Terça-feira, 8 de Maio de 2007

Economia mourisquense em 1964

Inúmeros e longos comentários se poderiam ao artigo que se segue, publicado com o programa das festas de verão de 1964. Como tanta coisa mudou desde então! Vamos ao artigo.

MOURISCAS e a sua economia

Mouriscas tem fama de terra rica. Realmente os seus terrenos são duma maneira geral e relativamente bons e produtivos, a divisão da propriedade favorece o seu aproveitamento e cultivo, e, por isso, cremos que a agricultura é ainda hoje a sua principal fonte de riqueza, sobretudo com base nos produtos da oliveira e da figueira.

Mas também aqui se começam a sentir os reflexos da grave e geral crise agrícola, cujas causas não apontamos, mas cujas consequências antevemos desastrosas, se, entretanto, se não descobrirem os remédios para a debelar.

Os lavradores queixam-se de que a mão de obra é cada vez mais cara e mais difícil de conseguir e que os produtos do campo cada vez compensam menos. Os trabalhadores rurais lamentam-se de que os seus salários são insuficientes e as suas regalias sociais ainda muito poucas. E todos têm razão. Mas esperemos por melhores dias.

Quanto à indústria, dá-se em Mouriscas um fenómeno parecido com o da agricultura. Aqui não existe a grande propriedade, e, por isso, não existem também os grandes ricos. A propriedade está muito dividida, quase todos têm o seu pedacinho de terra e, assim, é grande o número de remediados e muito pequeno, felizmente, o dos pobres. Também não existe aqui a grande indústria, a enriquecer poucos, mas muitas pequenas indústrias a ajudar muitos. Entre elas temos que distinguir a das seiras e capachos para lagares de azeite, a mais importante e que faz de Mouriscas o primeiro centro do Pais neste ramo de indústria. A seguir vêm as de cerâmica, de pirotecnia, mosaicos e produtos de cimentos e para só citarmos as maiores.

Como a maior parte destas indústrias, porém, utilizam quase só mão de obra feminina, os homens que se não querem resignar a «empobrecer alegremente» nos campos, buscam fora da terra e noutras ocupações sobretudo funcionalismo público, Caminhos de Ferro, construção civil, grandes fábricas, etc. os meios de vida mais compensadores. Como consequência a emigração aumenta e as nossas aldeias vão-se despovoando, lenta mas progressivamente, em benefício dos grandes centros. Mais um fenómenos dos nossos tempos para o qual parece não haver solução.
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:36
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