Sexta-feira, 1 de Outubro de 2004

Mestras de costura

Depois dos mestres as mestras. Falámos no artigo anterior dos mestres de lagares de azeite. Hoje dedicamos um artigo às mestras de costura, que foram personagens muito importantes da história de Mouriscas.

Na expressão “mestre de lagar de azeite” a palavra “mestre” significa “chefe de fábrica ou oficina”. Em “mestra de costura” o termo “mestra” quer dizer “professora, aquela que ensina”. As “mestras de costura” eram mestras porque ensinavam costura.

Até há décadas esperava-se das donas de casa que dispusessem de capacidades como saber cozinhar, fazer pão, lavar roupa e cuidar dos animais domésticos, muitas vezes designados em Mouriscas por “vivos”. Estes saberes aprendiam-se em família, principalmente com as mães. Ser capaz de confeccionar roupa para a família e arranjá-la quando precisasse de conserto era outro saber indispensável a qualquer dona de casa. Estava ainda longe a época em que se compraria toda a roupa, que se deitaria fora assim que apresentasse deficiências. Por falta de dinheiro e devido a uma diferente mentalidade eram outros os hábitos. Quando a roupa não servia para usar, acabava muitas vezes em tiras para fazer tapetes e mantas.

Antigamente as donas de casa dos meios rurais passavam muito do seu tempo com trabalhos de costura, usando a tesoura, a agulha e o dedal e, quando existia, a máquina de costura, que era um utensílio muito desejado.

As futuras donas de casa aprendiam com as mestras de costura a confeccionar roupa e a arranjá-la. Aprendiam, fazendo, as competências de que necessitariam como costureiras do lar.

Em certa altura das suas vidas as raparigas começavam a aprender costura nas mestras. Dizia-se que “andavam na mestra”. Algumas interrompiam a aprendizagem na altura da apanha da azeitona. Outras só andavam na mestra em férias do trabalho de espartaria ou de estudos.

Nem todas as raparigas tinham o mesmo gosto pela costura nem a mesma capacidade para aprender. Duma maneira geral ficavam habilitadas a fazer roupa interior de homem e mulher e vestuário de criança. Algumas eram capazes de fazer peças mais complicadas. Era também importante aprenderem a passajar e remendar roupa a precisar de conserto. Era o tempo em que as calças de trabalho de homem recebiam grandes remendos, às vezes de cor diferente.

Algumas mestras de costura em Mouriscas foram Maria Mendonça Marques, dos Engarnais Cimeiros, Beatriz Eugénia, do Outeirinho, Maria “da Portela”, da Portela, Maria “da Mestra”, do Tojal, Florinda Filipe, do Carril, Sílvia Alves de Matos, do Surdo, Maria Florinda, das Casas Pretas, Elisa "Benta", das Casas Pretas, Maria Marques, do Outeirinho, Jacinta “Galanta”, das Casas Pretas, e Joaquina Baptista, dos Cabrais.

As mestras de costura foram criaturas importantes em Mouriscas. Merecem ser recordadas e homenageadas. Foi a intenção deste artigo.


Este artigo teve a valiosa colaboração, que muito se agradece, de Iénia Lopes, Maria José Lopes e de Sílvia Alves de Matos (ex-mestra de costura), todas do Lugar do Surdo e de Ermelinda Marques, dos Engarnais Cimeiros
publicado por João Manuel Maia Alves às 08:20
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Junho 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30


.posts recentes

. Casamentos à moda antiga ...

. Casamentos à moda antiga ...

. Casamentos à moda antiga

. Alcino Serras - atleta d...

. Paulo Lourenço – trabalho...

. Paulo Lourenço – trabalho...

. Major-general médico Carl...

. Curioso costume

. Notícia de 1901

. Chuva de estrelas nas fes...

.arquivos

. Junho 2016

. Maio 2016

. Maio 2014

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Agosto 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds