Quarta-feira, 30 de Março de 2005

Antroponímia Mourisquense (2)

Antroponímia Mourisquense entre 1860 e 1910* (II)

(Continuação)

SEXO FEMININO


Adelaide 5 vezes; Adélia 1 vez; Adelina 5 vezes; Adília 1 vez; Adriana 1 vez; Albertina 1 vez; Albina 1; Alexandrina 8 vezes; Alice 2 vezes; Alzira 1 vez; Amanta 1 vez; Amélia 11 vezes; Ana 14 vezes; Andreia 1 vez; Andreza 1 vez; Anélia 1 vez; Angélica 7 vezes; Angelina 7 vezes; Antónia 13 vezes; Arminda 2 vezes; Arsénia 1 vez; Artemisa 1 vez; Assunção 1 vez; Augusta 3 vezes; Aurora 1 vez; Ausenda 2 vezes; Balbina 1 vez; Beatriz 15 vezes; Belmira 4 vezes; Benvinda 6 vezes; Bernardina 1 vez ; Blandina 8 vezes; Brígida 3 vezes; Caitana 1 vez; Cândida 1 vez; Capitulina 4 vezes; Carina 1 vez; Carlota 1 vez; Carolina 9 vezes; Celeste 1 vez; Celestina 3 vezes; Celina 1 vez; Clarice/Clarícia 2 vezes; Clementina 9 vezes; Clotilde 1 vez; Conceição 32 vezes; Constança/cia (8+3) 11 vezes; Constantina 1 vez; Cristina 2 vezes; Custódia 2 vezes; Damazia 1 vez; Delfina 14 vezes; Diolinda/Deolinda (5+11)16 vezes; Diamantina 4 vezes; Dionísia 5 vezes; Edviges/Hedeviges 2 vezes; Efigénia 12 vezes; Elisa/Elisia (24+17)41 vezes; Elvira 8 vezes; Emerência 1 vez; Emília 16 vezes; Engrácia 14 vezes; Ermelinda 29 vezes; Ernesta 1 vez;
Esaltina/Exaltina (1+5)6 vezes; Ester 1 vez; Etelvina/Itelvina (1+5)6 vezes; Eugénia 17 vezes; Evarinda 1 vez; Faustina 1 vez; Felícia 1 vez; Felicidade 1 vez; Felisbela 1 vez; Felismina 27 vezes; Florência 1 vez; Floriana 2 vezes; Florinda 45 vezes; Floripes 2 vezes; Fortunata 2 vezes; Francelina 1 vez; Francisca 46 vez; Generosa 1 vez; Georgina 3 vezes; Gertrudes 2 vezes; Gestrudes 3 vezes; Gracinda 2 vezes; Guilhermina 6 vezes; Helena 26 vezes; Henriqueta 6 vezes; Hermínia 2 vezes; Humbelina/Umbelina (1+1)2 vezes; Inácia 19 vezes; Irene 1 vez; Iria 1 vez; Izabel 9 vezes; Izaura 2 vezes; Izaurinda 1 vez; Jacinta 23 vezes; Jesovina 7 vezes; Jesuina 1 vez; Joana 8 vezes; Joaquina 90 vezes; Josefa 2 vezes; Josefina 5 vezes; Júlia 3 vezes; Juliana 2 vezes; Justina 4 vezes; Laura 2 vezes; Laurinda 2 vezes; Leocádia 3 vezes; Leonisa 1 vezes; Leonor 1 vez; Leontina 1 vez; Leopoldina/Liopoldina (6+1)7 vezes; Lídia 4 vezes; Lodovina/Ludovina (32+24)56 vezes; Lúcia 16 vezes; Luciana 2 vezes; Lucina 5 vezes; Lucinda 8 vezes; Lucrécia 2 vezes; Luiza 96 vezes; Madalena 2 vezes; Marcelina 1 vez; Margarida 3 vezes; Maria 533 vezes; Mariana 25 vezes; Martinha 3 vezes; Michelina/Miquelina 1 vez; Militina 1 vez; Narciza 38 vezes; Nasareth 2 vezes; Natividade 3 vezes; Olívia 5 vezes; Palmira 4 vezes; Patrocina/Patrocínia (3+4)7 vezes; Paula 1 vez; Paulina 2 vezes; Perpétua 3 vezes; Petronilha 1 vez; Piedade 3 vezes; Pulquéria 1 vez; Quitéria 1 vez; Ricarda 1 vez; Ricardina 1 vez; Rita 6 vezes; Rosa 17 vezes; Rosália/Rosária (11+93)104 vezes; Rosalina 5 vezes; Rufina 1 vez; Senhorinha 9 vezes; Serafina 1 vez; Silvéria 1 vez; Silvina 3 vezes; Sofia 7 vezes; Soledade 2 vezes; Teodora 1 vez; Teotónia 1 vez; Teresa/za (1+33)34 vezes; Urraca 1 vez; Ursula 1 vez; Vareiza 1 vez; Vicência 2 vezes; Virgínia 23 vezes; Vitória 2 vezes.(TOTAL.....165).

Uma leitura atenta dos dados anteriores mostra-nos que dos 164 para os rapazes e 165 para as raparigas nomes próprios dados no acto do baptismo, os que se apresentam com maiores frequências são:

Para o sexo masculino

1º Manoel 268 vezes; 2º José 228 vezes; 3º António 225 vezes; 4º Francico 215 vezes; 5º João187 vezes; 6º Joaquim 078 vezes; 7º Augusto 056 vezes; 8º Silvério 032 vezes; 9º Vicente 025 vezes; 10º Severino 022 vezes; 11º Abilio 019 vezes.

Para o sexo feminino

1º- Maria 533 vezes; 2º- Rosalia/Rosária 104 vezes; 3º- Luiza 096 vezes; 4º- Joaquina 090 vezes; 5º- Lodovina/Ludovina 056 vezes; 6º-Francisca 046 vezes; 7º- Florinda045 vezes; 8º- Elisa/Elisia 041 vezes; 9º- Narcisa 038 vezes; 10º- Teresa 034 vezes; 11º- Conceição 032 vezes; 12º- Ermelinda 029 vezes;13º- Felismina 027 vezes; 14º- Helena 026 vezes;15º- Mariana 025 vezes; 16º- Jacinta e Virginia 023 vezes; 18º- Inácia 019 vezes.

Constata-se no que respeita ao sexo feminino uma distribuição mais irregular quanto aos primeiros cinco lugares, destacando-se o nome Maria, com 553 vezes,- um nome tão vulgar em todo o lado- seguido de Rosalia/Rosária, Luiza e Joaquina, mas depois verifica-se uma maior distribuição por maior número de nomes.

Há, contudo, nomes que são apenas referenciados uma única vez. Vejamos quais:

Para o sexo masculino

Airoso; Albertino; Alberto; Amadeu; Amador; Américo; Amílcar; Anacleto; Aníbal; Antero; Basílio; Bernardino; Braz; Celestino; Cesário; Constantino; Crispim; Custódio; Deolindo; Diogo;Duarte; Epifânio; Ernesto; Estevão; Eugénio; Eustáquio; Fausto; Felisardo; Felisbelo ;Felisberto; Fernando; Fiel;Firme; Florêncio; Fortunato; Gabriel; Germano; Gracindo; Gregório; Gualdino; Guilherme; Herculano; Higino; Honorato; Izodoro; Jacob; Jerónimo; Jesus; Lázaro; Leão; Leopoldino; Marceliano; Marcolino; Mariano; Mário; Máximo; Norberto; Paulino; Philoromo; Primitivo; Quirino; Raul; Romeu; Roque; Secundino; Serafim; Silvestre; Simplício; Teófilo; Tomaz; Tobias; Ulisses; Valêncio; Valentim; Venâncio; Veríssimo; Virgílio; Zeferino.
Total......78

Para o sexo feminino

Adélia; Adília; Adriana; Albertina; Albina; Alzira; Amanta; Andreza; Anélia; Arsénia; Artemisa; Assunção; Aurora; Balbina; Bernardina; Caitana; Cândida; Carina; Carlota; Celeste; Celina; Clotilde; Constantina; Damazia; Ernesta; Ester; Evarinda; Faustina; Felícia; Felicidade; Felisbela; Florência; Florência; Francelina; Generosa; Irene; Iria; Izaurinda; Jesuina; Leonisa; Leonor; Leontina; Marcelina; Michelina/Miquelina; Militina; Paula; Petronilha; Pulquéria; Quitéria; Ricarda; Ricardina; Rufina; Serafina; Silvéria; Teodora; Teotónia; Urraca; Ursula.
Total....58

Da leitura destes destas duas listagens verificamos um maior número de nomes do sexo masculino em relação ao sexo feminino: 78 para 58, respectivamente.

Uma análise mais pormenorizada sobre os dados documentais consultados verificamos existirem, no período temporal em análise, nomes próprios que deixaram de ser dados e outros que voltaram a aparecer.

SEXO MASCULINO

Nomes novos(a):

Abel; Abílio; Adelino; Adriano; Afonso; Airoso; Albertino; Alvaro; Amadeu; Amador; Amilcar; Anibal; Anselmo; Antero; Apolinário; Armindo; Artur; Aurélio; Basílio; Benevenuto; Benjamim; Benvindo; Celestino; Cesário; Crispim; Custódio; Diamantino; Duarte; Eduardo; Epifânio; Ernesto; Esequiel; Estevão; Eugénio; Eustáquio; Evaristo; Fausto; Felicíssimo; Felisbelo; Felisberto; Felix; Fiel; Firme; Firmino; Florêncio; Florido; Germano; Gracindo; Gualdino; Guilherme; Herculano; Higino; Honorato; Isodoro; Jacob; Jesué/Josué; Jesus; Jorge; Júlio; Justo; Lazaro; Leão; Leonel; Leopoldino; Lourenço; Lucas; Marceliano; Marcolino; Mariano; Mário; Máximo; Norberto; Paulino; Philoromo; Primitivo; Primo; Quirino; Ramiro; Raul; Romeu; Roque; Salustiniano; Secundino; Teófilo; Tomás; Tiago; Tobias; Ulisses; Valêncio; Valentim; Veríssimo; Vergílio.

Deixaram de aparecer no registo:

Ambrósio; Caitano; Camilo; Cláudio; Cosme; Cristóvão; Faustino; Filipe; Florentino; Frutuoso; Gonçalo; Marcelino; Marcos; Policarpo; Rodrigo; Romão; Sabino.


SEXO FEMININO

Nomes novos(a):

Adélia; Adriana; Albertina; Albina; Alice; Alzira; Amanta; Andreia; Anélia; Arminda; Artemisa; Assunção; Augusta; Aurora; Ausenda; Carina; Celeste; Celestina; Celina; Clarice;Clotilde; Diamantina; Ernesta; Ester; Floripes; Francelina; Generosa; Georgina; Gracinda; Irene; Isaura; Laurinda; Leontina; Lídia; Lúcia; Luciana; Lucrécia; Martinha; Miquelina; Militina; Nazaré; Natividade; Olívia; Paula; Petronilha; Ricarda; Ricardina; Rosalina; Rufina; Serafina; Silvina; Soledade;Teotónia; Urraca; Úrsula; Vareiza.

Deixaram de aparecer no registo:

Agueda;Ambulina; Apulina; Bárbara; Benita; Bernarda; Catarina; Clara; Coralina; Emerência; Ernestina; Eufrásia; Evarinda; Feliciana; Felisbela; Florentina; Genoveva; Geralda; Honorina; Inês; Jerónima; Laureana; Mamaria; Maricilina; Matilde; Micaela; Olímpia; Rute; Sabina; Sebastiana; Tomásia.

(a)- Nomes que não aparecem nos pais e avós dos neonatas registados.

E quanto aos NOMES com SOBRENOMES e aos APELIDOS como é que as coisas se passaram? A resposta tê-la-á no próximo artigo.

(CONTINUA)

Texto da autoria de Carlos Bento.
publicado por João Manuel Maia Alves às 17:42
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Segunda-feira, 21 de Março de 2005

Antroponímia Mourisquense (1)

Antroponímia Mourisquense entre 1860 e 1910*

Na sequência do que escreveu Augusto Maia Alves, no nosso Blogue, em 15.8.2004, sobre a demografia, antroponímia e toponímia de Mouriscas, iremos retomar e abordar, neste e em próximos artigos, tão interessante temática e procurar saber, em relação a cada sexo, quais os nomes, sobrenomes e apelidos que foram dados e usaram os nossos ascendentes próximos(pais, avós, bisavós, ... ), conhecer a sua razão de ser e desvendar o significado de alguns deles, e, ainda, esclarecer sobre a distribuição dos neonatas por anos e lugares da freguesia.

Serão os nomes próprios, os sobrenomes e os apelidos dos nossos bisavós, avós e pais os mesmos em relação aos nossos, aos dos nossos filhos e netos? Ou serão diferentes? Que factores estarão na base das diferenças e das semelhanças? Quais os nomes próprios e apelidos mais e menos habituais? Que alcunhas deram origem a apelidos? No período em análise quantas crianças nasceram por ano? Por que lugares se distribuía, então, a população de Mouriscas? Terão aparecido novos casais?

As respostas, por vezes, surpreendentes a estas questões tê-las-á ao longo dos textos que se seguem.

Para José Leite de Vasconcelos(1) a antroponímia ou seja o estudo dos nomes - próprios, sobrenomes e apelidos-, usados por cada um dos indivíduos de um povo, sociedade ou grupo social, procura conhecer, entre outros factos, a sua proveniência, alterações temporais e extinção.

Segundo este autor o nome de cada pessoa, de cada um de nós, é constituído por três elementos a saber:

- Nome próprio, que é o nome pessoal ou individual;
- Sobrenome, que nem sempre existe; e
- Apelido, um ou mais, que também pode estar ausente:

DOS NOMES

Os nomes pessoais atribuídos às pessoas têm, geralmente, origens em expressões da língua comum- substantivos, adjectivos e particípios- e, no seu início estiveram ligados, entre outros:

- a coisas e a fenómenos da Natureza;
- ao tempo e sua cronologia;
- à geografia;
- a qualidades físicas e morais da pessoa humana;
- a circunstâncias, necessidades e ocupações da vida quotidiana;
- à religião e à magia;
- à guerra;
- ao poder, seja ele de que tipo for/política;
- a estados socio-culturais, como razões de família e amizade (2).

Eles constituem signos linguísticos e a sua escolha teve como base factores de natureza muito diversa já referenciados, uns relacionados com a realidade eco-geográfica e social, outros com o domínio do sagrado(3).

A origem da maioria dos nomes actuais e das gerações passadas mais próximas vem de muito longe, remontado muitos a épocas longínquas. Têm origem ibérica, grega, latina, greco-latina, germânica, hebraica.

Muitos estão ligados a manifestações de sentimentos religiosos, de fé, de esperança e de afecto e à ideia de satisfação derivada da entrada no seio da Igreja e a nome dos seus santos. Contudo, são vários os nomes de origem obscura.

Temos assim nomes provenientes da Religião, tanto da calendário litúrgico como da Bíblia, da Literatura, da Mitologia, da Lenda, da História, ... .Uns são antigos, muitos dos quais chegaram aos nossos dias; outros são de introdução moderna.

Só por volta do século III os nomes começaram-se a dar-se no acto do baptismo dos cristãos.

A família, a par da religião, tem um enorme peso na escolha dos nomes próprios. É de tradição dar-se ao recém-nascido o nome do pai ou da mãe, dos avós paternos ou maternos, de parentes como irmãos ou irmãs, tios ou tias, ... , dos padrinhos ou madrinhas, que podiam ser uma santa ou santo, dos amigos ou amigas, ... .

O nome próprio, em tempos remotos, era avulso ou seja sem sobrenome ou apelido algum. No entanto, a partir da Idade Média, o nome individual passou a estar acompanhado de sobrenome ou apelido ou de ambos. Em qualquer dos casos há que distinguir entre:

- O nome individual simples, como Maria
- O nome individual composto, como Afonso Henriques, Maria de Jesus.

Até 1911, às crianças era dado, no acto do baptismo, apenas o nome próprio. Nas aldeias era costume encontrarem-se pessoas, sobretudo, mulheres, que não tinham mais que um nome, seguido, às vezes de um complemento que designava o pai ou o marido

A atribuição do nome tinha como base os usos e costumes e as normas ditadas pela Igreja, passando a partir de daquela data, a ser regulado pelo Código do Registo Civil(4), que, na essência, não alterou os procedimentos anteriores.

A partir de então estabelece-se uma nítida distinção entre:

- nome completo;

- nome próprio, que deverá ser escolhido, não só d´entre os nomes que se encontram nos calendários como também «d´entre os que usaram pessoas conhecidas na história, e que não deverá confundir-se com um nome de família(=apelido), nem com os das coisas, qualidades, animais ou análogas»;

- nome de família, que é o apelido ou apelidos.

No que respeita ao caso concreto da freguesia de Mouriscas a Listagem que se segue fornece-nos os nomes simples dados aos mourisquenses entre 1859 e 1911, mostrando-nos ainda os que eram mais comuns.

SEXO MASCULINO

ABEL(6 vezes); ABÍLIO(19 vezes); ADELINO(7 vezes); ADRIANO(3vezes); ADRIÃO( 3vezes); AFONSO(4 vezes); AGOSTINHO(15 vezes); AIROSO(1 vez); ALBERTINO(1 vezes); ALBERTO(1 vezes); ALBINO*(5 vezes); ALEXANDRE(5 vezes); ALFREDO(8 vezes); ÁLVARO(2 vezes); AMADEU(1 vez); AMADOR(1 vez); AMÉRICO(1 vez); AMÍLCAR(1 vez); ANACLETO(1 vez); ANDRÉ(2 vezes); ANGELO(4 vezes); ANÍBAL(1 vez); ANSEMO(2 vezes); ANTERO(1 vez); ANTÓNIO*(225 vezes); APOLINÁRIO(3 vezes); ARMINDO*(1 vez); ARTUR(6 vezes); AUGUSTO*(56 vezes); AURÉLIO(2 vezes); BASÍLIO(1 vez) BENEVENUTO(2 vezes); BENJAMIM(6 vezes); BENTO(2 vezes); BENVINDO*(2 vezes); BENARDINO(1 vez); BERNARDO(5 vezes; BOAVENTURA(4 vezes); BONIFÁCIO(4 vezes); BRAZ(1 vez); CARLOS(2 vezes); CASIMIRO(5 vezes); CELESTINO*(1 vez); CESÁRIO(1 vez); CONSTANTINO (1 vez); CRISPIM(1 vez); CUSTÓDIO(1 vez); DANIEL(15 vezes); DAVID(1 vez); DEOLINDO*(1 vez); DIAMANTINO*(6 vezes); DIOGO(1 vezes); DOMINGOS(11 vezes); DUARTE(1 vez); EDUARDO(6 vezes); ELIAS(6 vezes); EMÍDIO(2 vezes); EMÍLIO(2 vezes); EPIFÂNIO(1 vez); ERNESTO(1 vez); ESEQUIEL(2 vezes); ESTEVÃO(1 vez); EUGÉNIO(1 vez); EUSTÁQUIO(1 vez); EVARISTO(2 vezes); ESEQUIEL(2 vezes); FAUSTO(1 vez); FELECIANO(3 vezes); FELICÍSSIMO(4 vezes); FELISARDO(1 vez); FELISBELO(1 vez); FELISBERTO(1 vez); FELIX(2 vezes); FERMINO/FIRMINO(4 vezes); FERNANDO(1 vez); FIEL(1 vez); FIRME(1 vez); FLORÊNCIO(1 vez); FLORIDO(2 vezes); FORTUNATO(1 vez); FRANCISCO(215 vezes); GABRIEL(1 vezes); GERMANO(1 vez); GRACINDO(1 vez); GREGÓRIO(1 vez); GUALDINO(1 vezes); GUILHERME(1 vezes); HENRIQUE(22 vezes); HERCULANO(1 vez); HERMENEGILDO(5 vezes); HIGINO(1 vezes); HONORATO(1 vez); INÁCIO(2 vezes); IZEQUIEL(1 vez); IZODORO(1 vez); IZIDRO(8 vezes); JACINTO*(19 vezes); JACOB(1 vez); JERÓNIMO(1 vez); JESOVINO/JESUVINO*(7 vezes); JESUÉ/JOSUÉ(15 vezes); JESUS(1 vez); JOÃO(187 vezes); JOAQUIM*(78 vezes; JOSÉ(228 vezes); JÚLIO*(3 vezes); JUSTO(2 vezes); LÁZARO(1 vez); LEÃO(1 vez); LEONEL/LIONEL(5 vezes); LEOPOLDINO*(1 vez); LOURENÇO(2 vezes); LUCAS(3 vezes); LUIZ(119 vezes) ; MANOEL/MANUEL(268 vezes); MARCELIANO*(1 vez); MARCOLINO(1 vez); MARIANO*(1 vez; MÁRIO(1 vez); MARTINHO*(14 vezes; MATEUS(5 vezes); MATIAS(10 vezes); MÁXIMO(1 vez); MIGUEL(6 vezes); MOISÉS(2 vezes); NARCIZO(4 vezes); NORBERTO(1 vez); PAULINO*(1 vez); PEDRO(2 vezes); PHILOROMO(1 vez); PRIMITIVO(1 vez); PRIMO(2 vezes); QUIRINO(1 vez; RAFAEL(4 vezes); RAMIRO(5 vezes); RAUL(1 vez;) RICARDO(4 vezes); ROMEU(1 vez); ROQUE(1 vez); ROSENDO(2 vezes); SALUSTINIANO(3 vezes); SAMUEL(2 vezes); SEBASTIÃO(14 vezes); SECUNDINO(1 vez); SERAFIM(1 vez; SEVERINO(22 vezes); SILVÉRIO(32 vezes); SILVESTRE(1 vez); SIMÃO(5 vezes); SIMPLÍCIO(1 vez); TEÓFILO(1 vez); TOMÁS(1 vez); TIAGO(3 vezes); TOBIAS(1 vez); TOMÉ(3 vezes); ULISSES(1 vez); VALÊNCIO(1 vez); VALENTIM(1 vez); VENÂNCIO(1 vez); VENTURA(2 vezes); VERÍSSIMO(1 vez); VICENTE(25 vezes ; VIRGÍLIO(1 vez); VITORINO(8 vezes); ZACARIAS(7 vezes); ZEFERINO(1 vez).

De realçar os 5 nomes, então mais usuais, com os seguintes registos:

1º- Manuel 268; 2º- José 228; 3º- António 225; 4º- Francisco 215; 5º- João 187.

E quanto ao sexo feminino, quais os nomes mais usuais? É o que veremos no próximo artigo.

(1)- Este estudioso português, grande etnólogo do século passado e o primeiro a abordar, sistematicamente, a problemática ligada ao NOMES das pessoas, deixou-nos uma preciosa obra que intitulou ANTROPONÍMIA PORTUGUESA. TRATADO COMPARATIVO DA ORIGEM, SIGNIFICAÇÃO, CLASSIFICAÇÃO, E VIDA DO CONJUNTO DOS NOMES PRÓPRIOS, SOBRENOMES, E APELIDOS, USADOS POR NÓS DESDE A IDADE MÁDIA ATÉ HOJE. Foi publicada Pela Imprensa Nacional, em 1928.
(2)- Op. cit. p. 23 e 85.
(3)- Idem, Ibid., p. 23 e segts.. O autor indica razões de ordem religiosa, de devoção particular, histórica, de família ou amizade, políticas, do acaso, superstição, fantasia, moda, patriotismo.
(4)- Aprovado pelo Decreto com força de Lei, datado de 18.2.1911. Ver Leite de Vasconcelhos, op, cit., p.98.
*. Trabalho assente em dados informáticos preparados por Augusto Maia Alves e João Maia Alves.

(CONTINUA)

Este texto é da autoria e da responsabilidade de Carlos Bento
publicado por João Manuel Maia Alves às 17:00
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Domingo, 13 de Março de 2005

Crónicas do Tejo (2)

Como era maravilhosa a pesca ao Sável, à Lampreia e à Saboga (Savelha), na zona das Mouriscas, Concavada, Alvega, Ortiga, Belver ... até Vila Velha de Ródão, Barca do Pego, Rossio, ou seja, toda a zona do Ribatejo. Eram milhares de pescadores nesta tarefa maravilhosa. Havia processos de reidão diferentes na sua captação. Nas zonas de rocha, onde o Tejo é mais acidentado, ou seja de Mouriscas até Vila Velha de Ródão, têm paredões construídos em alvenaria, a que dão o nome de pesqueiras. As redes chamam-se reidões ou varelas. Noutras zonas usam-se as chamadas “lance” com sabogaros, tramalhos, entre outras redes.

Além dos peixes anteriormente mencionados pescavam-se ainda o famoso Barbo, a Boga, o Achigã, a Eirós e o Muge ou Fataça.

---Usos e costumes do tempo da navegação

As célebres caldeiradas, o vinho puro de todo o Ribatejo, a camaradagem existente, uns trocavam lenha por peixe, outros peixe e lenha por vinho, etc. Os aldeamentos dos pescadores a quem alcunhávamos de cagaréus estavam implantados em algumas zonas do Ribatejo que recordo, no Lopo, perto da ponte da CP em Abrantes, Tramagal, na Amoreira, em Santa Margarida, em Constância, na Barquinha, Golegã, Chamusca, Azinhaga, o maior aldeamente na foz do rio Alviela, em Alpiarça, Almeirim, Santarém, Muge e Valada do Ribatejo. Viviam praticamente só da pesca. Os seus barcos tinham dois bicos aos quais chamávamos Bateiras.

Havia no Tejo passagem de barco para as pessoas, animais e respectivas bagagens, produtos diversos menores, de uma para a outra margem. As que recordo: Alvega, Mouriscas, Barca do Pego, Tramagal, Constância, Barquinha, Alpiarça e Muge - havia as que transportavam viaturas e que se chamam Batelões - Barca da Amieira, Arrepiado e Vila Franca de Xira. Recordo que nos anos 30, 40 e 50 fizeram-se na zona do Castelo de Almourol, grandes explorações de pedras, que foram transportadas em barcos, para construir diques nas zonas de Arrepiado, Carregueira, Pinheiro Grande, Chamusca, Golegã, Alpiarça, Almeirim, etc., a fim de proteger todo o Ribatejo.

Nas zonas de Mouriscas e Alvega, no centro do rio Tejo, ainda hoje lá se encontram alguns vestígios das diversas azenhas que moíam o trigo e o milho.
Farinha esta para o fabrico do pão.

Desde Mouriscas a Vila Velha de Ródão existem paredões muito extensos que serviam de auxílio aos arrais para arribarem os barcos com o auxílio das silgas (homens a puxar com cordas).

---A constituição de alguns Barcos e nome das peças que os compõem:

Proa-Quilha-Freis-Cobertura
Fundo-Travessas-Braços-Costado-Cintas-Chamasseiras
Alcatrate-Dragas-Leme-Leito-Entreleito-Remos
Varas com Contra e Croque
Mastros-Velas-Escota-Ensarças-Paneiros-Vertedor-Fateixas



Este artigo foi escrito por Joaquim Lopes Cadete, natural de Mouriscas, onde reside e é proprietário duma cerâmica.
publicado por João Manuel Maia Alves às 19:48
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Terça-feira, 8 de Março de 2005

ADIMO

A ADIMO – Associação de Desenvolvimento Integrado de Mouriscas foi criada por escritura pública de 9 de Fevereiro de 2001 no Cartório Notarial de Abrantes. Foram sete os sócios que outorgaram a escritura e considerados por tal como sócios fundadores. É uma associação de natureza privada, sem fins lucrativos.
A Associação é dirigida por uma Direcção de cinco membros. Tem uma Assembleia Geral presidida por uma mesa constituída por três sócios e um Conselho Fiscal também constituído por três sócios. Os Órgãos Sociais são eleitos de dois em dois anos.
Em breve teremos endereço de e-mail e de telefone.
O objectivo da Associação é: “apoiar e promover o desenvolvimento integrado da freguesia de Mouriscas, pelo que procurará inventariar recursos, elaborar estudos e propor projectos que conduzam à adopção de soluções adequadas às realidades económicas, sociais e culturais da freguesia”.
Para atingir o objectivo definido a Associação propõe-se desenvolver as seguintes actividades:
“a) – Colaborar com entidades públicas e privadas interessadas no desenvolvimento integrado de Mouriscas;
b) – Promover, apoiar e organizar acções de formação profissional e outras que valorizem os recursos humanos da freguesia;
c) – Organizar e manter serviços de informação e documentação;
d) – Candidatar-se com projectos locais, aos programas gerais específicos, quer nacionais, quer de âmbito comunitário, destinados a apoiar o desenvolvimento integrado da freguesia;
e) – Definir produtos locais de qualidade e desenvolver mercados adequados;
f) – Preservar a cultura local. Ligar a formação profissional à organização de novas actividades e empresas, capazes de aproveitar recursos locais: humanos e materiais.”
Associados:
“Podem ser associados todas as pessoas singulares ou colectivas que se mostrem interessadas em aderir aos princípios, objectivos e finalidades da Associação e, uma vez admitidos, paguem a jóia e as quotas nos prazos definidos em Assembleia Geral”.
A ADIMO tem a sua sede no edifício das Antigas Escolas Primárias de Mouriscas, no Casal da Igreja, onde funcionou o Museu de Mouriscas. Neste momento estamos provisoriamente instalados no edifício do Antigo Colégio Infante de Sagres em salas cedidas pela Escola Profissional de Desenvolvimento Rural a quem o referido edifício pertence.
A Associação tem protocolos de colaboração assinados com várias entidades como a Junta de Freguesia de Mouriscas, a Câmara Municipal de Abrantes, a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, situada em Mouriscas, e também com a Universidade de Évora.
Temos aproximadamente cem sócios e, como realizações de curto prazo, temos a recuperação do edifício das Antigas Escolas Primárias, sede da Associação, e ainda darmos continuidade às conclusões do Diagnóstico de Necessidades e do Plano de Acção que resultaram de um estudo concluído em Novembro de 2004 em colaboração com a Universidade de Évora.
A Associação dispõe de um assinalável espólio museológico cedido pela Junta de Freguesia, possui ainda documentação variada do património cultural e histórico de Mouriscas que nos tem sido cedido pelos Mourisquenses e ainda dispomos do Diagnóstico de Necessidades e Plano de Acção. Estes dois instrumentos de trabalho foram considerados como únicos ao nível das freguesias do País.
Estamos em contacto com o Instituto Português de Museus – IPM, que já nos visitou, no sentido de tratar e vir a expor ao público o espólio museológico em nosso poder e considerado de grande interesse, bem como em relação à preservação do edifício sede da ADIMO considerado de grande valor histórico para a freguesia e ainda de grande valor em termos arquitectónicos e de técnicas de construção.
publicado por João Manuel Maia Alves às 20:41
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Quarta-feira, 2 de Março de 2005

Crónicas do Tejo (1)

O Tejo é e foi um rio com enormes potencialidades económicas e culturais.

Aos cinco anos de idade fiz a primeira viagem no barco de longo curso do meu pai. O barco transportava 6.000 Kg de tijoleiras para fornos de padarias de Salvaterra de Magos. Passados dois dias, quando nos aproximamos da vala de acesso a Salvaterra, tivemos de esperar que a maré começasse a subir para aportarmos ao cais de descarga. Passámos aí a noite. Quando acordei, no dia seguinte, estava aflito das melgas. Puseram o meu corpo em alvoroço. Recordo que o meu pai me untou todo de vinagre.

Continuei nos transportes marítimos no Tejo com o meu pai até aos 15 anos de idade. Só faltei nos meses que frequentei a escola primária.

Os transportes que nós fazíamos e a restante enorme frota de transportes fluviais existentes durou até cerca de 1948-1950.

Transportando a cortiça vinda do Alto Alentejo, Beira Baixa e cimo do Ribatejo, os enormes carregamentos eram na sua maioria transportados nos barcos de grande porte que cifravam desde as 10 até às 60 toneladas nos cais (ou portos), do Rossio ao Sul do Tejo.

Grandes carregamentos de madeira de enormes serrações modernas de Rio de Moinhos, Alferrarede, Amoreira, de todo o concelho de Abrantes, Mação e Vila de Rei. O embarque destes carregamentos era, na sua maioria, no porto e cais de Rio de Moinhos. Era aqui que também se construíam enormes jangadas de madeira e que tornava o seu transporte mais barato. Seguiam até Valada do Ríbatejo e aí era efectuado o transporte para os barcos.

Em Mouriscas existiu uma enorme quantidade de cerâmicas de fabrico artesanal. Fabricavam telhas de canudo “Tejo” mourisco, telha nacional, tijolos maciços, o tradicional tijolo burro e as tijoleiras para lares dos fornos das padarias. Os transportes de todos estes produtos eram feitos em barcos que carregavam nos diversos portos em Mouriscas. Procedia-se à sua distribuição em toda a zona ribeirinha, de Mouriscas a Lisboa e de Mouriscas a Vila Velha de Ródão.

Existiram na Barca do Pego e no Rossio ao Sul do Tejo muitos fornos que fabricavam cal parda que era e é aplicada na construção civi. A maioria deste produto era carregado nos portos da Barca do Pego e no Rossio ao Sul do Tejo, distribuídos por toda a zona ribeirinha.

Havia mais uma série de produtos fabricados na metalúrgica Duarte Ferreira, no Tramagal, Soares Mendes, no Rossio ao Sul do Tejo e outros que, em maioria, eram transportados pelo Tejo.

O transporte de azeite era na sua maioria em barcos. Os porcos criados na nascente do concelho de Abrantes e Mação eram na maioria transportados em barcos para as grandes salsicharias existentes em Rio de Moinhos.



Este artigo foi escrito por Joaquim Lopes Cadete, natural de Mouriscas, onde reside e é proprietário duma cerâmica.
publicado por João Manuel Maia Alves às 18:30
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