Domingo, 11 de Abril de 2010

Mouriscas (S. Sebastião) - Sua origem, seu povo (3)

O texto que se segue, do Prof. Matias Lopes Raposo, trata do povo de Mouriscas. Dá continuação aos dois textos anteriores, fazendo os três parte de artigo publicado no começo da década 1951-1960 em “Abrantes – Cidade Florida” e em “Abrantes – Notas Históricas”.Neste texto o autor diz que Mouriscas marchava à frente quanto a instrução. Matias Lopes Raposo, mourisquense, e sua mulher, Maria Amélia Moreira, natural de Vila Fernando, perto de Elvas, foram em grande medida responsáveis por essa situação.
m_raposo - m_amelia.JPGMaria Amélia Moreira e Matias Lopes Raposo
Até aqui, lenda entretecida com história. Agora, realidade: o povo com os seus defeitos e as suas virtudes. O povo é trabalhador, perseverante. Dedica-se, em parte, à vida agrícola. Mas vai enveredando por ocupações que lhe são mais simpáticas e talvez mais remuneradoras: o lugar público e o ofício. Porque a Agricultura é a arte de empobrecer alegremente, segundo se diz, e parece que se vai confirmando, o povo de Mouriscas está invadindo o ramo oficinal quase por toda a parte, mas trabalha no Continente, principalmente.A emigração é pequena - quer para o Brasil, quer para as nossas Províncias Ultramarinas.O defeito do Mourisquense é um defeito desculpável e humano: defeito de pessoa que gosta de ter personalidade, de dar ordens, de subir.Mas gosta de subir pelo seu esforço próprio - sem acotovelar ninguém.Geralmente lança-se sozinho no mar encapelado da vida. O único esteio a que se ampara é a sua tenacidade e inteligência. E assim, lá vai singrando e subindo na escala dos valores.Gente humilde, gente pobre, mas que abre brecha em todos os lugares da representação nacional.O trabalho é a sua coroa de louros, como na velha Grécia o ramo da oliveira era o símbolo do triunfo para os campeões dos Jogos Olímpicos.E, para confirmar esta asserção, basta saber-se que sendo Mouriscas ainda há 40 anos uma terra de analfabetos, é hoje das que mais valores conta no campo das letras, pois tem filhos seus nos mais altos postos da intelectualidade portuguesa. E noutros lugares de destaque também.Do que a freguesia vale no campo comercial e industrial, basta compulsar as páginas que vão seguir-se e que dizem melhor e são mais elucidativas do que eu aqui pudesse dizer.À guisa de fecho, acrescentarei ainda que Mouriscas tinha, pelo recenseamento de 1940, 1.258 habitantes.Pelo último acusa um pequeno aumento de população: apenas 105 habitantes.Isto é devido à emigração que nos últimos anos se tem acentuado. Como a terra é pouca embora produtiva, e aqui escasseie a grande indústria, o Mourisquense, já porque tem espírito de aventura, já porque gosta de viver com desafogo, emigra agora mais.Também a natalidade tem decrescido nos últimos anos, sintoma não só de dificuldades económicas, mas também pela quebra da moral austera que até há pouco era característica dos meios pequenos e, agora, até nesses isso vai faltando.Sinal dos tempos!No capitulo instrução é que caminha na vanguarda das freguesias do concelho, e mesmo, talvez, até do País.Isto, de há 30 anos para cá. Antes dessa data, por falta de professores, pouco ou nada se fez neste capítulo.É por isso que mortos ilustres, naturais de Mouriscas, não temos para mencionar.Dentre os vivos, porém, há nomes que já marcam lugares inconfundíveis na sociedade ocupando mesmo postos de comando e de responsabilidade.Mas para que não haja melindres, não se citam aqui esses nomes, embora honrem a freguesia que os viu nascer. O texto segue tanto as regras do Acordo Ortográfico como as anteriores.
publicado por João Manuel Maia Alves às 11:40
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