Sábado, 4 de Junho de 2016

Casamentos à moda antiga (3)

Publicado inicialmente em 19 de junho de 2009

O último artigo acabou na altura em que se iniciou o casamento na velha igreja de Mouriscas. Vamos ver, em imaginação, a continuação da história. Tudo decorre relativamente depressa até o padre declarar os noivos casados. As alianças foram compradas ao ourives Mário Lopes da Rocha, homem bem-posto e bem-falante que veio do concelho de Cantanhede e em Mouriscas viverá até ao fim da vida. Como é habitual em Mouriscas, o noivo não vai usar a aliança, exceto talvez em dias asselanados, isto é dias festivos. Os rudes trabalhos do campo não permitem o uso de anéis.

Agora o padre vai dirigir-se aos noivos. Usando uma linguagem enérgica bem condizente com a sua potente voz, exorta os noivos a assumirem uma conduta cristã na sua vida e na educação dos filhos. Noivos e convidados recebem uma lição de catolicismo pois o padre procede a um resumo bastante completo da doutrina, pelo que esta parte da cerimónia foi a mais longa. A certa altura o senhor vigário - é este o tratamento dado em Mouriscas nestes tempos ao pároco - diz que todas as escrituras são seladas e assinadas e o mesmo vai acontecer a esta. Então retira das mão do homem que está entre os padrinhos à direita do altar o crucifixo e dá-o a beijar aos noivos, às madrinhas e aos padrinhos, após o que o devolve ao homem encarregue de o segurar. Esta assinatura não dispensa outras na sacristia, enquanto os convidados abandonam a igreja e se abrigam à sombra de freixos seculares. Depois das assinaturas na sacristia e do pagamento ao padre e ao sacristão, lá vêm os noivos descendo a igreja, de braço dado, gesto não muito vulgar nesta época que ainda não chegou a meio do século XX.

É no meio da porta da igreja que os noivos recebem os bons desejos de familiares e convidados. Entretanto, o sino repica festivamente. Alguns circunstantes dizem que o sacristão recebeu uma boa gorjeta para o sino tocar tanto tempo. Só aqui a muitos anos, haverá uma saída da igreja para a estrada em frente. Noivos e acompanhantes circundam pela esquerda a igreja e o salão paroquial e vão colocar-se nas escadas que dão para um largo onde, ao domingo de manhã, umas pessoas convivem e outras vendem os seus produtos. Na foto vemos a torre da igreja, as janelas e portas do salão, que deixará de existir quando se construir uma nova igreja, e as escadas, que já devem ter visto muita história. 

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 Foi por aqui que em 3 de fevereiro de 1907 o futuro presidente António José de Almeida fez um comício republicano e é bem possível que um assistente, em face de tanta promessa, tenha proferido a genial frase o meu burro não ronca pela albarda, mas pela ração, a qual durante muito tempo com frequência se ouvia em Mouriscas Imaginem então os noivos ao fundo da escada, ladeados por padrinhos e madrinhas, pais, outros familiares e miúdos. Atrás ficam os convidados. Agora um fotógrafo da família dos Latoeiros, do Carril, vai tirar uma foto com uma máquina fotográfica, uma grande caixa sobre um tripé. Da máquina cai um pano preto onde o fotógrafo enfia a cabeça e espreita para dentro a fim de tirar a melhor foto - é a tecnologia destes tempos.

Agora lá se põe em movimento o cortejo, com os noivos à frente, de braço dado. Dirige-se à casa dos noivos e tem pela frente mais de três quilómetros a pé, o que não é nada para pessoas de Mouriscas. Felizmente levantou-se um vento fresco que faz andar moinhos que se veem por perto e ao longe e muito embelezam a paisagem.

Utilidade foi a ideia que presidiu ao arranjo da casa posta que os noivos receberam dos pais. Luxo ou muito conforto estão ausentes. Daqui a poucas décadas pessoas com bem menos posses serão muito mais exigentes, mas para a mentalidade do tempo esta é uma casa que não envergonha ninguém; aliás, seria censurado ter-se gastado dinheiro a mais ou a menos do que se considera acertado.

Claro está que a casa não deixa de ser passada a pente fino por alguns convidados, principalmente por algumas convidadas. Falando à moda de Mouriscas, há gente que aprecia tudo - aprecia e vai contar. Ouvem-se observações estranhas aos ouvidos de gente fora do meio, como este é o quarto do noivo, olha o quarto da noiva ou aqui é a casa de fora. Daqui a alguns anos alguns equipamentos deste novo lar muita gente nem saberá que existiram, como a grade, feita de tábuas estreitas e cruzadas, com ganchos para pendurar objetos como cafeteiras e pequenas panelas e a cantareira, móvel de madeira, colocada sobre um pial (poial) para os cântaros de água e alguns utensílios da cozinha.

É quase noite. Alguns convidados que não moram muito longe - pode ser a um quilómetro, já que em Mouriscas, o perto pode ser um bocado longe - alguns convidados, dizíamos nós, vão a casa e fecham as galinhas e recolhem cabras e ovelhas. Os outros dirigem-se a casa dos pais da noiva ou do noivo, conforme quem os convidou, e por ali ficam na conversa, esperando pelo jantar.

E os noivos para onde vão, agora que estão casados à face das leis civis e religiosas? Cada um vai jantar em casa dos seus pais. O jantar, como o almoço, é uma refeição alegre e abundante. Em 1951 chegará o Padre João, que só fará casamentos de manhã. Uma das razões invocadas para acabarem os casamentos à tarde foi alguns convidados apresentarem-se na igreja no estado em que alguns participam deste jantar, quer dizer alegres por causa do vinho ingerido.

No fim da refeição é servido chá de doce-lima, que noutras terras se chama lúcia-lima. Ajuda à digestão e também serve de pretexto para beber um pouco de aguardente, em separado ou acrescentada ao chá. O vinho do Porto não faltará nos casamentos daqui a uns anos. De momento, não é muito apreciado e não veio a este casamento. O abafado, que é como se designa em Mouriscas a jeropiga, esse sim está presente e ajuda a engolir alguns bolos ou acompanha o chá.

O jantar acabou para alguns e está perto do fim para outros. O noivo levanta-se e dirige-se à casa dos pais da noiva, acompanhado dos dois padrinhos. Está uma noite muito escura, mas os mourisquenses desenvolveram a capacidade de em noites sem luz virarem nos sítios certos e com segurança colocarem os pés no chão. Chegam à casa dos pais da noiva numa altura em que o pessoal regaladamente bebe o seu chá de doce-lima, com bolos, abafado e aguardente de figo, produto que, com abundância, se produz em Mouriscas. É muito macia esta aguardente, dizem alguns convidados. O abafado também recebe elogios. Noivo e padrinhos sentam-se e bebem e comem o que lhes apetece. A seguir os recém-casados são conduzidos à sua nova casa pelos dois padrinhos do noivo, após o que estes voltam a casa dos pais do noivo para recolher a família e voltarem às suas residências, distantes vários quilómetros.

No segundo dia do casamento a festa continua com alegria e muita comida. Os noivos almoçam e jantam em casas diferentes. Sucedeu que almoçaram em casa dos pais dele. Um pouco depois surgiu o homem da máquina fotográfica. Tirou uma foto que daqui a uns bons anos, já noutro século, as pessoas guardarão numa coisa ainda por inventar que se chamará computador. Daí a bocado os noivos partirão para casa dos pais dela, que, relembramos, não fica longe da sua.

Hoje é sábado. O casamento foi há quinze dias. Logo a seguir juntaram-se aos recém-casados um cão e um gato, criaturas indispensáveis num lar mourisquense. Os homens em Mouriscas em geral fazem a barba uma vez por semana, a maioria ao sábado. Familiares dos noivos não deixaram para muito tarde a visita semanal ao barbeiro, porque à noite participam num jantar em casa dos noivos. Chama-se jantar de noivado. Estão presentes os pais, uma avó ainda viva, padrinhos e madrinhas e tios e seus filhos.

Passaram algumas semanas. Hoje é o dia do pagamento do bolo. Amigos que receberam um bolo, visitam os noivos na sua casa, que observam compartimento a compartimento, e deixam uma prenda. Os visitantes desejam muitas felicidades aos noivos e também muita saúde. Os noivos agradecem e dizem repetidamente a saúde é o principal.

São coisas que já cá encontrámos e frases parecidas ouvem-se nestas alturas. Justificam e exprimem a esperança de que se mantenham costumes como casamentos com este ritual. As coisas parecem muito estáveis. Claro que temos comboios, automóveis, telefones e outras modernices mas não se espera que alterem profundamente maneiras de viver muito enraizadas. Puro engano. Não passarão muitos anos sem tudo isto se alterar. Pessoas vivas agora vão observar mudanças que farão desaparecer muitos usos e tradições e o aparecimento de coisas novas como os casamentos à moda da cidade. Nesta altura nem sonham que isso possa acontecer. É melhor assim para não perderem a alegria que lhes vai na alma.

 

Autor deste artigo: João Manuel Maia Alves

publicado por João Manuel Maia Alves às 21:44
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Terça-feira, 24 de Maio de 2016

Casamentos à moda antiga (2)

Publicado inicialmente em 31 de maio de 2009

Vamos imaginar como se poderia ter desenrolado um casamento em Mouriscas há umas décadas.

É voz corrente que os noivos têm um bom arranjo. Em linguagem mourisquense tal significa que os pais tem muitos bens - muitos à escala mourisquense. São terras de cultivo. Os noivos vão continuar a tradição familiar do amanho da terra, numa localidade que já conta com muita gente com empregos de colarinho branco, como se há de dizer daqui a uns anos - fatores do caminho de ferro, empregados de escritório, professores primários e pessoas com cursos superiores.

Foi construída uma casa para os noivos, não longe da casa dos pais dela, que é filha única.

Em casa dos pais dos noivos desde manhã cedo se trabalha para que tudo corra bem. O noivo foi ao barbeiro. Voltou bem escanhoado. O barbeiro esmerou-se no seu trabalho e não poupou na brilhantina e na água-de-cheiro.

A meio da manhã começam a chegar às casas dos pais os convidados. Muitos tiveram de andar muitos quilómetros a pé nesta terra com um povoamento tão disperso. Um comentário se ouve da boca de muitas donas de casa – é-lhes difícil comparecer a festas porque é preciso deixar tudo tratado e os vivos dão muito trabalho. Os vivos são os animais domésticos.

Os convidados são quase todos pessoas do campo. Muitos envergam fatos novos. Alfaiates e costureiras têm tido muito trabalho. Pais, noivos e padrinhos é obrigatório estrearem fatos novos. Muitos convidados também trajam galas novas. Aos muitos sapateiros de Mouriscas não tem faltado serviço por causa de casamentos.

A elegância desta gente é a que é de esperar da época, dos gostos pessoais e do ambiente campestre. Pessoas da cidade talvez não considerem elegantes por aí além os participantes desta festa. Os rudes trabalhos do campo também não contribuem para elegâncias – os corpos são fortes mas de aspeto algo pesado. Quase todos os homens vestem fatos a pender para o escuro, usam colete, em muitos casos com uma corrente de oiro e cobrem as cabeças com chapéus. Nas mulheres também as cores escuras imperam. Algumas ostentam cordões de oiro.

Um casamento é uma festa para a miudagem. Muitos não cabem em si de contentes pela festa e pela farpela e sapatos novos. Começam a juntar-se e a fazer traquinices ou, como é comum ouvir em Mouriscas nestes tempos, a fazer judiarias, o que origina um curioso comentário: moços, nem o diabo quis nada com eles. Os convidados entretêm-se à conversa uns com os outros enquanto se servem de bolos e bebidas que cobrem longas mesas. Daí a bocado abancam para o almoço. O noivo almoça em casa dos pais entre os padrinhos, a noiva na casa que tem sido a sua, isto é, em casa dos pais, entre as suas duas madrinhas.

Alguns dos convidados já assistiram a casamentos em Lisboa e ficaram muito mal impressionados. Na sua opinião, os casamentos de gente fina não têm graça nenhuma com o que chamam copo-de-água, onde comem em pé e à mão umas coisas sem sabor nenhum, ficando no fim todos cheios de fome. Além disso, havia mulheres todas pintadas e - vergonha das vergonhas – a fumar como homens. As pessoas que vêm a este casamento não querem nada parecido. Esperam um casamento bem à moda de Mouriscas, com muito comer e alegria.

Cozinheiras especializadas em casamentos foram contratadas. Não vai faltar comida em abundância. Esta gente, quase vegetariana, nestes dois dias de festa vai consumir muita carne. Muito vinho e muita fruta, principalmente melão e melancia, não faltarão.

Acabado o alegre e abundante almoço em casa dos pais do noivo, forma-se um cortejo, que se vai dirigir à casa dos pais da noiva, a dois quilómetros de distância, por caminhos poeirentos. O noivo vai à frente, entre os dois padrinhos. A mãe ficou em casa, cuidando das operações domésticas.

À porta da casa dos pais da noiva, muito senhor do seu papel, está o dono da casa, fazendo um esforço para conter tanta alegria. Viva lá, compadre! diz para o pai do noivo. Um casamento dá origem em Mouriscas a uma complexa rede de compadres e comadres. Os pais e avós de cada um dos noivos vão tornar-se compadres dos pais e avôs do outro e dos padrinhos e madrinhas. Também os casais de padrinhos e madrinhas se tornam compadres e comadres entre si.

Os convidados do noivo entram brevemente em casa dos pais da noiva. Há muita alegria e troca de cumprimentos e comem-se mais uns bolos e engolem-se mais umas bebidas.

Agora forma-se um cortejo conjunto, que se dirige à igreja. À frente vai a noiva, ladeada pelas madrinhas, a seguir o noivo, entre os padrinhos. A noiva veste um vestido branco. Na mão leva um ramo de flores. O cortejo terá de percorrer uns três quilómetros, com algumas subidas acentuadas, até atingir a igreja. Atrás, enchendo o caminho de lado a lado, vão os convidados, com muitas mulheres separadas dos maridos. A caminho da igreja as pessoas falam do que veem e do que lhes interessa mais – aquela horta bem cuidada, as colheitas do ano, etc.

Ao fim de longo caminhar nesta tarde quente, lá chegam à igreja, um pouco atrasados, o que não deixa satisfeito o padre, que tem outros serviços marcados para o resto do dia.

Os noivos ficam lado a lado em frente do altar, ladeados pelas duas madrinhas. O sacristão pede um voluntário. Este e os padrinhos dirigem-se à sacristia. Passados alguns instantes, surgem os três, vestindo opas (capas sem manga) encarnadas. Vão colocar-se do lado direito do altar, os padrinhos segurando castiçais com velas acesas e o terceiro homem, no meio, empunhando um grande crucifixo. Quase todos sentem a solenidade do momento. Imagens de santos, que parecem pessoas vivas a olhar para os assistentes, adensam o ambiente.

Passados uns momentos surge o padre, um homem de aspeto maciço nos seus sessenta anos bem conservados. Enverga uma curta capa branca por cima de vestes negras. O sacristão veste uma opa vermelha. Virado para os assistentes e com voz forte o pároco diz, ao mesmo tempo que se benze: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Começou a cerimónia.

(Continua)

Autor do artigo: João Manuel Maia Alves

publicado por João Manuel Maia Alves às 17:07
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2016

Casamentos à moda antiga

(Artigo publicado inicialmente em 17 de abril de 2009)

Noutros tempos os casamentos em Mouriscas realizavam-se segundo um interessante ritual que se perdeu. Muitos não o conheceram. Outros recordam-no já como algo longínquo. A pensar nuns e noutros foi escrito este artigo.

Antes do mais, o que é que se pode dizer, em termos gerais, dos casamentos à moda antiga? Nos antigos casamentos havia duas festas, uma em casa dos pais do noivo, outra em casa dos pais da noiva. Cada uma dessas festas estendia-se por dois dias, com um total de dois almoços e dois jantares. A noiva tinha duas madrinhas e o noivo dois padrinhos. Na véspera do casamento os pais da noiva enviavam às madrinhas da filha tabuleiros com coisas boas para o paladar; as madrinhas retribuíam com prendas para os noivos, transportadas nos mesmos tabuleiros. Por sua vez, os pais do noivo mandavam acepipes aos padrinhos do filho, em tabuleiros que voltavam com prendas para os noivos. A amigos que não se tinha convidado mandava-se um bolo. Para a cerimónia religiosa os convidados dos pais do noivo dirigiam-se à casa dos da noiva. Depois formava-se um cortejo com todos os convidados, o qual se dirigia à igreja. Uns dias depois do casamento realizava-se um jantar para a família mais chegada. Chamava-se noivado. Tempos depois era o dia do “pagamento do bolo”. Uma pessoa que tinha recebido um bolo visitava os noivos na sua casa, desejava-lhes todas as felicidades deste mundo, via os aposentos e deixava uma prenda.

Gostariam certamente de saber ou recordar com mais pormenores como eram os casamentos à moda antiga, bem diferentes dos de agora. Então, vamos desenvolver o assunto um pouco; talvez encontremos coisas interessantes. Infelizmente, por ignorância ou falhas de memória ou simplesmente por falta de talento narrativo do autor, alguns aspetos interessantes não serão mencionados ou não receberão a atenção devida. Vamos imaginar como poderia ser um casamento em Mouriscas há umas décadas.

Hoje é um calmoso dia de agosto. Em casa dos pais dos noivos vai uma grande azáfama, ou estrefuga para usar um termo mourisquense, por causa do casamento, que se realizará amanhã. As casas foram caiadas. Os pátios estão cobertos de junça. Já se fizeram muitos bolos, grandes e pequenos, muito arroz-doce e outras coisas agradáveis ao paladar.

Alguns animais foram sacrificados para celebrar o feliz acontecimento. Quando se lhe casa um filho, qualquer família, pobre ou rica, quer realizar um casamento que não a deixe envergonhada perante a comunidade. Não pode faltar boa comida para um bom número de convidados.

A noiva será acompanhada à igreja por duas madrinhas. Uma é a do batismo. A outra foi convidada para ser madrinha do casamento. Pode acontecer que esta e a madrinha se tratem por tu. Nesse caso, a madrinha continuará a tratar a noiva por tu. Quanto à noiva, deixará de tratar a madrinha por tu. O marido desta madrinha passará a ser tratado por padrinho pelos noivos.

Também o noivo terá no casamento dois padrinhos – o do batismo e um outro convidado para o efeito. A mulher deste será tratada por madrinha pelos noivos. O noivo deixará de tratar por tu o novo padrinho se o fazia antes.

Ao fim da tarde desta véspera do casamento, saem da casa dos pais dos noivos umas mulheres com uns longos tabuleiros, chamados fretes, à cabeça. Dirigem-se às casas dos padrinhos e madrinhas. Cobertos de panos brancos, os tabuleiros levam bolos e outros doces, peças de carne e outras coisas agradáveis ao paladar. Os tabuleiros são a seguir transportados para a casa dos noivos com prendas dos padrinhos.

Muita gente foi convidada – parentes chegados dos pais e pessoas muito amigas. Há amigos que não foram convidados, devido a limitação do número de pessoas a convidar ou porque é menor o grau de proximidade. A esses foi enviado um bolo.

O casamento realiza-se amanhã às quatro. É o que foi combinado com o pároco, que pediu pontualidade.

No próximo artigo veremos como vai decorrer este casório

Autor do artigo: João Manuel Maia Alves

 

publicado por João Manuel Maia Alves às 00:29
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Terça-feira, 6 de Maio de 2014

Alcino Serras - atleta de alta competição e charadista

 

  

Alcino Luís Simão de Matos Serras nasceu em Abrantes, sendo filho dos mourisquenses Alcínio Dias de Matos Serras, que foi bancário e professor, e Maria Antonieta Cadete Simão de Matos Serras, professora do ensino primário de várias gerações de crianças, em Mouriscas e noutras localidades. O pai pertence ao reduzido número de charadistas portugueses a sério, tendo-lhe sido dedicado um artigo que se pode ler clicando aqui.  Alcino Serras seguiu as pisadas do pai no que respeita ao charadismo, além de se ter cotado como atleta profissional de alta craveira. Casou com com Maria do Rosário Martins, também charadista.

Alcino Serras é descendente, por parte do pai,  de António Ferreira Santana, nascido em 1789, em Alagoa, concelho de Portalegre, e de Luísa Lopes, nascida por volta de 1801, na Cabeça de Alconde, da freguesia de S. Vicente, do concelho de Abrantes. Deste casal descendem os Santanas com origem em Mouriscas.

Alcino Serras tem uma forte ligação a Mouriscas, onde residem os pais, passando muito tempo nas Ferrarias e nas Varandas, dois dos lugares da freguesia.

Transcreve-se a seguir, com a devida vénia, o texto dum artigo sobre Alcino Serras, sobre a sua carreira de atleta e charadista, publicado no suplemento Charadistas com História, do número 524 de O Charadista. Antes é necessário esclarecer que os charadistas usam pseudónimos no seu meio; o de Alcino Serras é Serrote, o do seu pai Aldimas  e o da esposa Rosário. No artigo os nomes a negrito são pseudónimos de charadistas.

Serrote

Alcino Luís Simão de Matos Serras nasceu em Abrantes, em 19 de Dezembro de 1965. Como todos os miúdos, imita o pai: Alcínio Serras - Aldimas -, quer nas suas actividades de lazer físicas (concursos de pesca) ou intelectuais. No final da década de '70, acompanha as reuniões da extinta Tertúlia Abrantina, formada pelos saudosos Almar e Johnny Hazard, e o "desaparecido" Rapsag, pelo resistente Aldimas e onde já aparece o Serrote. Todos os dias, após o almoço, estudavam os problemas pendentes e a melhor forma de os solucionar. Recorda-se com saudade de algumas palavras cruzadas muito difíceis, na secção Miolos na Grelha da revista Passatempo.

Em '80, inicia o curso de Engenharia Química Industrial, em Tomar, que só irá terminar em 91, após o serviço militar nas Operações Especiais, em Lamego. Inicia-se, profissionalmente, leccionando Matemática e Química em algumas escolas secundárias. Actualmente, trabalha no Instituto Politécnico de Tomar, cidade onde vive. 

Em 1992, casa com a Rosário, que também gosta de enigmas. Nesse ano, para dar uso a um presente de Natal (uma bicicleta) enceta outra actividade: o desporto de competição. Começa com as provas de BTT (Bicicletas de Todo-o-Terreno), obtendo a primeira vitória em 1994, na Taça de Portugal, disputada em Paderne, Algarve, culminando em 1999 com o Título de Campeão Nacional, em Alcabideche, Cascais. Entretanto, envereda pelo Duatlo - em geral são 10 km de corrida, 40 km de bicicleta e mais 5 km de corrida. Nesta modalidade, vence a Taça de Portugal, em 2001, e o Campeonato Nacional, no Cartaxo, em 2005, e obtém o 10.º lugar no Campeonato da Europa de 2001, disputado em Mafra, e que lhe dá o estatuto de atleta de alta competição. Pelo meio há incursões no Triatlo, sendo Campeão Nacional de Triatlo Longo, em 2004, em Idanha-a-Nova, que se desenrola nas distâncias de 3,8 km a nadar, 180 km de bicicleta e, por fim, 42 km a correr - cerca de 9 horas de exercício!

Em 2007, entra noutra modalidade: o Ultra-trail. São provas de corrida pedestre por trilhos de montanha em distâncias que vão dos 42 aos 300 km. A primeira foi na Serra da Freita, Arouca, de 50 km, saindo vitorioso. Aqui destaca a vitória no Ultra-trail do Aneto, em 2009: prova de 80 km disputada nos Pirinéus espanhóis, com passagens acima dos 3000 m. No final, entre 500 participantes, acaba em 1.º lugar, com perto de 30 minutos de avanço. Destaque ainda para a vitória na primeira prova de 100 km disputada em Portugal, em 2011, na Serra da Estrela. Que palmarés!

Nos últimos dois anos, tem estado um pouco afastado devido a algumas lesões, mas continua a sonhar com novos desafios. Com grande satisfação e serenidade, passou a dedicar mais tempo ao charadismo, com a Rosário e seu pai, participando agora com maior assiduidade nos passatempos de Portugal e Brasil.   Magno.

 

O administrador deste blogue agradece a autorização, através de Alcínio Serras, pai de Alcino Serras, para transcrever este artigo, o que constitui uma honra e uma valorização para esta página da Internet.

 

publicado por João Manuel Maia Alves às 16:41
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012

Paulo Lourenço – trabalho, mérito e sucesso (cont.)

Paulo Lourenço participou ativamente nas negociações entre a UEFA, o Governo português e a Federação Portuguesa de Futebol para a constituição da Sociedade Euro 2004 SA, que iria organizar o torneio realizado em Portugal. Além disso era especialista em direito fiscal, tendo estado ligado à elaboração da lei sobre a fiscalidade das sociedades anónimas desportivas (SAD' s), dispondo por isso de conhecimentos de que a Sociedade Euro SA necessitaria dado o seu regime especial em matéria fiscal. Aliás, esteve ligado a grande parte da legislação feita por ocasião do Euro 2004. A nomeação de Paulo Lourenço para administrador da Sociedade Euro 2004 surge, assim, como natural.

Depois do Euro 2004, Paulo Lourenço continuou ligado ao desporto-rei, passando em 2005 a assessor jurídico da Federação Portuguesa de Futebol, coordenando também as áreas administrativa e financeira.

Foi como assessor jurídico da Federação Portuguesa de Futebol que Paulo Lourenço em 2007 acompanhou Luiz Felipe Scolari, selecionador de Portugal, à sede da UEFA, na Suíça. Num jogo com a Sérvia, Scolari teve uma intervenção junto do jogador sérvio Dragutinovic que lhe valeu uma suspensão de quatro jogos. Essa deslocação de Paulo Lourenço mereceu na altura ampla divulgação nos meios de comunicação. Paulo Lourenço tornou-se muito amigo do brasileiro Scolari, mantendo os dois até aos dias de hoje frequente correspondência.

Em fevereiro de 2012, Paulo Lourenço teve uma reunião na sede da Federação Portuguesa de Futebol com uma delegação brasileira composta pelo vice-ministro do Desporto do Brasil, Luís Fernandes, e pelo Diretor de Excelência e Promoção de Eventos do Ministério do Desporto, Marco Aurélio Klein. A delegação brasileira estava interessada em recolher informações sobre a organização do Euro 2004, já que o Brasil vai receber o Mundial de Futebol de 2014.

 

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Paulo Lourenço e a delegação brasileira

 

Em declarações ao site da Federação, Paulo Lourenço disse que “esta reunião foi solicitada para darmos a conhecer a nossa experiência e as dificuldades que encontrámos na organização do Euro 2004. Demos conta do modelo organizativo adotado - a criação de uma sociedade comercial em conjunto com a UEFA. Falámos de questões relacionadas com a segurança - as especificidades e as cautelas que é necessário ter nesta área -, de questões relacionadas com o marketing e com a defesa que é preciso fazer aos patrocinadores, de questões legais - da legislação específica que tem de ser criada para o evento -, da articulação que tem de existir entre a organização do Campeonato do Mundo e as cidades anfitriãs. Falámos ainda das questões relacionadas com as infraestruturas – a construção de estádios, de estradas e restantes vias de comunicação: aeroportos, etc.”

Chegados aqui apetece dizer duas coisas. A primeira é que, felizmente, depois do Euro 2004 o cabedal de experiência e conhecimentos acumulados por Paulo Lourenço foi aproveitado em novos projetos ligados ao futebol. A segunda para dizer que a nomeação, em agosto do corrente ano, de Paulo Lourenço como secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol aparece como consequência lógica dum percurso.

Como secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol, Paulo Lourenço sucedeu a Ângelo Brou, um homem com um passado de dirigente desportivo e de diretor-geral de importante empresa do ramo farmacêutico e seu colega no Conselho de Administração da Sociedade Euro 2004, sendo na altura também um dos vice-presidentes da Federação Portuguesa de Futebol. Isto mostra a importância do cargo de secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol e o relevo que merece. Mas o que é a FPP e quais as funções do seu secretário-geral?

A Federação Portuguesa de Futebol, fundada em 1914, tem, de acordo com o seu site, “ por principal objeto promover, regulamentar e dirigir, a nível nacional, o ensino e a prática do futebol, em todas as suas variantes e competições.” O futsal e o futebol de praia são variantes do futebol. A Federação Portuguesa de Futebol tem uma diretora para o futebol feminino, que sem a projeção do praticado por homens, tem torneios a nível nacional e internacional. A Federação Portuguesa de Futebol funciona num moderno edifício de doze andares, num local muito central da capital. Tem numerosos serviços e dezenas de funcionários.

Na cúpula da Federação Portuguesa de Futebol encontramos a Direção, com um presidente e vários vice-presidentes, escolhidos pelos clubes em eleições. De harmonia com o site da Federação Portuguesa de Futebol, “compete ao Secretário-Geral da Federação Portuguesa de Futebol exercer as funções administrativas que lhe sejam atribuídas pela Direção e assegurar, sob a orientação do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, os contactos com os organismos internacionais que tutelam o futebol”. Note-se que o secretário-geral participa nas reuniões da Direção e da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol. Portanto o secretário-geral gere a máquina administrativa da Federação Portuguesa de Futebol. Pode comparar-se ao diretor-geral duma empresa comercial.

Em 1993 Paulo Lourenço começou a dar aulas de Fiscalidade e Direito Fiscal no ISCAL (Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa). Em 2003, a escassos meses do início do Euro 2004, suspendeu a atividade letiva, a qual foi retomada em 2005.

Entre 1993 e 1996 deu igualmente aulas de Fiscalidade na Academia Militar. A Fiscalidade é hoje assunto importante; também o é na formação de oficiais do exército que prestem serviço nas forças militarizadas, que têm de estar preparados para o combate ao crime económico.

De 1993 a 1997 deu aulas sobre IVA no IESF (Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais).

Desde 2005, Paulo Lourenço tem dado aulas de Fiscalidade na UAL (Universidade Autónoma de Lisboa), onde também é diretor do departamento de desporto.

A partir de 2005, Paulo Lourenço exerceu a advocacia especializada em Fiscalidade.

Paulo Lourenço ficou sempre muito ligado a Mouriscas, que visita frequentemente. Fez teatro e jogou futebol no Grupo Recreativo e Desportivo “Os Esparteiros”. Fez parte do Gripo Etnográfico “Os Esparteiros”, tendo sido seu vocalista durante vários anos, em atuações por todo o país.

Em linhas gerais este é o percurso de vida de Paulo Lourenço. Teve oportunidades, que soube merecer e aproveitar. Tem sido uma vida com muito trabalho e estudo. Faz jus ao título deste artigo e do anterior: Paulo Lourenço - trabalho, mérito e sucesso.

 

 

* O administrador deste blogue agradece a Paulo Lourenço as informações fornecidas para redação deste artigo.

publicado por João Manuel Maia Alves às 11:16
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012

Paulo Lourenço – trabalho, mérito e sucesso

 

 

O mourisquense Paulo Lourenço foi recentemente nomeado secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol. Trata-se dum cargo importante e que confere uma certa notoriedade. Vamos ver quem é Paulo Lourenço e o que tem feito.

Paulo Manuel Marques Lourenço nasceu em 21 de maio de 1961, no Casal Pita, Mouriscas, sendo filho de Amândio da Conceição Lourenço e de Maria Rosa Marques Grilo.

Por parte do avô paterno, Paulo Lourenço descende em sexto grau de António Ferreira Santana, nascido em 1789, em Alagoa, concelho de Portalegre, e de Luísa Lopes, nascida por volta de 1801, na Cabeça de Alconde, da freguesia de S. Vicente, do concelho de Abrantes. Deste casal descendem os Santanas com origem em Mouriscas.

Por parte da sua avó paterna, é bisneto de Francisco Marques Amante, um homem que indiscutivelmente faz parte da história de Mouriscas. A sua Pirotecnia Ribatejana, fundada em 1890, levou a beleza e a alegria do fogo de artifício a inúmeras terras de Portugal e mesmo ao estrangeiro e domínios ultramarinos, tendo recebido numerosos prémios. O único senão desta atividade, que levou o nome de Mouriscas a todo o país, foram os desastres, uns dos quais vitimou José Lourenço, avó paterno de Paulo Lourenço.

Paulo Lourenço também pertence à família Esparteiro, que teve origem em Manuel Marques, que casou com Felícia da Conceição para o Casal Pita, onde nasceu Paulo Lourenço. Ainda no século XIX este mourisquense dedicou-se ao fabrico de seiras e capachos para lagares de azeite, arte que teria aprendido na vizinha freguesia de Valhascos. Passou a ser conhecido e tratado por Esparteiro ou Mestre Esparteiro. Talvez tenha usado o nome de Manuel Marques Esparteiro; nos registos de nascimento dalguns netos é esse o nome por que é referido. Os filhos e outros descendentes tiveram ou têm Esparteiro como apelido. Uma das suas filhas, Francisca da Conceição, casou com o referido Francisco Marques Amante, sendo portanto bisavó de Paulo Lourenço. Entre as pessoas importantes saídas desta família temos um governador de Macau, um autor de dicionários de termos de marinharia, um professor de matemática da Universidade de Coimbra e, na atualidade, o ator Luís Esparteiro.

Paulo Lourenço fez a primeira classe do ensino primário na escola que funcionou na parte sul de Mouriscas. Depois foi para Camarate, onde fez dois anos do ensino secundário, que continuou e terminou no Liceu D. Dinis, em Lisboa.

Terminados os seus estudos secundários, matriculou-se em Direito, dando seguimento a uma vocação que sentia. Frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa nos anos 1982-1987 e aí se formou. Entre os manuais que estudou enquanto frequentou a Faculdade de Direito contam-se os do Juiz Conselheiro Manuel Lopes Maia Gonçalves, reconhecida autoridade em Direito Penal e, como Paulo Lourenço, mourisquense e membro da família Santana.

Nos dois anos que se seguiram à conclusão do seu curso, Paulo Lourenço preparou-se para o ingresso no mercado de trabalho: fez o estágio para a profissão de advocacia e concorreu a diversos empregos.

De 1989 a 1996 trabalhou na Direção Geral dos Impostos como técnico jurista. Dava pareceres e ia a reuniões em Bruxelas.

Em 1996 começou um novo desafio para Paulo Lourenço com a sua escolha para assessor de António Carlos dos Santos, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, da equipa do Ministro das Finanças, Sousa Franco. Era, na verdade, um desafio para o Secretário de Estado e para toda a sua equipa; com muita atividade e entusiasmo produziram uma importante reforma que introduziu mais equidade no sistema fiscal levando ao pagamento de impostos de atividades até aí não abrangidas. No exercício das suas funções, Paulo Lourenço viajou até ao Brasil e Estados Unidos numa missão do BID (Banco Interamericano para o Desenvolvimento) destinada a introduzir nesses países um sistema semelhante ao IVA europeu.

Durou até 1999 a experiência de Paulo Lourenço no Ministério das Finanças, ano em que houve eleições legislativas e substituição da equipa do Ministério das Finanças. Nesse ano ingressou na BDO, empresa multinacional de auditoria e consultoria, de que foi diretor. A BDO é a sexta maior organização mundial no seu ramo de atividade.

O fim do século XX traria um novo desafio para Paulo Lourenço, desta vez relacionado com a alta-roda do futebol nacional e internacional. Vamos ver como.

Vencendo renhido concurso internacional, Portugal foi escolhido em outubro de 1999 para organizar o Campeonato Europeu de Futebol 2004 (Euro 2004), ou mais exatamente a fase final desse campeonato. Nele participariam a seleção portuguesa e mais quinze seleções nacionais que conseguiriam apurar-se. Era uma grande honra para o país, mas também uma pesada responsabilidade organizar o terceiro maior evento desportivo do mundo. Se Portugal falhasse, a credibilidade do país e dos seus dirigentes, políticos e desportivos, seria afetada e difícil de recuperar.

Para organizar o Euro 2004 foram criadas duas empresas: uma para a criação de infraestruturas e outra, a sociedade Euro 2004, SA, para a área desportiva. A Euro 2004 teve três acionistas: a UEFA, com 54% das ações, a Federação Portuguesa de Futebol, com 41%, e o estado português, com os restantes 5%. A UEFA (Union of European Football Associationsé o órgão máximo do futebol europeu. O Conselho de Administração da Euro 2004, S.A. foi constituído por sete membros, uns representando a UEFA e outros a Federação Portuguesa de Futebol. Gilberto Madaíl, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, presidiu ao Conselho e Mathieu Sprengers, tesoureiro da UEFA, foi vice-presidente. Os outros cinco membros foram Ângelo Brou, Jacob Erel, Lars-Åke Lagrell, Paulo Lourenço e Lars-Christer Olsson. Havia várias nacionalidades no Conselho, pelo que o uso do inglês e do francês era constante.

Paulo Lourenço foi escolhido para a administração da Euro 2004 conjuntamente por Gilberto Madaíl e por Fernando Gomes, que tinha sido bem conhecido presidente da Câmara Municipal do Porto e agora era Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro e Ministro da Administração Interna e tutelava a área do desporto. Foram-lhe atribuídos os pelouros administrativo, jurídico e informático. É evidente que esta nomeação era uma honra para Paulo Lourenço, nos seus 39 anos, mas as responsabilidades que acarretava eram de fazer tremer as pernas a muitos. Exigiam uma personalidade amadurecida, domínio das áreas supervisionadas, capacidade de trabalho e dois predicados que se podem aperfeiçoar mas não nascem com a pessoa – capacidade de chefia e de tomar decisões. Uma responsabilidade acrescida derivava de trabalhar com pessoas com muitos anos de experiência em organismos como a Federação Portuguesa de Futebol e a UEFA.

A prova decorreu entre 12 de junho e 4 de julho sem grandes incidentes, sendo considerada pela UEFA como o melhor e mais bem organizado campeonato europeu de futebol até então disputado. Durante algumas semanas a atenção do mundo esteve virada para Portugal. Cerca de um milhão de turistas visitou o país nesse período, aos quais se juntaram mais de 2.000 voluntários e 10.000 jornalistas de todo o mundo. Portugal mostrou capacidade para organizar um grande evento desportivo. O mourisquense Paulo Lourenço foi uma peça importante do êxito.

 

(Continua)

publicado por João Manuel Maia Alves às 09:21
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012

Major-general médico Carlos Alberto Maia Dias

 

 

Carlos Alberto Maia Dias nasceu em 10 de janeiro de 1946, na Quinta de S. António, no Tojal, em Mouriscas. Foram seus pais José Dias Lourenço, conhecido por José Dias, e Martinha da Assunção Maia Valente. Tanto por parte da mãe como pela parte do pai, descende de António Ferreira Santana, nascido em 1789, em Alagoa, concelho de Portalegre, e de Luísa Lopes, nascida por volta de 1801, na Cabeça de Alconde, da freguesia de S. Vicente, do concelho de Abrantes. Deste casal descendem os Santanas com origem em Mouriscas.

Completada a escola primária em Mouriscas, ingressou no extinto Colégio Infante de Sagres, da mesma localidade, e aí completou o antigo 5.º ano do liceu. Até ao fim dos seus estudos em Mouriscas viveu com os avós maternos, Maria José Lopes Maia e António Cordeiro Valente, que residiam na Quinta de S. António, a que muitos chamam simplesmente a Quinta, para onde casaram, em 11 de outubro de 1820, António Ferreira Santana e Luísa Lopes, o casal que deu origem à referida família Santana. Passava as férias com os pais, em sítios variados do país, por motivo de o pai ser ferroviário.

Seguiram-se o 6.º e o 7.º do liceu, em Santarém, onde o pai estava colocado, com vista a frequentar o curso de medicina, um sonho antigo. Diga-se que  desde o terceiro quartel do século XIX até à atualidade tem havido médicos na família Santana, um dos quais, Carlos Alberto Raposo Santana Maia, atingiu o cargo de bastonário da Ordem dos Médicos e é filho do também médico mourisquense João Santana Maia, tio e padrinho de Carlos Maia Dias. O primeiro desses médicos da família Santana também nasceu na Quinta de S. António. Chamava-se José Ferreira Santana e nasceu em 4 de abril de 1845, mais de um século antes de Carlos Maia Dias.

Carlos Maia Dias fez o primeiro ano de medicina em Lisboa e o segundo e terceiro em Coimbra, terminando o curso em Lisboa.

Frequentava o terceiro ano do seu curso quando foi lançado um concurso para estudantes de medicina que quisessem ingressar na Força Aérea. Tendo sido aceite, recebeu nas férias do terceiro para o quarto ano instrução militar em Tancos, terminada a qual passou a aspirante a oficial. Assim ingressou nas Forças Armadas, totalmente entregue ao estudo de medicina até terminar o curso. Em 1970 acabou o curso e passou a fazer parte do quadro permanente, como médico da Força Aérea Portuguesa. Fez em Paris uma especialização de medicina aeronáutica, ramo da medicina vocacionada para a seleção e acompanhamento dos pilotos-aviadores civis e militares. A seguir, foi  mobilizado para Moçambique, já como capitão médico.

De volta a Portugal, já depois do 25 de Abril, passou a exercer medicina aeronáutica no Hospital da Força Aérea e no Cento de Medicina Aeronáutica. Especializou-se, entretanto, em estomatologia, que passou a exercer conjuntamente com medicina aeronáutica.

Em fins de 1980 foi para os Estados Unidos para frequentar o curso avançado de medicina aeronáutica e foi convidado para o cargo de subdiretor do Centro de Medicina Aeronáutica. Já no posto de coronel, passou a diretor do Centro de Medicina Aeronáutica.

Fez o curso para oficial general na Academia da Força Aérea Portuguesa,em Sintra. Promovido a major-general, foi nomeado diretor do Serviço de Saúde da Força Aérea Portuguesa, cargo que desempenhou até à sua reforma, em 2002.

No desempenho das suas funções militares visitou numerosos países, como os Estados Unidos, o Brasil, a Argentina e o México. Participou em várias operações de evacuação, nomeadamente operações de evacuação em 1976 de civis timorenses, a partir da Indonésia, que tinha invadido esse antigo território português.

Foi o representante português da medicina dentária na NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Depois da sua vinda de Moçambique, em 1975, Carlos Maia Dias exerceu estomatologia como atividade privada, paralelamente às suas funções militares.

Começou a colaborar com a Caixa Geral de Depósitos em 1983, como médico de estomatologia dos Serviços Sociais dessa instituição. Depois da sua reforma da Força Aérea trabalhou a tempo inteiro nos Serviços Sociais da Caixa Geral de Depósitos até se reformar desta atividade, de que foi coordenador dos serviços de estomatologia.

Atualmente é coordenador do Centro de Medicina Aeronáutica do INAC (Instituto Nacional de Aviação Civil), na Clínica CUF-Alvalade.

Casou em 1979 com Maria de Fátima Nogueira, professora com funções de direção no Colégio Valsassina,em Lisboa. O casal tem dois filhos – um médico e o outro licenciado em Ciências da Comunicação e profissional da área de publicidade e marketing. É irmão de Maria José Maia Dias, professora e farmacêutica, e cunhado do Coronel Ramiro Pita Baptista.

Tem como hóbis a caça, o tiro e atividades marítimas.

Carlos Alberto Maia Dias continuou sempre muito ligado a Mouriscas, que visita quase todos os fins de semana. Em linhas gerais, este é o seu percurso de vida, que merece ser conhecido dos seus conterrâneos.

* O administrador deste blogue agradece a Carlos Alberto Maia Dias as informações fornecidas para redação deste artigo.

 

  

 

publicado por João Manuel Maia Alves às 10:11
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

Curioso costume

Este artigo foi publicado neste blogue, com o título Antigamente ao domingo, em 9 de junho de 2005. 

Em Mouriscas há vários sítios onde as pessoas se juntam ao domingo. Décadas atrás juntavam-se em maior número nesses locais. Alguns desses sítios são a Estalagem, o Carril, o Cotovelo, as Ferrarias, os Engarnais Cimeiros, a Bagaceira e os Cascalhos. Neles se juntavam homens, que as mulheres ficavam em casa. A Estalagem, no centro da freguesia, atraía gente de todos os lugares, ao passo que aos outros sítios afluía principalmente gente de lugares próximos.

Depois do almoço homens começavam a afluir aos seus lugares preferidos. Vestindo, em geral, camisa branca, gravata preta, casaco e calças de cor escura, tudo com a qualidade e a elegância condizentes com o gosto e o pouco dinheiro da época, era vê-los caminhar para os locais onde podiam tratar dos problemas da sua vida ou simplesmente conversar e espairecer um pouco no intervalo entre duas semanas de duro labor físico. Um luto recente exigia camisa preta. Na cabeça usava-se um chapéu ou um boné.

Houve um tempo em que os homens transportavam ao domingo um objeto quase obrigatório – uma bengala. Tratava-se umas vezes dum tosco cajado, noutros duma vara de junco com uma ponta virada que se podia enfiar no braço.

Perto destes locais de encontro havia tabernas onde se podia tomar bebidas alcoólicas como vinho e aguardente e bebidas gasosas. Quem se lembra ainda da agradável bebida gasosa chamada pirolito? Para quem não saiba, no pirolito em vez de tampa externa havia uma bola de vidro mantida internamente sob pressão contra o buraco da garrafa. Para se abrir o pirolito empurrava-se a bola para baixo. Para acompanhar as bebidas havia tremoços e amendoins, em Mouriscas chamados ervilhanas.

Por volta de 1950 surgiram os primeiros cafés, que começaram a atrair fregueses e a mudar os hábitos das pessoas, mas houve quem nunca trocasse o café pelo vinho.

Nos anos 50 havia dois campos de futebol em Mouriscas – um na Várzea, na parte norte, e outro na Lameira Redonda, na parte sul. Os jogos disputados nestes campos eram vistos por muita gente. Muita dela não perdia nem o futebol nem as reuniões nos sítios do costume.

Alguns homens recolhiam  cedo a casa. Outros deixavam-se ficar até tarde, entregues à conversa e à bebida, chegando a casa por volta da meia-noite, ou mais tarde ainda, por vezes bastante alegres.

Na Estalagem, isto é no centro da freguesia, onde se cruzam a estrada de Abrantes e a do Sardoal, havia um costume engraçado. Muitos homens conversavam na rua em grupos. Às vezes via-se num deles um rapaz já admitido, pela idade ou pelo desempenho profissional, ao convívio e às conversas dos homens. O estranho é que muitos homens tinham o hábito de ficar no meio da estrada. Vinha um automóvel e afastavam-se. O automóvel passava e eles voltavam ao meio da estrada. Não era um hábito muito recomendável, mas não consta que tenha causado acidentes. Por certo muita gente se lembrará ainda deste curioso costume de outras épocas e gostará de o lembrar. Outros gostarão de saber.

publicado por João Manuel Maia Alves às 08:40
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Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Notícia de 1901

O jornal Echo do Tejo, que se publicou em Alvega, deu na sua edição de 10/2/1901 uma notícia em que se fala de José Ferreira Santana, um mourisquense ilustre dos séculos XIX e XX. No artigo é apelidado de "o mais illustre de todos os nossos patricios". Como se trata de pessoa que merece ser conhecida dos mourisquenses de hoje, reproduz-se aqui esse artigo, com a manutenção da ortografia, que quase não usava acentos.

As fotografias foram acrescentadas, bem como algumas notas sobre José Ferreira Santana e outras consideradas necessárias à boa compreensão do artigo.

 

Mouriscas

A commissão executiva constituida para levar a efeito a construcção d'uma egreja n'esta freguezia é composta dos seguintes ca­valheiros: Dr. José Ferrei­ra Sant’ Anna (1), presidente; José Maria Lourenço, vice-presidente; P.e Henrique d' 0liveira Neves (2), secreta­rio; Victorino Augusto, thesoureiro e vários vogaes.

O nosso illustre patrício dr. Sant’Anna volta bre­vemente a esta freguezia, hospedando-se, ao que se nos consta, em casa do seu sobrinho e afilhado Angelo Lourenço de Sant’Anna. Alguma cousa se tem dito contra o nosso benemerito patricio, affirmando-se que sua Ex.ª quer fazer politica com as suas offertas. Não sabe­mos se é verdadeiro tal boato, mas se o for, aben­çoada politica, que fructifica tão generosamente a favor do engrandecimento d'esta freguezia tão despresada pelos poderes pu­blicos. O melhoramento mais importante feito em nossa vida nas Mouriscas foi a casa da residencia parochial, devida aos es­forços e zelo do Sr. Commendador Symphoriano Pólo, onde se gastaram 430$000 réis, quantia muito inferior á offerecida de uma só vez pelo nosso patricio.

 

José Ferreira Santana

 

Convencidos estamos de que sua Ex.ª pos­suidor d'uma avultada for­tuna e d'uma posição in­dependente, pouco se im­portará com a política; mas se o seu fim for polí­tico, posso asseverar que n'esta freguezia alguma coisa fará, não só pela sua generosidade, mas porque a sua parentella é numerosa. e porque é o mais illustre de todos os nossos patrícios. O que com se­gurança podemos desmen­tir é que:sua ex.ª se mos­tre hostil ao antigo depu­tado por este circulo e actual par do reino o sr. Avellar Machado (3), e até em varias conversações que teve comnosco, mostrou sempre grande sympathia por tão prestante cavalhei­ro. Lastimamos que hou­vesse quem empregasse o seu tempo trabalhando pa­ra levantar discórdias, o que certamente não conseguiu, porque o Sr. Sant’Anna continua mere­cendo a amisade do Sr. Avellar Machado e as sympathias dos nossos patri­cios.

 

Avelar Machado



 NOTAS

(1)  José Ferreira Santana

José Ferreira Santana (1845-1825), nasceu na Quinta de S. António, no Tojal, Mouriscas, sendo filho de António Ferreira Santana (1789-1875), de Alagoa, Portalegre, e de Luísa Lopes (aprox. 1801 – 1870), da Cabeça de Alconde, hoje pertencente à freguesia de Alferrarede. António Ferreira Santana foi almocreve e deu origem à família Santana, hoje dispersa por toda a freguesia de Mouriscas e muitas outras localidades. Deve-se-lhe a construção em Mouriscas do memorial do Senhor dos Aflitos.

José Ferreira Santana foi médico, comendador e homem muito culto, elegante e viajado. Casou com uma senhora de Carnide muito abastada, vivendo num palácio dessa localidade, situado na Rua da Fonte, que foi conhecido por Palácio do Dr. Santana. Muito amigo da família, em sua casa se alojaram, enquanto estudantes, vários sobrinhos, a quem proporcionou proteção e formação que lhes permitiu ocuparem lugares de relevo. Depois de enviuvar, viveu em Alvega, onde foi pároco o irmão Padre Severino Ferreira Santana e para onde também casaram duas sobrinhas criadas pelo Padre Severino. Em Alvega construiu um palacete acastelado, com uma Santa Ana na esquina, junto à igreja matriz.

O Padre Severino Ferreira Santana, irmão de José Ferreira Santana, também foi um homem notável e figura importante do passado mourisquense. Foi-lhe dedicado um artigo em http://motg.no.sapo.pt/p14.htm.

(2) P.e Henrique d' 0liveira Neves

O P.e Henrique d' 0liveira Neves ficou célebre na história de Mouriscas. Implantada a república, em 1911, aceitou uma pensão do estado, contra a vontade da sua hierarquia, que o excomungou. A sua recusa em abandonar a igreja matriz, onde continuou a exercer as suas funções, levou a um longo conflito político-religioso, sobre o qual se pode ler um artigo em http://motg.blogs.sapo.pt/26306.html.

(3) Avelar Machado

José Alves Pimenta de Avelar Machado (1848-1909), nascido no Rossio ao Sul do Tejo, destacou-se  pela sua intervenção política. General de Engenharia, representou Abrantes como deputado do Partido Regenerador durante quase vinte anos.  Foi também par do reino. Os pares do reino formavam uma segunda câmara legislativa, sendo nomeados ou eleitos indiretamente.

Graças a Avelar Machado,  Abrantes obteve o abastecimento de água potável, através de uma central considerada das mais potentes até então. A construção da maior parte dos edifícios escolares do concelho, de estradas reais e municipais e a criação de estações telégrafo-postais fazem parte da vasta iniciativa de Avelar Machado.  Em sua homenagem foi erigido um monumento na Praça Barão da Batalha, em Abrantes.

publicado por João Manuel Maia Alves às 17:38
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Chuva de estrelas nas festas do Espírito Santo

O que se segue, numa cor diferente, é uma transcrição da brochura que a comissão das festas do Espírito Santo de 1964 elaborou.

AS FESTAS DE VERÃO e os seus Programas de Variedades

Nem sempre tem sido possível trazer às nossas Festas a atuar nos seus programas de variedades os artistas desejados. Uns, por impossibilidade de se deslocarem nas datas exigidas, outros, por se tomarem incomportáveis para nós os honorários exigidos. Apesar disso, Mouriscas teve já oportunidade de ver e ouvir, através dos Programas, alguns dos maiores artistas da Rádio, T.V. e Teatro e alguns dos melhores agrupa­mentos folclóricos do País. Eis alguns dos que nos lembramos:

Maria de Lourdes Resende
Eugénia Lima
Maria de Fátima Bravo
Anita Guerreiro
Mimi Gaspar
Simone de Oliveira
Gina Maria
Alice Amaro
Maria Candal
Marina Neves
Lina Maria
Maria Cândida
Leónia Mendes
Cidaliza do Carmo
Estela Alves
Maria Fernanda Soares
Maria Helena Silva
Maria Eduarda
Cândida Viana
Fernanda Paula
Helena Moreira Viana
Fernanda Guerra
Rui de Mascarenhas
Tristão da Silva
Luís Piçarra
Max
Tomé de Barros Queirós
Manuel Fernandes
Artur Ribeiro
Loubet Bravo
Paulo Alexandre
Carlos do Nascimento
Humberto de Castro
Hélder António
Silva Tavares
Miguel Simões
Carlos Lacerda
João Viegas
Fernando Ribeiro
Vitorino Matono
Carlos Areias
Jerónimo Bragança
João Aleixo
Raul Nery
José Nunes
Júlio Gomes
Yola e Paulo
Adoración e José Luís
Pilarim Santana
Rancho “Tá-Mar” da Nazaré
Rancho Folclórico da C. P. do Cano
Rancho Folclórico do Cartaxo
Rancho Folclórico de T. Novas
Rancho Folclórico de Riachos
Rancho Infantil de Almeirim
Orquestra Típica Albicastrense.

Estes nomes pouco dirão às gerações atuais. No entanto, deles constam grandes nomes da rádio e do espetáculo, como, por exemplo:

  • Acordeonistas como Eugénia Lima e João Aleixo;
  • Cançonetistas como Maria de Lourdes Resende, Maria de Fátima Bravo, Mimi Gaspar, Maria Fernanda Soares, Tristão da Silva, Rui de Mascarenhas, Artur Ribeiro, Luís Piçarra e Paulo Alexandre;
  • Fadistas como Manuel Fernandes e Loubet Bravo;
  • Tocadores de guitarra e viola como Raul Nery e Júlio Gomes;
  • Bailarinos como Yola (espanhola que fez furor) e Paulo e
  • Apresentadores como Miguel Simões e Carlos Lacerda.

De nomes que faltam na lista recordo Joaquim Cordeiro, fadista humorístico, e a cançonetista Ilda Artur, que penso que foi acompanhada ao piano pelo compositor Nóbrega e Sousa, seu tio ao que julgo.

Alguns artistas visitaram-nos várias vezes. Foi o caso de Maria de Lourdes Resende, que foi rainha da rádio e a quem alguns chamavam a feia-bonita.  Aliás, um das suas canções aludia à sua falada feiura. Esta cançonetista cantou nas festas quatro anos seguidos.

Tristão da Silva cantou duas vezes no mesmo ano. Da primeira pouca gente o ouviu por causa de chuva intensa. Voltou, sem pedir muito dinheiro. Convidou para padrinhos dum filho que ia nascer o Dr. Santana Maia, grande animador das festas, e a esposa, D. Cremilde. Tristão da Silva cantava magnificamente, mas afligia ouvi-lo agradecer os aplausos porque sofria de forte gaguez. Nesta foto vemos Tristão da Silva e o Dr. Santana Maia.

Um dos artistas que nos visitou foi Luís Piçarra, um cantor com uma potente voz imortalizada por cantar o hino do Benfica. Numa noite de magia e encanto cantou várias peças do seu repertório e uma ária do Barbeiro de Sevilha, ópera que se interpreta em geral  com acompanhamento duma grande orquestra e num ambiente solene, bem diferente do duma festa popular. O artigo anterior deste blogue é dedicado a essa noite fabulosa.

Penso que os primeiros artistas da rádio a atuar nas festa do Es pírito Santo foram a  acordeonista Eugénia Lima e os cançonetistas Rui de Mascarenhas e Paulo Alexandre, em 1954. Nessa altura Mouriscas não tinha luz elétrica, havia muito poucos rádios, que funcionavam com baterias que se tinham de carregar no Tiago Faria. As pessoas tinham oportunidades reduzidíssimas de ouvir as grandes vedetas da rádio ou mesmo de ouvir música. Claro que também assistiam às festas mourisquenses com empregos de colarinho branco, como se diz hoje, que viviam na cidade e já ouviam rádio, mas na sua maioria os mourisquenses trabalhavam a terra ou entregavam-se a atividades artesanais, trabalhando o dia inteiro e sem eletricidade e rádios. As festas eram, assim, uma oportunidade para ouvir vedetas de que poucos tinham ouvido falar ou tinham escutado.  Os artistas traziam uma importante contribuição a festas que proporcionavam convívio e divertimento a toda a população mourisquense, duma ponta a outra da freguesia, e que atraíam inúmeros visitantes.

A presença de numerosas e talentosas estrelas da rádio conferiu alto nível artístico a muitas noites das festas do Espírito Santo, que se realizavam em Setembro. Quem teve a felicidade de assistir não esquece!

 

 

Autor: João Manuel Maia Alves 

publicado por João Manuel Maia Alves às 16:51
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