Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

Prof. Manuel Marques Esparteiro (2)

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<img alt="m_esp.JPG" src="http://motg.blogs.sapo.pt/arquivo/m_esp.JPG" width="136" height="130 border="0" />Manuel Marques Esparteiro nasceu em 10 de Fevereiro de 1893, nos Engarnais Cimeiros, lugar da freguesia de Mouriscas. Foram seus pais Luiz Marques Esparteiro, comerciante, e Engrácia Lopes. Tanto ele como os seus quatro irmãos e as suas três irmãs estudaram e foram pessoas de relevo.Frequentou em Elvas o Colégio Elvense, do mourisquense Monsenhor Martinho Lopes Maia, onde cursou estudos secundários. Coimbra viria a marcar a sua vida – lá estudou, foi professor e viveu grande parte da sua vida.Depois de concluir na Universidade de Coimbra a formatura em Ciências Matemáticas, tirou o curso da Escola Normal Superior da mesma cidade e foi professor nos liceus José Falcão e D. João III, também da cidade do Mondego. No entanto, outros voos o esperavam, o que não surpreende, pois, como vimos no artigo anterior, concluiu o seu bacharelato com dezanove valores. A velha universidade iria abrir-lhe as portas.Da sua carreira docente na Universidade de Coimbra constam as seguintes etapas: Preparador Conservador do Gabinete de Física em 3-2-1920, 2º Assistente em 24-3-1922, 1º Assistente em 7-5-1928, Professor Auxiliar em 18-3-1929, Professor Catedrático em 17-1-1930. Para aceder a alguns destes cargos teve de prestar provas públicas.Vimos no artigo anterior que Manuel Marques Esparteiro fez o seu doutoramento com a elevada classificação de 19 valores. Deve ter tido brilhante o seu desempenho se atendermos à qualidade dos arguentes ou examinadores, um deles o sábio Prof. José Vicente Gonçalves, notável matemático do século XX. Tinha então 31 anos – era um jovem com o futuro à frente.Publicou os seguintes trabalhos: “O Ensino das Derivadas nos Liceus”, “Conceito de Integral Definido” e “Elementos da Teoria das Cúbicas”Já nos anos 20 do século passado Mouriscas tinha várias pessoas formadas, mas ser professor universitário conferia um especial prestígio. Por isso, Manuel Marques Esparteiro, foi uma glória de Mouriscas, uma glória visível que não vivia numa torre de marfim, pois frequentemente visitou a sua terra até ao fim da vida.Manuel Marques Esparteiro era um professor com justa fama de exigente. Era temido porque muitos sucumbiam nos seus exames. Ensinava cadeiras obrigatórias para todos ou quase todos os alunos da Faculdade de Ciências. Também eram seus alunos os estudantes que faziam em Coimbra os preparatórios dos cursos de engenharia que depois completariam em Lisboa ou no Porto. Como em Coimbra as faculdades funcionavam perto umas das outras, Manuel Esparteiro era conhecido da generalidade dos estudantes da universidade, muitos dos quais também sabiam da existência de Mouriscas por sua causa. Mesmo na cidade de Coimbra em geral era muito conhecido Um dos costumes de Coimbra era o das latadas, cortejos em que os caloiros, ridiculamente vestidos, transportavam cartazes de crítica aos professores, à universidade, à cidade, à situação política. Manuel Esparteiro era frequentemente visado. Durante décadas Manuel Esparteiro foi quase uma lenda viva. Em qualquer canto do país e do Ultramar havia alguém que tinha sido seu aluno ou dele tinha ouvido falar.Contavam-se de Manuel Esparteiro muitas histórias. Aqui vai uma dos anos 30, encontrada na Internet. O jovem Carlos Faustino estudava em Coimbra para os preparatórios para ingresso na Escola do Exército e, ao mesmo tempo, jogava futebol na Académica. Houve professores amantes de futebol que generosamente lhe facilitaram a vida, mas a Álgebra Superior correu-lhe mal – o professor Manuel Marques Esparteiro não foi em futebóis e chumbou-o sem apelo nem agravo. Esta reprovação deu muita alegria às hostes da Académica, por assim poderem contar com o jogador por mais tempo.Manuel Esparteiro passava muito tempo em Mouriscas, acolhendo-se à casa onde nasceu. Conhecido por muitos como “o lente Esparteiro” ou “o Esparteiro de Coimbra”, salientou-se também como caçador, transportando de Coimbra vários cães de caça nas alturas apropriadas. Participou em caçadas com importantes figuras do estado.Outra particularidade muito conhecida de Manuel Marques Esparteiro era o seu conhecimento de dietas alimentares, de que era fervoroso apóstolo. Também defendia o jejum para manter e recuperar a saúde. A Fonte da Ladeira, na Gelfa, um dos lugares de Mouriscas, tem o nome deste ilustre mourisquense. O mesmo sucede com a via que parte da igreja em direcção à actual estação de caminho de ferro.Quando Manuel Marques Esparteiro atingiu a idade de 70 anos, em 10 de Fevereiro de 1963, deu a última aula e jubilou-se. Viveu ainda muitos anos, mas não resistiu às consequências dum atropelamento e faleceu em 18 de Abril de 1984. Foi sepultado em Mouriscas, em jazigo de família.Estes foram alguns dados a respeito dum mourisquense de que muitos ainda recordarão a figura elegante e a cara de boa disposição de quem está de bem com a vida. O administrador deste blogue expressa os seus agradecimentos ao Prof. José Vitória, da Universidade de Coimbra, pelo envio de documentos do Arquivo da Universidade de Coimbra relativos ao Prof. Esparteiro Agradecimentos também ao Dr. Rui Lopes, de Coimbra, pelo envio duma foto donde foi possível destacar a figura do Prof. Manuel Marques Esparteiro.Na redacção deste artigo foi utilizada informação da Grande Enciclopédia Luso-Brasileira.
publicado por João Manuel Maia Alves às 09:31
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