Domingo, 22 de Março de 2009

Agostinho Dinis - futebolista e árbitro

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Agostinho Dias Dinis nasceu em 23 de Novembro de 1933, nas Casas Pretas, lugar da freguesia de Mouriscas situado perto da auto-estrada A23. Foram seus pais Francisca Dias e Vicente Dinis (Vicente Ferrador). A alcunha do pai devia-se ao facto de ser filho dum homem que teve um tronco de ferrador no centro de Mouriscas.Pela parte da mãe Agostinho descende em quinto grau de António Ferreira Santana, nascido em 1789 em Alagoa, concelho de Portalegre, e de Luísa Lopes, nascida em 1801, no Cabeço do Alconde, então freguesia de S. João, do concelho de Abrantes. Deste casal descendem os Santanas com origem em Mouriscas. Casou com Marlene Cadete Serrano e tem duas filhas.Agostinho frequentou a escola primária de Mouriscas localizada no centro da freguesia. Até aos dezoito anos trabalhou em oficinas de espartaria de Mouriscas, que fabricavam seiras e capachos para lagares de azeite, foi a ceifas no Alentejo e participou noutros trabalhos agrícolas . Entrou depois para os caminhos de ferro, onde, como electricista, trabalhou até se reformar. A sua entrada nos caminhos de ferro aconteceu quando começou a electrificação da linha do norte. Hoje, reformado, divide o seu tempo entre o Entroncamento e principalmente a Lameira Redonda, lugar de Mouriscas, que esteve tão ligado, como veremos, à sua carreira desportiva.O lugar de Casas Pretas, onde Agostinho nasceu, fica relativamente perto do centro de Mouriscas, mas Agostinho desde cedo começou a pender para o sul da freguesia, onde tinha nascido sua mãe. Na parte sul de Mouriscas, mais concretamente no Largo da Bagaceira, funcionava a sede do Grupo Recreativo e Desportivo “Os Esparteiros”. Esta agremiação tinha um rancho folclórico, que actuava principalmente pelo Carnaval. Exibia-se em Mouriscas e nas redondezas. Agostinho entrou para o rancho folclórico dos Esparteiros pelos dezasseis anos e dele fez parte durante uns três. Bastante mais longa seria a carreira de futebolista, sempre em representação dos Esparteiros. Iria durar dos dezasseis aos trinta e cinco anos de idade.O campo de jogos dos Esparteiros era na Lameira Redonda, não longe da casa actual em Mouriscas de Agostinho. Ali disputou muitos jogos como defesa direito dando tudo o que podia para cortar jogadas dos adversários e iniciar contra-ataques dos Esparteiros. Em volta muita gente assistia, nem sempre com serenidade já que o futebol desperta muitas paixões. Participou em vários campeonatos da INATEL. Alguns desses campeonatos foram também disputados por outra equipa de Mouriscas – a da Casa do Povo. Agostinho jogou varias vezes contra a Casa do Povo, que, de certo modo era a equipa da parte de cima de Mouriscas, ao passo que os Esparteiros eram a equipa de baixo. Dada a rivalidade, às vezes disparatadamente exagerada, entre a parte de cima e a parte de baixo de Mouriscas, esses jogos eram muito emotivos e intensamente vividos dentro e fora do campo.Depois da carreira de futebolista enveredou pela de árbitro, a qual durou dos trinta e cinco aos quarenta e cinco anos. Agostinho merece ser lembrado como árbitro, pois até hoje em Mouriscas tivemos poucos.O seu desejo de ser árbitro de futebol derivou do seu amor ao chamado desporto-rei. Ser árbitro era continuar ligado ao futebol, não como espectador, mas como interveniente. Para poder desempenhar funções de arbitragem começou por frequentar aulas teóricas ministradas no Rossio ao Sul do Tejo por Samuel Abreu, que foi árbitro internacional. Aprovado no exame escrito a que teve de se submeter, começou a actuar, umas vezes como árbitro auxiliar, outras como árbitro principal. O seu desempenho era observado por pessoas da Associação de Futebol de Santarém. Arbitrou jogos da INATEL e dos campeonatos distritais. Actuou bastantes vezes como auxiliar de árbitros do Campeonato da 3.ª Divisão, por vezes em localidades um pouco afastadas da sua residência, como Beja, Lisboa e Fundão. Dos árbitros com quem Agostinho trabalhou merece realce João Carlos Maria Ferreira, de Santa Cita, perto de Tomar. Quando dirigiam um jogo, era habitual o homem de Santa Cita apanhar Agostinho na sua residência no Entroncamento e almoçarem no caminho. Por vezes, a esposa de Agostinho e uma das duas filhas, ora uma ora outra porque não havia espaço no veículo para as duas, acompanhavam-no e viam o jogo e a actuação do familiar.Que a vida dos árbitros é difícil durante os jogos todos o sabemos. Os adeptos da equipa que perde muitas vezes culpam a arbitragem do mau resultado. Os árbitros têm de estar preparados para manter a cabeça fria debaixo de toda a espécie de insultos e pressões. Depois do jogo as coisas podem complicar-se. Agostinho sabe-o bem pois mais de uma vez esteve fechado nas cabinas de arbitragem até que as coisas acalmaram ou a Guarda Nacional Republicana criar as condições para uma retirada segura.Outro sacrifício era imposto aos árbitros. Tinham que manter a forma física. Durante a semana tinham de correr para não lhes faltarem as pernas no jogos. No princípio de cada época tinham de prestar provas de aptidão física.Sinceramente, temos que tirar o chapéu a pessoas que, como Agostinho Dinis, tiveram ou têm a motivação, a coragem e a capacidade para arbitrar jogos de futebol. Não está ao alcance de muitos. Por isso a carreira de árbitro de Agostinho Dinis merece ser recordada ou dada a conhecer. Foi o propósito deste artigo, que quis também realçar a sua carreira ao serviço dos Esparteiros, tanto como futebolista como membro do seu grupo folclórico. Muitos gostarão de recordar essa carreira. Outros gostarão de a conhecer.
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:39
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