Quinta-feira, 4 de Novembro de 2004

Santanas (2)

Neste artigo continuamos a história dos Santanas com origem em Mouriscas, descendentes de António Ferreira Sant’ Anna.

Em 27 de Julho de 1789, como vimos, nasce na pequena e interessante aldeia da Alagoa, freguesia do concelho de Portalegre, António, filho de António Ferreira e de Anna Maria. É provável que tivesse tido muitos irmãos. O pai exerce a actividade de almocreve entre a zona de Portalegre e a zona de Abrantes, com base familiar na Alagoa.

Em 1792 morre a rainha D. Maria II, sucedendo-lhe seu filho, que ficou conhecido por D. João VI. Portugal vive um período de prosperidade até 1797. Em 1797, fruto de alianças e ambições, Espanha e França decidem dividir e anexar Portugal e as suas colónias. Em 1801 declaram guerra e invadem facilmente parte do Alentejo, incluindo a zona de Olivença a Portalegre. Obtida a paz com auxílio dos ingleses “perdemos” Olivença e pagámos pesada indemnização.

Na altura António tem doze anos.

Na sequência da Revolução Francesa Napoleão decreta o Bloqueio Continental em 1806. Todas as nações tinham que fechar os seus portos aos navios ingleses. Nesse sentido envia um ultimato a Portugal em 1807. Portugal se adere é ocupado pela Inglaterra e se não adere é ocupado pela França. Como não adere nem deixa de aderir é ocupado três vezes, em 1807, 1809 e 1810 pelos franceses. Das três vezes, com auxílio de ingleses, consegue-se repelir o invasor.

A primeira invasão dá-se pelo Alentejo, a segunda pelo Centro, tendo o general Soult feito estabelecimento em Abrantes, e a terceira pelo Norte.

A família real entretanto embarca para o Brasil em 1807 e Portugal fica praticamente entregue a ingleses.

António tem agora (1807) dezoito anos.

A ocupação dos espanhóis e as invasões francesas terão tido influência nas actividades comerciais. Mas, com maiores riscos e talvez maiores proveitos, as actividades dos almocreves continuam a existir, visto não se terem ainda inventado melhores transportes, e ser necessária a transacção dos bens.

António começa a acompanhar o pai. A certa altura decide ser almocreve.

Como tinha o mesmo nome do pai, (António-próprio e Ferreira-do pai) decide acrescentar um sobrenome que os distinga, como era conveniente para os negócios. Por qualquer razão era muito religioso. Observando o calendário litúrgico verifica que tinha nascido no dia de S. Pantaleão, nome não muito conveniente para adoptar, mas que o dia anterior era dia de Sant´ Anna. Adopta este sobrenome e passa a assinar-se por António Ferreira Sant´ Anna, dando assim início à família dos Santanas com origem nas Mouriscas, pois foi aí que nasceram todos os seus filhos.

A instabilidade politica continua por longos anos. Em 1820 dá-se a Revolução Liberal e à família real exige-se o regresso do Brasil.

Nesta altura António tem trinta e um anos e constituir família é o seu objectivo. Nas suas actividades passa por Mouriscas. Consta que entre as raparigas das Mouriscas não encontra quem o aprecie a ponto de casar com ele.

O caminho das Mouriscas para a Barca do Pego, Alferrarede e Abrantes passava na Ribeira da Arcês, zona dos Carvalheiros, onde hoje se chama (e existe uma) ponte, subia ao Casal das Mansas e descia a meia encosta. Passava em frente a uma casa, que hoje se vê em ruínas da auto-estrada, onde morava uma moça chamada Luiza Lopes, doze anos mais nova, filha de Francisco Pires Esteves das Casas Pretas, Mouriscas e de Mariana Lopes do Casal da Igreja, Mouriscas. Lá gostaram um do outro e casaram, provavelmente em 1821, tendo ele trinta e dois anos e ela vinte. Consta que na altura do casamento apresentou muitas moedas de ouro para fazer inveja a quem não quis casar com ele.

Fez uma casa e uma pequena quinta, a que chamou Quinta de S. António, para onde foram viver, no local do Tojal das Mouriscas, o que prova que já era possuidor de alguma fortuna. Esta quinta ainda existe, na posse de pessoas de família, assim como paredes da casa original.

Tiveram nove filhos dos quais sobreviveram sete.

Nos próximos capítulos veremos como se desenvolveram estes sete ramos.



Este artigo foi escrito por Augusto Maia Alves, descendente em sexto grau de António Ferreira Sant’ Anna.
publicado por João Manuel Maia Alves às 18:28
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