhado com o último exame que tinha de fazer, não cheguei a responder ao Presidente da Câmara. Mas a verdade é que quando eu vinha a caminho de Mouriscas, no dia 13-11-1932 e estava na estação de Abrantes uma deputação da Câmara Municipal de Abrantes constituída, lembro-me muito bem, por França Machado, Josué Gonçalves e João Alves Ferreira, a instarem novamente comigo para ir como médico, para Rio de Moinhos. Eu simplesmente lhes disse: Agradeço a oferta mas já de há tempos resolvi fixar-me na minha terra e é para a minha terra que eu vou. E foi assim que a coisa acabou. E vim para Mouriscas e depois é claro... O que se seguiu enfim posso dizer mais adiante.

— Alguma vez pensou dedicar-se ao ensino quando da sua fixação cá?

— Sobre isso eu vou dizer que sempre gostei do ensino mesmo em estudante. Não só por gostar de ensinar mas para conseguir uns patacos para gastar durante as férias grandes. Eu juntava-me com outra estudantada daqui e ia para as festas do Sardoal, dos Valhascos e para a de Alvega que nesse tempo era festa de grande monta aqui no nosso meio. Isso implicava, é claro, com uns tostões que se tinha de gastar. Era o que fazia durante o ano não só para gastar, mas também para amealhar uns patacos para gastar nas férias grandes. A verdade é que durante a maior parte do tempo de estudante eu tive sempre explicandos, porque de facto gostava de explicar. Quando vim para Mouriscas eu não sabia como é que a vida se ia processar, eu não pensava no ensino. Eu vim para Mouriscas apenas com intenção de aqui praticar Medicina. Mas, é claro, vim a namorar a minha mulher e, é claro, vim a casar com ela. O meu sogro nessa altura já costumava ter uns alunos do 3.º ano do liceu e já dava umas explicações para o caminho de ferro aqui das Mouriscas. Em dada altura começou a aparecer mais pretendentes especialmente ao ensino para o caminho de ferro. O meu sogro, lembro-me muito bem, a nenhum disse que não e lá começou ele a explicar aquilo tudo. A matemática, a geografia, o Português, explicava isso tudo. Mas, como meu sogro estivesse assoberbado com serviço, eu fui e tomei conta dos rapazes, dos explicandos dessa ocasião para lhes dar a matemática que era precisa para o caminho de ferro, que é mais ou menos o equivalente à aritmética do então 1.º e 2.º ano do liceu. Mas devo dizer, nunca o meu sogro me puxou para o auxiliar nesse serviço mas eu, por entender que gostava de praticar esse serviço e porque me sobejava algum tempo da clínica, auxiliava-o. Lá começámos a trabalhar e então as coisas seguiram tal incremento que a frequência para o caminho de ferro chegou a ser muito grande aqui em Mouriscas. Passaram-nos aqui rapazes de todo o País, desde Lousado até São Bartolomeu de Messines. Geralmente a habilitação para o caminho de ferro fazia-se em três meses. E então uns iam entrando, outros iam saindo. Enfim passaram aqui muitos centos de rapazes que a maior parte hoje são chefes e até alguns já reformados não só da freguesia mas também da maior parte do País.Por exemplo aqui desta zona de Belver, zona do Vale dos Prazeres, da Beira Baixa. Chegaram a vir rapazes da Guarda, tivemos alunos dos arredores de Coimbra, etc.. E agora é interessante porque é que o curso se tornou conhecido e vinham aqui ter alunos de todos os lados. Ora sucedia que em muitas terras havia um ou outro rapaz que pretendia concorrer a fator dos caminhos de ferro. Então lá arranjava qualquer ferroviário conhecido ou recomendar o júri que ia examinar esse rapaz. O curso tomou tal proporção, tornou-se de tal maneira conhecido no Pais que o júri que examinava esses rapazes tinha tanta confiança nos rapazes que eram habilitados aqui, a ponto de a escola aqui passar a ser conhecida no meio ferroviário como a Universidade Ferroviária de Mouriscas. De maneira que qualquer ponto do país que queria uma recomendação para passar nesse exame de admissão aos caminhos de ferro vinha a Mouriscas. Eu posso-me interessar mas é conveniente ir a Mouriscas tirar a aprendizagem. Pois apareciam rapazes de todo o País. Pois até devo dizer que a certa altura os caminhos de ferro fecharam os concursos e ficaram-nos aqui muitos rapazes, digamos represados.Então pediram-me a mim e ao meu sogro para os levarmos até ao 3.° ano, para não perderem alguns conhecimentos que já tinham do 1.º ciclo dos liceus. E nós acedemos. Mesmo os rapazes que tinham pedido para o 3° ano dos liceus no outro ano pediram-nos para os levar até ao 6.° ano dos liceus. Nesse tempo os ciclos do liceu eram 3.º, 6.º e 7.°, e então lá seguimos com uma levada de rapazes até ao 6.° ano. É claro que o curso dos caminhos de ferro já estava muito conhecido em todo o País, através desses rapazes que aqui estavam doutras terras. Ficou a ser conhecido em muitas partes do País que aqui também se habilitava até ao 6.º ano. E foi assim que vieram para aqui rapazes para o liceu também, praticamente de todo o País. E foi assim que nasceu o colégio.

— Acha que o ensino a que se dedicou, no tão conceituado Colégio Infante de Sagres, o impossibilitou de progredir ainda mais tempo no Campo da Medicina?

— Aí por 1938 o colégio já dava um bocado de trabalho é certo, mas até nem sequer legalizado estava. Foi legalizado em 1948. Isto funcionava como um curso meramente particular e então por volta de 1938 eu pensei em especializar-me em Oftalmologia, ou seja, doenças, dos olhos. E para tal eu tencionava ir aí umas duas ou três vezes por semana a Lisboa indo e regressando no mesmo dia a Mouriscas. Para depois quando conseguisse a especialidade abrir consultório em Abrantes. Com dois ou três dias por semana conforme o necessário e o resto dedicava-o a Mouriscas, mas mantendo a minha residência em Mouriscas. Mas a verdade, é esta. Em 1939 rebentou a guerra — a 2.ª Guerra Mundial — e então começou a haver dificuldades nos transportes, daqui para Lisboa e ida e volta. Os comboios começaram a deixar de ter horários e as locomotivas que eram acionadas a carvão começaram a andar a lenha (comboios muito mais morosos). Automóvel, nem pensar nisso, porque começou a não haver gasolina e os automóveis eram movidos a gás pobre (gasogénio). De maneira que um indivíduo que daqui saía para Lisboa de comboio ou automóvel nunca sabia quando lá chegava ou quando podia voltar a casa.Nessas condições pus a ideia de parte quando a guerra rebentou, perante as dificuldades que tinha em ir a Lisboa para que quando a guerra acabasse e os transportes melhorassem eu realmente frequentar em Lisboa o Instituto Gama Pinto, de mais nomeada, em olhos, que tínhamos e ainda continuamos a ter, para depois de ter essa especialidade poder consultar em Abrantes. Nunca deixando Mouriscas e aqui mantendo a residência oficial. Eu tencionava ser clínico geral em Mouriscas e especialista dos olhos em Abrantes. Entretanto a guerra decorre de 1939-45, e é precisamente durante esse período que o colégio tomou grande incremento e então a verdade é que quando a guerra acabou - 1945 - já o colégio me absorvia tanto tempo que eu cheguei à conclusão, que ou o colégio ou especialista de olhos. Para os dois não tinha tempo para isso e então optei pelo ensino e pelo desenvolvimento do colégio. Até devo dizer, que é interessante, que antes de encetar as minhas idas a Lisboa (1938) que até comprei livros muito bons de Oftalmologia, estudei-os para não ter que aprender tudo em Lisboa. Quando chegasse a Lisboa já saber em teoria muito dessas doenças. Aliás, que bastante proveito tenho tirado disso, pois tenho tratado muitos doentes de olhos baseando-me nesse estudo que fiz nessa altura e que se não o tivesse feito ser-me-ia impossível tratar algumas doenças de olhos.

— Como encarou aquela que o povo achou tão merecida festa ao seu médico?

— Bem a esse respeito eu entendo que a freguesia nada me devia, porque o que fiz pela freguesia como Mourisquense que sou, eu tomo-o não como um devaneio, mas sim como uma obrigação. E acho que é isso que compete fazer a todos os Mourisquenses — trabalhar para bem da nossa terra.

Em boa verdade eu entendia que a freguesia nada me devia e que se entendesse, repito, que a freguesia alguma coisa me devia eu quero esclarecer que a festa que a freguesia me fez pagou, ou pagaria, com grande vantagem, com grande superavit, todo o esforço que eu fiz por ela. A maneira como eu encarei a festa devo dizer que excedeu toda a minha expectativa e fiquei profundamente sensibilizado e que realmente essa festa me marcou para o resto da minha vida.

Homenagem_Dr._ S_Maia.jpg

Foto da homenagem ao Dr. Santana Maia

— Não acha o sr. Doutor que houve esquecimento por parte da Comissão Organizadora da festa de homenagem no tocante à informação da realização da dita festa, já que muitos dos seus ex-alunos espalhados pelo país com toda a certeza estavam vivamente interessados em nela participarem?

— Bem. Eu estou convencido que muitos alunos teriam aparecido, é claro, não todos evidentemente mas uma grande parte dos alunos que por aqui passaram, embora não sendo de Mouriscas e até muitos de Mouriscas ficaram com pena de não serem informados. Houve certamente portanto aí um tanto ou quanto falta de publicidade o que me leva a tirar esta conclusão, em grande parte depois da festa, é o facto de ter estado a receber muitas cartas de amigos, de alunos, de conterrâneos. Lastimando uns por não poderem, por motivo de saúde, por qualquer motivo particular alegando como motivo, o facto de não terem vindo, o facto de não terem conhecimento da festa a tempo de poderem vir. De maneira que a festa contaria com mais umas boas pessoas se de facto tem havido urna publicidade à altura. Ainda no dia anterior ao da festa, no Placar do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, estava afixada a festa para dia seguinte. E eu soube isso por um aluno que aqui esteve, um aluno das Galveias. Apenas no dia antes tinha tido conhecimento da festa e que o teve através do Placar do Hospital. Que não podia vir porque tinha exame na 2.ª'-feira, dia 12-9-77, lastimando não poder estar presente.Pois realmente toda a festa revestiu uma beleza que não se pode descrever, ou para mim é impossível descrever, pena foi que tivesse falhado uma pequena coi-sa mas de grande interesse, que foi a questão da aparelhagem sonora, as condições acústicas eram muito más. A aparelhagem sonora não estava na altura a satisfazer as necessidades de momento ou teria sofrido qualquer avaria (a verdade é que foi uma lacuna muito grande que houve na festa), de forma que toda a gente estivesse informada e ouvisse os discursos, alguns deles bastantes brilhantes que se proferiram ali no largo da Igreja. Mas enfim, já não há remédio.

— No programa elaborado pela comissão organizadora escrevia-se que «prováveis lucros da festa seriam distribuídos conforme desejo do homenageado». Se por acaso esses lucros existirem já pensou onde empregá-los?

— Eu já pensei nesse assunto e sobre o mesmo o que pensei de momento até já disso Informei o Presidente da Junta, que, se houver saldo, esse saldo seja entregue à Junta de Freguesia para ela o administrar e gastar onde entender que o deve fazer. No entanto quero manifestar um desejo, não uma imposição à Junta. Se houver saldo, gostaria que fosse gasto num parque infantil no terreno que pertence atualmente à Câmara Municipal de Abrantes que fica a Norte da Igreja. Esse terreno está desaproveitado, por isso, fazer aí um pequeno parque infantil — uns baloiços, uns escorregas, enfim umas coisas. Depois, admitindo que o saldo que sobejava desse parque, povoar o jardim que está em frente da Igreja, que também é propriedade da Câmara, com uns bancos, não de madeira, mas bancos de pedra. De vez em quando as pessoas mais idosas vão ali passear e desejam repousar. E, ainda, admitindo por hipótese que de tudo isto venha a sobejar algum dinheiro, que a Junta iluminasse convenientemente o jardim que se encontra em frente. Eu sei muito bem que essa iluminação ficou a cargo da Câmara Municipal de Abrantes quando a Comissão Fabriqueira da Igreja deu o terreno, à Câmara, para não pagar escritura evitando essa despesa, com a obrigação de a Câmara fazer a respetiva iluminação. O ajardinamento foi feito mas a iluminação é que a Camará nunca fez e naturalmente nem vem a fazer. Em terceira hipótese fazer a eletrificação do jardim que a expensas da Câmara nunca teremos o jardim iluminado.

— Pensa continuar como sempre fez ao povo de Mouriscas?

— Quando eu falei na festa tive ocasião de dizer que nada mais tinha para oferecer à freguesia senão o resto da minha vida e então é isso que tenciono fazer. Suponho que nesta expressão tão rápida fica dada a resposta à pergunta.

Notas:

(1) Na verdade, Joaquim Marques Esparteiro atingiu o posto de contra-almirante, cargo a que corresponde normalmente a designação e o tratamento de almirante.

(2) Francisco Dias Agudo, nascido nos Engarnais Cimeiros, foi reitor do Liceu Gil Vicente e do Liceu Pedro Nunes. Foi autor de livros de matemática para o ensino secundário. Teve um papel importante no ensino da matemática em Portugal.

(3) Assistente é no ensino superior um docente adjunto do professor catedrático, encarregado das aulas práticas ou teórico-práticas (Fonte: Porto Editora)

(4) Partido é um termo antiquado que designa a área onde o médico, remunerado pelo município, tem obrigação de prestar assistência e também a remuneração recebida por essa assistência (Fonte: Porto Editora)

publicado por João Manuel Maia Alves às 14:14
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