Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

Mau tempo em Macau (3)

(Continução)ruinas_spaulo.jpgRuínas S. Paulo em MacauVimos no artigo anterior as exigências apresentadas pelos chineses. Joaquim Esparteiro não estava de acordo com elas. Em 2 de Agosto foi apresentada a seguinte contraproposta: 1) confessar sem pedir desculpas que o nosso soldado pisou território chinês; 2) estabelecer um novo sistema de vigilância da fronteira e continuando terreno neutro de harmonia com o status quo; 3) compensação, que na opinião dos enviados, não deveria exceder 30.000 patacas. (A pataca era e é a moeda de Macau.) Joaquim Marques Esparteiro não queria sofrer a humilhação das condições exigidas, mas lembrou a Lisboa que a China estava a exercer enorme “pressão económica” através da suspensão do tráfego entre os territórios vizinhos e Macau. Numa tentativa para melhorar a situação, o governador Esparteiro tentou comprar arroz na Tailândia, para fornecer o mercado de Macau e fazer baixar o seu preço no território. No dia 2, os chineses permitiram o restabelecimento da circulação de mercadorias por via fluvial, embora em escala insuficiente para as necessidades da população. Já era um desanuviamento. No dia 5 de Agosto Salazar convocou um Conselho de Ministros, tendo como ponto principal a situação de Macau. No dia seguinte o governador Marques Esparteiro realizou uma sessão secreta extraordinária do Conselho de Governo. Nela estiveram todos os membros deste órgão, além dos membros do Conselho de Defesa Militar e do director da repartição central dos serviços Económicos, o já citado Pedro José Lobo. Todos os presentes acharam que se deveria aceitar as condições impostas pelos chineses; disseram também que deveríamos tentar evitar o reconhecimento da nossa culpa pelos incidentes. No dia 9 de Agosto, Ho Yin e Ma Man-kei voltaram a deslocar-se à China para um reunião que durou à volta três horas. No dia 11 fontes próximas destes dois destacados dirigentes da elite chinesa de Macau garantiram que a administração portuguesa de Macau e a China tinham logrado uma “solução de compromisso” e que as partes não “pretendiam ampliar o conflito e mostram-se convencidos de que dentro de poucos dias se chegaria a um acordo total”. Os chineses permitiram que Macau recebesse no dia 11 flores baratas com abundância e milhares de quilos de vegetais transportados duma ilha chinesa, mas as principais comunicações terrestres e marítimas com a China continuavam paralisadas. No dia 12 de Agosto, o ministro do Ultramar, Sarmento Rodrigues, enviou para Macau o teor da mensagem a apresentar por Ho Yin ao general Li Zuopeng. Na sequência deste telegrama, voltou a ter lugar mais uma reunião entre os representantes da administração portuguesa de Macau, Ho Yin e Ma Man-kei, com as autoridades de Cantão. Antes da reunião o governador Marques Esparteiro comunicou para Lisboa ter Ho Yin a impressão, por conversas com os chineses, da dificuldade em chegar a acordo com eles sem reconhecermos as nossas culpas e apresentarmos desculpas. Joaquim Marques Esparteiro, adiantou que, embora não concordasse com o ponto de vista chinês, a verdade é que os chineses não desistiriam da sua posição assumida. Teria o governador Esparteiro uma fórmula que satisfizesse os chineses sem humilhação para a administração portuguesa?(Continua e termina no próximo artigo)Origem da foto: http://www.msmartins.com
publicado por João Manuel Maia Alves às 16:44
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